É a austeridade que gera a violência, acordem

Mesmo não concordando com a forma que o Ricardo resolveu dar ao seu texto, a indignação que por aí vai não passa de fumo tentado mascarar a realidade.

A realidade é simples. A Inglaterra precisou de imigrantes para se ocuparem das tarefas que os ingleses desdenhavam. Não pode agora deitá-los fora, são pessoas, não são lixo.

A Inglaterra (que tem uma crise económica pior do que a nossa à custa de sustentar banqueiros e se safa apenas porque não está no euro) virou-se para a austeridade absoluta do neo-liberalismo. E isso tem um  preço, o que hoje está nas ruas.

São actos de banditagem pura? pois são. Assaltam lojas de electrodomésticos e não padarias? pois assaltam. É a consequência lógica da raiva misturada com uma ideologia alucinadamente consumista. Não é a revolta que eu espero que ocorra em Portugal. Mas continuem a enterrar o vosso querido capitalismo com a austeridade, avancem com o aumento do IVA como hoje se anunciou, cortem no SNS, na Educação, nos apoios sociais, e vão ter o mesmo.

O que a direita hoje leva em desvantagem em relação ao PS, ou aos trabalhistas, é que estes sempre perceberam que o neo-liberalismo só se pode aplicar mantendo mínimos de decência entre os pobres, verdadeira razão porque foi criado o Rendimento Mínimo Garantido e coisa que os democratas-cristãos de toda a Europa estavam fartos de saber. Esta é a última oportunidade de os Camerons e Passos Coelhos deste mundo descobrirem o risco que correm. A seguir é o abismo.

Adenda: “os resultados indicam uma correlação positiva entre cortes orçamentais e instabilidade” gráfico via Ladrões de Bicicletas

Transformemos Portugal numa nova Inglaterra*


Aproveitemos as férias para descansar. Depois de Agosto, todas as forças vão ser necessárias para lutar. O Governo Passos Coelho / Portas já mostrou ao que vem e todos temos de estar preparados. A receita é a do costume: aumento de impostos directos e indirectos sobre os trabalhadores ao arrepio de todas as promessas eleitorais. É tão fácil ser forte com os fracos e tão difícil ser forte com os fortes! Aos poderosos, como os Bancos, os principais responsáveis pela crise, não se pede um cêntimo a mais e ainda se lhes reduz a Taxa Social Única. É por isto que urge transformar Portugal numa nova Inglaterra. Não porque gostemos de ver o nosso país a ferro e fogo nem porque sejamos adeptos da violência como solução para os problemas. Mas porque é essa a única forma de lutar contra tudo o que o Governo se prepara para fazer. Como alguém disse em forma de previsão para o futuro, nós não somos carneiros.

(* escrito para a edição de estreia de «The Printed Blog» com o título «Transformemos Portugal numa nova Grécia», daí a fotomontagem que pedi ao Jorge Fliscorno. Mas a realidade desta Europa em crise não pára, daí esta adaptação que faz todo o sentido. Publicado também no 5 Dias)

Afloat upon etheral tides…

Durante a sua longa História, Londres já sobreviveu a:

– Aos romanos.

– Às invasões dos saxões.

– Á conquista normanda

– A João Sem Terra

– Aos barões.

– À guerra das Rosas

– A Henrique VIII

– Á Revolta de Wyatt

– À armada de Felipe (Que não consegue entrar em Londres)

– Ao Gundpowder Plot

– À guerra civil

– Á morte do Rei.

– Ao Grande fogo.

– A uma revolução.

– Á Revolução Industrial.

– Á loucura do King George

– Ao Parlamento.

– A católicos

– A protestantes

– A várias pestes e doenças (the english sweating).

– Á extrema pobreza.

– A ser capital do Império.

– Á grande depressão

– Às bombas da 2º guerra mundial.

– A Margaret Thatcher.

Londres é uma das mais importantes cidades da História. Já viu de tudo. Westminster Abby já presenciou toda a espécie de temores. Já várias vezes durante a sua História se pensou que era o fim. Os saxões pensaram-no quando os normandos invadiram. Os católicos quando Henrique VIII decidiu separar-se da Igreja, Elizabeth quando sentiu a Armada a chegar, Charles quando viu que ia ser morto, Dickens quando viu em que Londres se encontra, as pessoas no metro que ouviram as bombas a cair-lhes por cima.

Nunca acabou. Continua lá de pé, firme, a antiga capital de um império, o berço de muitas convenções, boas e más. Tenhamos fé. A História é assim. Problemática, cheia de altos de baixos. Mas Londres com a sua sabedoria sabe que isto, tal como tudo o resto, vai passar.

London goes beyond any boundary or convention. It contains every wish or word ever spoken, every action or gesture ever made, every harsh or noble statement ever expressed. It is illimitable. It is Infinite London. – Peter Ackroyd, in London: a biography.

Com que então selenita?

Um novo blogue, simpático como todos os blogues mais ou menos plurais, já me dedicou dois parágrafos na sua curta existência.

Bem os compreendo. Também em tempos caí nesse disparate mas informo os neofítos que se arranja um link muito mais depressa contra-argumentando do que insultando. Embora, pessoalmente, ache a paisagem lunar muito mais simpática do que a de muitas cidades por aí espalhadas.

Os motins são grandes e os Clash foram os seus profetas

Sempre achei que os Clash não eram apenas uma das melhores bandas de sempre (a melhor não existe), e que havia ali algo de transcendente, místico, uma cena dessas.

E confere. Vejam em 4 cantigas como tudo o que se está a passar em Inglaterra tinha sido escrito, e cantado.

1. Tudo começou assim, como de costume:

Police On My Back

2. Segue-se o enquadramento social e político

Guns Of Brixton [Read more…]

Da raiva em estado puro e da luta em estado de crisálida

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem“.  O poema de Brecht acordou desta vez em Londres. O desemprego, a miséria, a destruição do estado social pela direita no poder, um assassinato cometido pela polícia como motor de ignição, eis as margens deste rio de chamas. No meio uma mulher confronta os jovens: a lutarem que lutem por uma causa.

Nem ela sabe como é muito mais perigosa para Cameron que todos os motins espontâneos. Mesmo assim, a aflição é tão grande que no Insurgente adivinha-se o fim do socialismo: o humor britânico no seu melhor.

Se querem uma boa análise dos factos, procurem no Ladrão de Bicicletas.

Adenda: acabo de constatar um caso evidente de plágio (parcial, mas plágio é plágio) entre o que aqui escrevi e o que a Gui tinha escrito aqui. Na impossibilidade de provar que ela tinha adivinhado o que eu ia escrever, ficam as minhas desculpas, ou coisa que o valha.

Amigos

amigos

Falar de amizade masculina é um risco. O mundo latino pensa, de imediato, que a linguagem amorosa é de uso exclusivo do universo feminino ou, quanto muito, do foro íntimo de um casal heterossexual (homem-mulher).

Hoje em dia, há homens que rompem as barreiras classificatórias dos sentimentos, recorrendo ao uso das palavras que, até há pouco tempo, eram identificadas com a fragilidade do mundo feminino. [Read more…]

Novas músicas portuguesas: Bailenda – Moda da Lebre

Sobre este vídeo, leia a ficha técnica.

A resiliência e os seus heróis

resiliencia

Pensamos sempre que a vida é dura, difícil de ultrapassar essa dor que as relações sociais nos causam. Mais uma vez, cito a minha amiga e colega na ciência que aprendeu comigo e desenvolveu pela sua conta. Viver não custa, o que custa é saber viver, diz Ana Vieira da Silva.

Nem que tivesse lido o texto ou os textos de Boris Cyrulnik (Burdeos, 26 de Júlio de 1937), um neurólogo, psiquiatra, psicanalista e etólogo francês, que retirou da ciência da física o conceito de resiliência para ser usado no saber dos sentimentos dos seres humanos. [Read more…]