Acordo Ortográfico: “Jornal de Notícias” pára para ver

A imagem foi detectada pelo olho de lince do nosso Dario Silva, na página do Jornal de Notícias, ontem de manhã. Relembre-se que o centenário e respeitável periódico adoptou o acordo ortográfico (AO90) já há algum tempo.

Na Base IX, 9º, do AO90, estipula-se que “deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; (…).” Como já várias pessoas notaram, o mesmo acordo obriga, no entanto, à manutenção do acento em “pôde”, para que não se confunda com “pode”, uma de muitas inconsistências inaceitáveis.

Mais tarde, uma nova visita à mesma página permite descobrir uma alteração:

Não sei que razões terão provocado, de manhã, a utilização de uma palavra banida pelo AO90, mas a verdade é que o mais elementar bom senso leva a que, quase instintivamente, se resista à multiplicação de homografias. Por outro lado, o redactor do título talvez tenha partido do princípio de que a mesma palavra estaria incluída no rol das grafias facultativas.

A alteração do título, à tarde, poderá ter nascido de uma nova reacção ao acordo, que consistirá em tornear os disparates, evitando o uso de determinadas palavras. Assim, sempre que houver necessidade de usar “pára”, será necessário escolher sinónimos ou expressões, como “cessa”, “trava”, “estaca”, etc. De futuro, e diante da provável extinção daquela forma verbal, será, então, possível ouvir um polícia gritar “Estaca ou atiro!”

Comments


  1. Realmente, é mesmo isto que me aflige. Aliás, já me afligia há imenso tempo, com o estranho caso, por exemplo, de “clube da malha de Abambres-de-Cima já tem sede”, e um tipo fica sem saber se faltou a água ou se o clube instalou torneiras no edifício novo.

    Estranhamente, não encontro nenhum post escrito pelo autor sobre isto… ou descobriu agora que a língua tem palavras homógrafas?

    (eu não escrevo ao abrigo do AO’90)

  2. António Fernando Nabais says:

    A sério?! A língua tem palavras homógrafas?! Com mil diabos, nunca tal me passaria pela cabeça!


  3. Isto é, confirma-se que só passou a ser um problema digno de nota, para o autor, quando foi agravado pelo AO’90.

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