O mérito.

Nesta conversa sobre os ordenados dos políticos, secretários e boys, há algo que eu não compreendo: porque é que sempre que se fala de um tecto para os salários no Estado, alguém vem com o exemplo do Presidente da República? porque é que se devem tabelar todos os ordenados pelo de um homem que apenas existe por existir, que não salva vidas como os médicos, que não apaga fogos como os bombeiros ou que não ajuda a manter a segurança como os polícias? Que se atribua à figura um salário digno – digno do seu papel “simbólico”, tudo bem. Mas que se venha endeusar a criatura como o cargo principal e supra-sumo da nação, isso parece-me exagerado.
Eu concordo que se pague bem a quem é competente, mas competentes pelo seu mérito. E quando digo isso não me refiro a carreiristas políticos, como o senhor professor Cavaco Silva. A ética não passa, neste caso, por criar uma hierarquia de ordenados, ou pela apresentação das nomeações e dos seus salários como se fosse uma coisa comum. Passa por terminar com o clientelismo partidário, pela contratação justa de indivíduos cujo curriculum o justifique. E só isso.

O Douro

Lendas de Portugal

No 31 da Armada retoma-se a lendária historinha de 1580: invasores espanhóis (expressão um bocado anacrónica, mas vá lá), atropelo jurídico do direito ao trono de Portugal,  perda da independência, etc.

Esta velha mistificação continua a omitir a legitimidade do rei Filipe ao trono de Portugal, fruto das fracassadas mas mui tentadas uniões ibéricas por via matrimonial dos nossos monarcas anteriores que à época levavam quase um século, já para não falar da vida e obra do tolo Sebastião, um dos expoentes máximos da argumentação de bolso de qualquer republicano.

O facto de não ter havido perda de independência, mas sim uma monarquia dual também não entra na versão Mattoso (pai) da nossa História. Haja pachorra para tanto e tão repetido dislate. E viva Filipe I, um dos melhores reis de Portugal.

Vida Eterna

Agora é 25% Mais Barato Viajar no IC19

Por comparação com o aumento, desde ontem, de 25% nos preços do comboio da Linha de Sintra.

O triunfo dos porcos

O Governo do senhor Coelho alargou a administração da Caixa Geral de Depósitos, de nove para onze administradores, para lá colocar os seus boys: António Nogueira Leite, Rui Machete e Pedro Rebelo de Sousa são os destaques. Para o primeiro, trata-se do prémio pelo aconselhamento do candidato Coelho; para os outros dois, é a justa recompensa pela sua participação activa no banco do cavaquismo – o BPN – que vai agora ser entregue aos angolanos por tuta e meia, depois de milhares de milhões do nosso dinheiro lá terem sido enterrados.

É fartar, vilanagem!

Carlos de Sá

O ritual da legislatura

Quando algo se torna corriqueiro, adicionalmente também ganha a propriedade da transparência. Passa por nós sem tom de surpresa, é ignorado, não choca. Mesmo quando não deixa de incomodar.

Veja-se quem pede esmola na rua, por exemplo.

É também o que acontece com as legislaturas. Há um ritual de acontecimentos que, se tirados do respectivo contexto, nos pasmariam mas, ligados à política, já os tomamos por certos. Do role das nomeações, tantas só porque o lugar existe e porque o cartão partidário é o correcto, aos ostensivos actos de sumptuosa governação, há um role de coisas que nos chocam, apesar de se anteciparem. Têm, portanto um quê de transparência.

É oportuno questionarmos-nos quanto à razão de assim ser.

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