Eu, meretriz

Com a má vontade que me caracteriza, recusei-me a considerar como reformas estruturais as acções do actual governo, ao retirar poder de compra e direitos aos trabalhadores portugueses. Talvez, afinal, estivesse enganado e tudo isso fizesse, final, parte de um plano para nos colocar ao nível de outros países.

Acreditando numa sociedade assente na solidariedade, na redistribuição equilibrada da riqueza e num Estado suficientemente forte para não se deixar apropriar pela corrupção legalizada e suficientemente sensato para não entravar a iniciativa privada, confirmo, afinal, que tenho andado a pagar impostos e a ser espoliado de parte do meu salário para pagar dívidas de autarquias e parcerias público-privadas.

O governo, com a cumplicidade de todas as outras instituições – incluindo um partido que se finge zangado em público, mas que se presta a um coito ininterrupto em privado –, arremeda orgulho pela obra (des)feita, contando, ainda, com o apoio de uma certa Alemanha cujos caninos hitlerianos parecem renascer.

Não cairei na deselegância de insultar a mais antiga profissão do mundo, afirmando que essa gente é uma cambada de filhos da puta. Puta sou eu, obrigado a dar o corpo ao manifesto e a sustentar uma chusma de proxenetas que ainda têm o atrevimento de me dizer que ando a viver acima das possibilidades. E enquanto o lenocínio continua impune, ainda temos de ler inteligentes a confundir desespero com empreendedorismo ou outros que, num país crescentemente subdesenvolvido, têm o desplante de considerar que existe um investimento excessivo em Educação.

Comments


  1. Temos 14 % de desemprego
    por enquanto – a curva iniciada de vagarinho em 2000 já sobe em exponencial – e nada a faz parar – e os psd que não me venham com conversas porque se há povo que não é burro nem ladrão é o português nunca se podendo dizer o mesmo dos goverantes desde 1986 que descobriram um “mina de oiro” e o oiro enlouquece os mais fracotes


  2. Bahia recusa aceitar o que disse ontem Scolari da influência do Porto em fazer com que fosse afastado da Selecção – de facto Scolari era um “submetido também” ??? Fazer mal a alguém que foi considerado o melhor guarda rêdes do mundo é mesmo para pensar no gangsterismo futebolístico

    • Pisca says:

      O frangoleiro vem a propósito de quê ? Porra tou farto cada vez que se toca no papa do norte saltam logo a berrar, o Pidá deixou grandes amigos cá fora

    • Pisca says:

      Já agora, como é gente fina passou a ser Ba(h)ia, já o Tomás também passou a ser Thomaz

  3. Eu mesma says:

    Votaram neles, não votaram? Já estava tudo fartinho de saber que nas últimas três décadas, tudo mudava para ficar na mesma. Até eu que sou zero à esquerda em política (obrigada, meu Deus!) percebi isso. Agora aguentem. Para mal dos meus pecados, mesmo os que têm cérebro e não votaram nos cafetões do costume já estão a aguentar.
    Obrigadinha à brigada do reumático e da demência que, durante anos, vendeu a desbarato os votos que tanto sangue e sofrimento custaram. E a troco de…? De uns passou-bem ao senhor candidato, em frente aos jornalistas, para falarem aos vizinhos no fim do dia, eu dei um passou-bem ao candidato tal. A troco de umas canetas/bonés/autocolantes com o símbolo do partido made in China. Nos intervalos é vê-las nos cabeleireiros a regatearem os preços das manicures-pedicures-madeixas e vê-los nos cafés e tabernas, a queixarem-se que a vida está má e que a malta nova não quer é trabalhar – enquanto enchem o bandulho de vinho e guloseimas e extorquem dinheiro aos filhos que se matam a trabalhar. Sei do que falo pq já vi.

    • Pentesiléia says:

      Eu mesma diz: não sei em que país vive, mas a julgar pela descrição não deve ser o mesmo em que vivo eu, ou, em alternativa, deve frequentar sítios pouco normais e menos recomendáveis. Essa dos mais velhos extorquirem dinheiro aos filhos não lembrava nem aos mais imaginativos agentes dos nossos serviços secretos! Quando tantos pais se queixam que os filhos deixam cada vez mais tarde a casa onde nasceram, ou ainda alguns que a deixaram e agora regressam multiplicados por dois ou mais, essa afirmação só pode ser atribuída a delírio ou a realidade distorcida. E insinuar que são os mais velhos os responsáveis pela eleição destes mentecaptos que nos têm governado, não abona nada em favor da sua sanidade mental. Já viu alguma vez as reportagens sobre os comícios dos partidos do chamado Bloco Central, que, com a ajuda do CDS, se têm sucedido no poder?
      Eu não sou nova, mas nunca fui a um comício, nunca apertei a mão a vendedores de banha de cobra da política, não faço colecção de canetas nem de bonés, também não frequento tabernas e nos cabeleireiros onde vou não é hábito regatear preços. E olhe, oxalá que quando (se!) chegar à minha idade seja tão demente como eu sou.

      • Eu mesma says:

        percebeu mal o meu post. não são TODOS os idosos. tenho demasiado cérebro para confundir a nuvem por Juno, os idosos que critico são uma parte. sim, essa parte tola que contribuiu para este estado de coisas, embora não sejam os únicos culpados, de todo. também conheço quem se tenha estafado a trabalhar até muito tarde na vida, quando nem sequer se pensava em alargar a idade da reforma, nem queria saber de política, não ia na conversa dos comícios e nem sequer ia votar. não por preguiça, mas porque “aquilo é tudo igual”. por mais que seja contra a abstenção, visto por esse prisma, não posso dizer que os censuro. por isso, por favor, párem de bater nos novos ou não-tão-novos.

  4. Pisca says:

    Gosto do post, Parabéns


  5. Caro António Fernando, este seu texto não deixa margem para mudar nem uma vírgula sequer. Está inegavelmente fantástico, quer em forma quer em conteúdo!

  6. MAGRIÇO says:

    Como alguém já disse,”Antigamente os cartazes nas ruas, com rosto de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem votos”.

  7. Ainda penso says:

    Excelente texto, os meu parabéns. Nada a acrescentar, está tudo dito, só falta o povo fazer o que está certo,mas aí!!!!!!!!!!!!!!! não me parece.

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