Mesmo não concordando com a forma que o Ricardo resolveu dar ao seu texto, a indignação que por aí vai não passa de fumo tentado mascarar a realidade.
A realidade é simples. A Inglaterra precisou de imigrantes para se ocuparem das tarefas que os ingleses desdenhavam. Não pode agora deitá-los fora, são pessoas, não são lixo.
A Inglaterra (que tem uma crise económica pior do que a nossa à custa de sustentar banqueiros e se safa apenas porque não está no euro) virou-se para a austeridade absoluta do neo-liberalismo. E isso tem um preço, o que hoje está nas ruas.
São actos de banditagem pura? pois são. Assaltam lojas de electrodomésticos e não padarias? pois assaltam. É a consequência lógica da raiva misturada com uma ideologia alucinadamente consumista. Não é a revolta que eu espero que ocorra em Portugal. Mas continuem a enterrar o vosso querido capitalismo com a austeridade, avancem com o aumento do IVA como hoje se anunciou, cortem no SNS, na Educação, nos apoios sociais, e vão ter o mesmo.
O que a direita hoje leva em desvantagem em relação ao PS, ou aos trabalhistas, é que estes sempre perceberam que o neo-liberalismo só se pode aplicar mantendo mínimos de decência entre os pobres, verdadeira razão porque foi criado o Rendimento Mínimo Garantido e coisa que os democratas-cristãos de toda a Europa estavam fartos de saber. Esta é a última oportunidade de os Camerons e Passos Coelhos deste mundo descobrirem o risco que correm. A seguir é o abismo.
Adenda: “os resultados indicam uma correlação positiva entre cortes orçamentais e instabilidade” gráfico via Ladrões de Bicicletas










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