Os irredutíveis vacilantes

François Hollande (de quem não espero, aliás, amanhãs que cantem) ainda não tomou posse mas já começou a mudar a paisagem política europeia. A Alemanha, por exemplo, dá agora mostras – apesar da sua aparente irredutível posição face à disciplina orçamental – de poder vir a ser mais flexível do que tem afirmado recentemente. As instituições europeias, idem. O governo português espera que Merkel se mova para se mover também, num desempoeirado exercício mimético, mostrando que as únicas convicções que possui são as que o governo germânico for adoptando. Para já, com o PS a surfar a onda Hollande, o PSD prepara-se para engolir o que ainda há duas semanas afirmava ser inaceitável.

Ao contrário de tudo o que vinham afirmando, estes governos parecem encontrar agora soluções que negavam existir e descobrem margens de flexibilidade onde ontem afirmavam haver apenas rigidez.

Um dia, não se sabe quando, alguém explicará ao povo alemão o que Merkel procura esconder-lhe: que o destino da Alemanha está intimamente ligado aos destinos dos restantes povos europeus, que a Alemanha é historicamente devedora da solidariedade europeia, que a Alemanha tem lucrado com o empobrecimento geral da Europa, que a corda não pode ser esticada até partir, como se começa a ver no caso grego, pois aí, depois dos gregos, quem mais perde são os bancos e a indústria alemã.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Olha olha o molengão do seguro acabou por abanar a rigidez e dogmatismo psdeiísta – ai ai – temos novidades enfim – Hollande pode ser aquele tipo parado e sem graça (mas tem teve uma mulher bonita e com genica) mas Hollande é hoje a FRANÇA que não deixa de ter sempre pêso com ou sei Hollande e os franceses passaram a odiar sarko – quem manda na orquesta são eles, que são solistas – nós só acompanhamos no côro – o que nem quer dizer que não o pudéssemos ser porque não ?? mas só há cagaço e não querer fazer ondas com tanta culpa no cartório e mãozinha estendida e trabalho não realizado – só borrada

  2. Tito Lívio Santos Mota says:

    o Hollande nunca prometeu amanhãs que cantem, nem é artista da Eurovisão.
    Prometeu o que está no programa.
    Ora, se lerem o programa, não é uma revolução à moda de 17, mas uma revolução na CE, sem dúvida alguma.
    E é isso que se lhe pediu, e foi para isso que se votou.

    O resto é outra conversa.

    Como dizem os franceses “a mais bela virgem, só pode oferecer o que tem”. Ou, à portuguesa “quem faz o que pode, a mais não é obrigado”.

    Cansei das pessoas que andam há 38 anos a prometer-nos amanhãs cançonetistas mas que a única coisa que souberam fazer foi abrir as portas ao Passos Coelho.
    Entre o Seguro assegurado e as carmelitas descalças enclausuradas em falsas virgindades, venha o diabo e escolha.

    Esquerda precisa-se !

  3. Tito Lívio Santos Mota says:

    PS : excluo da lista a CGTPin que é a única organização de esquerda que faz alguma coisa pelo povo português.
    Valha-nos isso.

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