O estado da banca

É fácil culpar as agências de rating e os bancos pela crise, mas a verdade é que tudo continua na mesma. Se alguém chegar ao pé de ti e dizer eh pá estas acções são de elevado risco mas o seu retorno é garantido. Obviamente a bota não bate com a perdigota, mas o que o cliente pergunta é de quanto é o juro….

Anw, é sabido que os bancos podem creditar 90% do seu investimento. Isto é o mesmo que alguém me emprestar 100 euros e eu por de lado 10 euros e ir jogar à roleta com os outros 90 euros. Agora imaginem isto em larga escala, até mesmo mundial. O sector financeiro joga com dinheiro que na realidade existe apenas uma pequeníssima fracção. Logicamente muitíssimos negócios acabam por ser secundados por dinheiros que apenas existem em teoria, na assumpção da felicidade do sucesso das negociatas. [Read more…]

A descida da TSU e a competitividade das empresas portuguesas

Tenho visto várias opiniões acerca da redução da Taxa Social Única (TSU). A diminuição da TSU reduz os custos de produção, pelo que as empresas exportadoras, principalmente essas, sairão beneficiadas. Parece ser esta a explicação de quem defende a diminuição da TSU. O raciocínio está correto. Esta medida é equivalente a uma desvalorização cambial, pois torna as nossas exportações mais baratas. Aumentando-se a taxa de IVA, as importações ficam mais caras.

Espera-se que a desvalorização fiscal sirva para aumentar a competitividade das empresas exportadores, via redução dos custos de produção. É aqui que eu tenho mais dúvidas. Apesar da descida da TSU conduzir uma redução nos custos de produção, não acredito que essa redução tenha repercussões significativas nas exportações. Os bens produzidos pelas nossas empresas não têm custos de fabrico maiores do que os produtos fabricados na Espanha, na Alemanha, nos EUA ou na Noruega. De igual forma, mesmo que reduzíssemos os nossos custos de produção em 40 ou 50% continuaríamos a não conseguir competir, através do preço, com as empresas chinesas, polacas, indianas ou marroquinas. Estas empresas têm custos de produção incomparavelmente menores do que os nossos. Por isso, baixar os custos para competir com as empresas destes países é uma tarefa inócua.  Poderá haver casos de empresas portuguesas que competem com empresas estrangeiras pelo preço baixo, mas o número tem de ser reduzido. Por isso acredito que o impacto da descida da TSU na competitividade das empresas exportadoras será mínimo. [Read more…]

Os equívocos do senhor doutor

É, de facto, impressionante a quantidade de banalidades que o sr. doutor manuel de herédia caldeira cabral escreve no seu artigo.

Não quero discutir a questão dos salários dos outros – coisa que parece ser da manifesta preferência de muitos portugueses – e não tenho muito tempo disponível. Não posso, no entanto, deixar de fazer um breve comentário a uma passagem que parece absolutamente incrível ter sido escrita por um doutorado em Economia:

“Em áreas em que a densidade populacional é baixa, o transporte por autocarro é, em geral, mais eficiente, económico e em muitos casos até mais ecológico (se se tiver em conta todo o impacto de manutenção da via). Nesses casos, não faz sentido manter linhas só porque estas aí foram construídas no século XIX, nem em termos económicos, nem no que toca à justiça social.”

– O maior custo de investimento em transportes em “via dedicada” – como escreve o doutor – é exactamente o da instalação da “via dedicada”, pelo que o abandono de uma pré-existência em favor de uma outra alternativa deve ponderar esta perda de investimento como um acréscimo de custo para a tal alternativa.

– Dá por garantido (takes for granted) que a falta de rentabilidade de determinadas ligações não pode ser alterada, por exemplo, por reformulação dos serviços indo de encontro às necessidades das populações servidas, ou aumentando as ligações a transportes conexos, ou… (you should know, you name it).

– Não tomou certamente muita atenção às escolhas dos seus hóspedes ingleses durante o tempo em que terá realizado o seu doutoramento em Nottinghamshire (terá tido que lá estar pelo menos uma vez, para apresentar a dissertação – digo eu…). Segundo os seus critérios este serviço regional seria impossível em Portugal e esta linha devia ser fechada por causa da pouca população (em termos relativos da muito povoada velha Albion) das povoações que serve.

Nada como uma “Robin Hood Line” para calar um pretendente a “Xerife de Nottingham”, hem? ;)

zedeportugal in comentário

“Para ver preço, por favor registe-se”

É a indústria e o comércio nacional no seu melhor.

A Monte Campo é uma empresa portuguesa de artigos desportivos; tem um site na internet e uma página no Facebook!

A página da empresa não me deixa perceber com tranquilidade se fabricam os produtos que apresentam e vendem. Mas como o segredo é a alma do negócio, se eu quiser saber os preços das tendas, por exemplo, tenho que me registar, por obséquio…

E terá esta empresa (fabricante?) uma rede de revendedores onde eu possa conhecer e testar os produtos? Não encontrei os contactos, deve ser só uma loja online. Que aborrecimento.

Se calhar vou é comprar esta tenda da Quechua que até tem revendedores em Portugal

Compre português!…