Sustentabilidades

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António Alves

O embaixador Seixas da Costa, num postal publicado na sua página no Facebook, em jeito de dúvida/interrogação meramente retórica, levanta a questão da sustentabilidade da Rede Ferroviária que, como sabemos, sofreu uma drástica redução de 1974 até hoje. Ora, esta é a pergunta errada. A pergunta correcta seria: é sustentável uma sociedade/economia sem uma rede ferroviária eficiente?

No mesmo sentido em que o embaixador coloca a questão, podemos também perguntar se a Rede Rodoviária entretanto construída é sustentável. A resposta é não. As autoestradas a sul do Tejo, por exemplo, são todas insustentáveis e o estado paga anualmente mais de mil milhões de euros às concessionárias, as famosas PPP’s, para manter a rede aberta. Muito do nosso continuado, insustentável e impagável endividamento tem como causa a construção da “melhor rede de autoestradas da Europa”. A sociedade, porque as finanças e a economia já sabemos que não, é mais sustentável depois disso? Tudo indica que não. Além de financeiramente arrasada está maioritariamente dependente,  na sua mobilidade, do meio rodoviário, e do consequente consumo de combustíveis fósseis, com as implicações económicas (importações), de congestionamento viário nas áreas metropolitanas e ecológicas que isso implica. No entanto, ainda não ouvi ninguém pedir o encerramento de autoestradas como fizeram com ferrovias.

Outra coisa que o senhor embaixador devia interrogar-se é se algum rio é sustentável sem afluentes. A Linha do Tua, por exemplo, era um afluente da Linha do Douro. Lembra-se?

Não me toca na parceria público-privada

033_FigueiraFozSegundo parece, a Câmara Municipal da Figueira da Foz fez um acordo com a empresa Malpevent, responsável pela promoção de um concerto de Anselmo Ralph. O negócio é o seguinte: se não se venderem noventa mil bilhetes, a Câmara da Figueira compromete-se a entregar 16500 euros à dita Malpevent. Para além disso, a autarquia prescinde do pagamento de 8800 euros de taxas e assume o pagamento de elementos da Cruz Vermelha Portuguesa (3500 euros).

Em resumo, a Câmara da Figueira não quer uma receita, garante uma despesa e arrisca-se a outra, para minimizar os riscos de uma empresa que promove o espectáculo de um artista extremamente popular, goste-se ou não da música. Acrescente-se que, ao que tudo indica, um concerto de Anselmo Ralph terá custado, em Julho, 48500 euros à Câmara de Elvas. [Read more…]

Norscut A24

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Área de Serviço de Vila Real na A24.
Zero árvores.
Zero metros cobertos de área coberta exterior.

Crimes sem castigo

Acabei de ler uma entrevista surreal a António Ramalho, o presidente das Estradas de Portugal. A entrevista é acerca da chamada “Subconcessão Baixo Alentejo” e da renegociação do respectivo contrato.

Esta subconcessão é mais uma das tão célebres PPPs. Em 31 de Janeiro de 2009 Almerindo Marques (na altura presidente da Estradas de Portugal, entretanto saiu para liderar a Opway, construtora que trabalhava com a Estradas de Portugal…) assinou o contrato de concessão (PDF) por uns módicos 382 milhões de euros.

A subconcessão tem objectivos alargados, que vão desde a manutenção e conservação de vários IPs e ICs, obras profundas de melhoramento em diversas vias e até a construção da auto-estrada Sines/Beja (A26).

O que considero fantástico na entrevista de António Ramalho são passagens como a seguinte:

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Más-línguas

José Cândido
Porto, 18-09-2012
– Tenho lá uns livros na estante que estão bons para ser trocados por uns bonitos, com cheiro a novo, onde assino?
– Olha, e eu estou farto de colocar letras que não servem para nada! Ainda bem que estamos de acordo…
– E sempre fazemos um sainete com os falantes próximos da nossa língua, até conheço um…mas isso agora não interessa!…
A ditadura encapotada de um governo já extinto, mas com estranhos reacendimentos no actual, ditaram que para escrevermos bem, teríamos que abdicar de um conjunto de letrinhas, acentos e demais acessórios, para que pudéssemos apresentar ao Mundo como uma grande comunidade falante e escrevente, com notáveis vantagens económicas para o país. Em vez de se editar um livro do Saramago em Português de Portugal e outros tantos nos portugueses diversos que se espalham pelo Mundo (e dos quais, por ignorância, só conheço o «brasileiro»), seria possível, com algum corte e costura, e por meio de uma manobra de reengenharia linguística (talvez mais gráfica), editar massivamente milhões de cópias do dito autor (ou de qualquer outro, entenda-se), e todos ficavam felizes.
Cega de tanta felicidade, a ditadura estabeleceu que não haveria espaços a qualquer contestação e obrigou logo logo as nossas criancinhas – o futuro do país – a tragar aquela coisa que tão bem dormia, e alguém quis acordar. Os dicionários, bafientos, que os pais das crianças tinham nas prateleiras e que serviram os seus pais, e quiçá os seus avós passavam a peça de museu. Portugal é um país moderno, cheio de autoestradas vazias, e demais infraestruturas sem manutenção ou aproveitamento, e como tal, necessitava também de renovar toda a frota de livros.

A Máfia das Parcerias Público-Privadas em Portugal

José Gomes Ferreira continua, metodicamente, a expor o roubo do país. Se não viu, não deixe de ver este Negócios da Semana sobre as Parcerias Público-Privadas.

Eu, meretriz

Com a má vontade que me caracteriza, recusei-me a considerar como reformas estruturais as acções do actual governo, ao retirar poder de compra e direitos aos trabalhadores portugueses. Talvez, afinal, estivesse enganado e tudo isso fizesse, final, parte de um plano para nos colocar ao nível de outros países.

Acreditando numa sociedade assente na solidariedade, na redistribuição equilibrada da riqueza e num Estado suficientemente forte para não se deixar apropriar pela corrupção legalizada e suficientemente sensato para não entravar a iniciativa privada, confirmo, afinal, que tenho andado a pagar impostos e a ser espoliado de parte do meu salário para pagar dívidas de autarquias e parcerias público-privadas.

O governo, com a cumplicidade de todas as outras instituições – incluindo um partido que se finge zangado em público, mas que se presta a um coito ininterrupto em privado –, arremeda orgulho pela obra (des)feita, contando, ainda, com o apoio de uma certa Alemanha cujos caninos hitlerianos parecem renascer.

Não cairei na deselegância de insultar a mais antiga profissão do mundo, afirmando que essa gente é uma cambada de filhos da puta. Puta sou eu, obrigado a dar o corpo ao manifesto e a sustentar uma chusma de proxenetas que ainda têm o atrevimento de me dizer que ando a viver acima das possibilidades. E enquanto o lenocínio continua impune, ainda temos de ler inteligentes a confundir desespero com empreendedorismo ou outros que, num país crescentemente subdesenvolvido, têm o desplante de considerar que existe um investimento excessivo em Educação.