Heterossexuais: As minhas memórias

amar uma mulher

 Penso que mentia se dizesse que é o adjectivo menos usado em esta época. Os de homossexual e lésbicas, por ser uma minoria dentro da população e denominar seres que praticam diferente forma de amar, engulhem o adjectivo em questão. Heterossexual designa quem sente atracção ou interesse sexual pelo sexo oposto.

Obriga-me esta frase a definir o que todos sabemos entre os seres humanos, como e todo tipo de animal, existem dois sexos o masculino e o feminino, sendo masculino  [Gramática]  o género de palavras ou nomes que designam seres que são ou se consideram machos, embora não tenham sexo. Em gramática, define-se feminino  [Gramática]  ao género das palavras que indicam fêmea ou das

que se consideram não masculinas. Ou nome dado, geralmente, aos seres do sexo que podem parir ou pôr ovos.

Em frente de nós, temos os elementos básicos para definir heterossexuais. A questão a seguir, é porque falar desse adjectivo, se é quase um subentendido. O assunto é que não o é. Há diversas formas de amar, todas elas respeitáveis, entre animais humanos e animais sem raciocínio, como tenho definido e defendido em vários ensaios deste sítio de debate. Bem sei que o elo do presente texto é heterossexual. No entanto, no entanto, porque foi necessário distinguir entre as diversas formas de amar? Desde tempos antigos da humanidade, tem existido a heterogeneidade de amar: a pessoa de diferente sexo, a pessoas do mesmo sexo.

A novidade, hoje em dia, é a de admitir uniões por contrato e ou sacramental, depende da confissão a qual se pertença dentro do mesmo sexo, forma de amar que tenho defendido, apesar de não ser a minha orientação pessoal. Mas, não é de mim que estamos a falar é do adjectivo heterossexual e as sua diversa formas de se demonstrar. Dividir ao género humano conforme as suas orientações da libido, pare-me uma felonia Amar é estar apaixonado, é entregar-se a outro sem condições, é sentir uma atracção sem definições por outra pessoa, grande inclinação ou predilecção,  predileçãopr afecto AfetoAfeto violento, amor ardente. Definição que pertence a qualquer orientação erótica, respeitável como ela é.

Porque, enfim, o amor está atado ao erotismo, não é apenas um sentimento oco de paixão. É o sentimento que permite continuar a humanidade no seu desenvolvimento e na sua história. No meu ver, é o que devia ser permitido às pessoas que amam de forma diferente, pessoas do mesmo sexo que se apaixonam uma pela outra, tendo vedada a sua continuidade na vida, reproduzir o nome e herdar a História dos pais e mães, dos ancestrais.

Portugal é o único país da velha Europa que, primeiro, vedava a lei do matrimónio entre pessoas do mesmo sexo Foi finalmente aprovada, com uma condição a não adopção de descendentes. Assim, o nosso país continua a ser o único diferente do velho continente. Luta que devera ser travada e ganha.

O heterossexual tem outro tipo de problemas, especialmente entre os países latinos, do velho e novo continente Os homens amam-se de forma amistosa, máscula, mas nem por isso deixam-se de amar de forma erótica, em silêncio. A libido é apaziguada com brincadeiras, com brincar com o corpo do outro, ou as ideias do outro. Ainda mais, a heterossexualidade é infiel, ama a várias mulheres ao mesmo tempo, ainda que a mulher que é a mãe dos seus filhos, guarda por ela amor, paixão e fidelidade. As infidelidades referidas, são amores de uma hora, uma atracção sensual, no sexual.

Como referia ontem, foi o Concílio de Trento, Século XVI, que encarcerou ao povo en laços matrimoniais, a viver sempre juntos sob o mesmo teto e debater como criar aos descendentes. Debate sempre perdido sempre pelo homem, porque as mães amamentam a criança, desde o útero e continuam a alimentar aos filhos, já adultos, preparando a comida em casa, entre horas de trabalho para indústria, empresas ou na vida profissional autónoma. O pai, hoje em dia, passou a colaborar nos deveres de casa, faz a comida, engoma, lava a roupa e veste aos mais pequenos. Começa a aparecer uma igualdade de deveres, bem como, nas análises feitas por mim, aparece uma igualdade de infidelidades.

Com uma diferença: o varão conta as suas aventuras aos seus amigos, e a mulher é discreta, apenas o seu companheiro de infidelidade sabe. Se ele conta as aventuras, ela não sabe e se suspeita, a escapada acaba ai.  A diferença reside na facilidade em que o homem dinamiza a sua libido, e a mulher precisa de seduções, carícias, presentes e muita discrição O marido enganado nem suspeita nem deve entender de ser a sua mulher a amante do seu amigo. O sentimento libidinal é rápido no homem, é lento mas certo, na mulher. No varão um a vista de olhos de uma mulher bonita, o coloca em estado erótico; na mulher, é a masculinidade do varão e a sua discrição, a seduz

Ora bem, as separações e divórcios em Portugal têm aumentado nos últimos anos. Eis o motivo do amancebamento usado pelo povo, que não tem meios para litigar um divórcio em tribunal. O amancebamento como acção, é apenas uma união sem testemunhas e sem laços legais ou rituais. [Depreciativo]  Ligar-se maritalmente a alguém, sem laços de casamento ou tomar concubina ou amante. As formas de união variam entre as classes sociais como também nas hierarquias das classes populares.

Não sejamos pessimistas. Nem sempre o matrimónio acaba antes da morte de um dos cônjuges. Há o respeito, o entendimento, o mutuo acordo que ultrapassam as infidelidades, especialmente na criação dos descendentes, as conversas de quarto a porta fechada, a aceitação de desencontros quando acontecem. Todo ser humano tem ideias diversas que, ao falar, ou são entendidas, aceites, e perdoadas.

É assim, com respeito mútuo, que os acasalamentos e amancebamentos duram até a morte.

São memórias, são respeito, são paixões.

Uma confissão íntima: mal vi uma rapariga de 20 anos, comigo nos meus 19, virei-me a um amigo da alma e disse: com essa mulher vou casar. Custaram-me cinco anos de seduções e de vestir como ela gostava, mudar de tipo de gafas, respeitar a sua virgindade tornar com ela a Europa, ela que tinha morado na Alemanha e na França, eu na Grã-Bretanha e no Chile, para, finalmente celebrar o matrimónio mais imenso do mundo… Quarenta e cinco anos têm passado e ai estamos com o respeito mutuo, sempre em frente, com liberdade para trabalhar nas profissões que tínhamos escolhido, com separações para acalmar ânimos exacerbados, mas somos os pais e avós, dos mesmos filhos e netos, o que aceitamos, parentes das mesas pessoas, quer por consanguinidade quer por afinidade. Se há infidelidades, eu nada sei, apenas conheço a minha, fiel no amor até que a morte nos separe. O segredo não é apenas o respeito, bem como morar cada um na sua casa, como Sérgio Godinho tem feito e outros amigos que, por não serem figuras públicas, não vou invocar.

O amor heterossexual, como os outros, com amor e respeito se paga….Vou morrer a amar a mesma pessoa. Escapadelas? Apenas a divindade, se existir, sabe e nada diz a ninguém…Enquanto mais aumenta a família, mais aumenta i respeito. Não há mulher de fora do casamento, que entenda isto….a experiência educa e nos faz humildes e cheios de respeito para a pessoa que juramos amar… até a morte. A amabilidade, a ternura e evitar raivas, construem o amor. E assim não for, a mata.

Mas, quem quer matar a  sua bem-querida?

23 de Julho, o dia que mália nos deixara

Comments

  1. xico says:

    Caro professor. Que grande confusão que aí vai. Sexo, afectos, infidelidades, legalidades portuguesas e outras…
    Em nome do rigor, há países na Europa onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é permitido. A França por exemplo. O mesmo em relação à adopção.
    Também concordo que a divisão do ser humano se faz pelo género e não pelas suas preferências. Não há homosexuais nem heterosexuais. Há homens e mulheres. Depois cada um como do que quer.
    Também em nome do rigor, nem todos os animais têm dois sexos ou géneros. Uns têm os dois, hermafroditas, (caracóis) outros nenhum embora necessitem de dois indivídúos. E ainda há os que tendo sexo diferenciado, são capazes de se reproduzirem sózinhos por partenogenese (até os perus). A natureza é assim bastante diversificada.
    E ainda há por aí quem fale em normalidades…
    Lembro-me daquela extraterrestre numa série cómica “o 3º calhau a contar do Sol” em que muito se admirava de na terra só haver dois sexos. “Que sensaboria…”

    • Raul Iturra says:

      Obrigdo pela sua leitoua,dcas e colaboraç-ao. Deve ser alguém conhecido. Esrever asinando com alcunha, é fácil!
      Raúl Iturra
      lautaro@netcabo.pt

    • Rodrigo Costa says:

      Caro Xico,

      A Natureza é diversificada porque é diversa, mas tem comportamentos estabelecidos para cada uma das suas diversidades. De facto, o Instinto é a trave-comum que liga todos os seres, mas há, em cada espécie, o comportamentos ou os comportamentos de cada espécie. Quer dizer, as hienas, por exemplo, podem, por questões de sobrevivência do grupo ou da espécie, ser uma ou outra coisa, desempenhar um ou outro papel; o seu hermafroditismo está previsto nos seus cálculos majoritados e não depende da estúpida orientação sexual; não são machos à segunda e à terça, e, se lhes apetecer ou não tiverem sarna para se coçar, serem fêmeas nos outros dias. A questão sexual nas outros animais não está dependente de apetites nem de correntes, salvo se, por razões de cativeiro, sofrem desvios comportamentais.

      É sabido, por exemplo, que, em cativeiro, muitos animais perdem a alegria de viver e, por conseguinte, o apetite sexual, tornando-se difícil e, às vezes, impossível a reprodução, porque passaram a estar sob tensão, sob stress. E o sexo, a actividade sexual, vive, sobretudo, da alegria de viver, da sartisfação de se estar vivo.

      O único animal que tem sexo para matar o tempo é o homem, porque vive em constante contrariedade, e tem, no sexo —a não ser que haja um jogo de futebol importante—, a fuga à monotonia e às actividades a contr-gosto; e tem, por acréscimo, os desvios decorrentes. Neste âmbito, a homossexualidade é um desvio, uma anormalidade. Mais anormal, ainda, quando não tem a ver com disfunção hormonal, mas com fetiche, com a ideia de movimento; como se se estivesse em presença de uma corrente artística, por exemplo.

      Teria, eu, alguma coisa contra que o meu vizinho —mera analogia que não corresponde à realidade— resolvesse sair a rebolar-se e de sacola ao ombro, de bigode e barba e com a voz a concorrer com a do canário?… Absolutamente nada. Estaria proibido de entrar em minha casa?… Também não. Se fosse competente, a anormalidade impedi-lo-ia de ser meu funcionário ou colega de trabalho? Também não. Deixá-lo-ia, à-vontade, com um filho meu?… Objectivamente, NÂO. Porque a homossexualidade é contagiosa? Não, mas porque fere a normalidade, e o homossexual é uma espécie de polícia, que, mesmo de folga, está em serviço. Compreendeu?…

      Meu Caro, já toda a gente terá percebido que a Humanidade atravessa um mau bocado, porque decidiu, por moto-próprio, revolucionar toda a estrutura da Natureza, como se a Natureza estivesse à sua espera para que a reformulasse… A Humanidade, Caro Xico, é, ela mesma, uma barata tonta, porque se perdeu pelo caminho. É esta a razão de todos ou de quase todos os nossos problemas. Não vê o Américo Amorim, que até acha que não é rico e que é um simples trabalhador? Acha que é de uma pessoa normal?… Se o interpelasse, possivelmente, ele responder-lhe-ia: —É a minha orientação sexual, o dinheiro. De tal forma, que o excesso nem chega a ser um desvio, mas a normalidade…

  2. xico says:

    Raul Iturra
    Não o conheço nem o senhor a mim e isso é uma certeza que lhe posso garantir. Nem somos da mesma área profissional ou social. Se assinasse com o meu nome completo, nada lhe diria, pois não me conhece. Mas também podia pôr aí Francisco ou António e ia dar no mesmo. A alcunha ou o anonimato dá maior liberdade mas também maior responsabilidade. Se o conhecesse e o senhor a mim, isso tornaria o meu comentário condicionado e isso seria concerteza desinteressante para quem escreve. A responsabilidade da alcunha fica-se na tentativa de nunca ser insultuoso ou malcriado. De qualquer forma, é sempre possível chegar à identidade de quem escreve.
    Se está realmente interessado em saber o que pensam dos seus posts é sempre melhor sabê-lo sob anonimato, mesmo arriscando a alguma má criação.
    Quanto à alcunha é muito mais para me defender dos outros leitores do que para me manter anónimo perante o autor dos posts.
    Sou um anónimo leitor, sem qualquer relevância na vida política, social, cultural ou jornalística. Não sou académico e nem vivo na capital ou na sua área metropolitana. Mais obscuro que isto não há.

  3. João Carlos Augusto Telles says:

    Professor, muito Boa Tarde, fui, com muito prazer e por sortilégio Divino, seu aluno. A uma distância relativa, tenho acompanhado as suas formalizações, sou João Carlos A. Telles, estimo muito em estar a partilhar a sua fonte… perdoe-me, mas este texto é constatar a minha aprendizagem, por isso só ele é a minha possível partilha. Sei que raramente acede a entabular diálogo, o meu maior respeito pois autoreferencialmente, também o faço; apenas gostaria de me encontrar de novo consigo, como dois complementos, mestre – discípulo, sei das limitações de caráter privado que limitam o meu desejo, mas fica aqui a deferência que tenho para consigo, que nunca me abandonará, e a lastimosa certeza que tal não é possível. Não sou nada bom em finalizar textos, há sempre mais a dizer, mas não o quero incomodar em se ocupar de ter de me responder ou ter a sua atenção, apenas desejo que esteja feliz e saiba que há sempre quem o ouça e nunca se esquece de si.
    com muita estima e saudade
    João Carlos

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