Governar mal compensa

Uma coisa é penalizar a coligação PSD/CDS que está a procurar empobrecer o país em vez de cortar na despesa que alimenta os negócios dos amigos do regime. Outra é recompensar um dos partidos que contribuiu activa e decisivamente para a situação em que estamos. Um povo sem memória ou que nem se dá ao trabalho de reflectir tem o que merece.

Leituras:

Já agora: não deixa de ser um sinal de desfaçatez que Cravinho, o campeão das PPP, venha com um discurso moralizador sobre essas mesmas PPP.

17 comentários em “Governar mal compensa”

  1. e dizer brutalidades tb compensa e mto (neste caso paga e bem paga pelos nossos impostos):

    a dona Filomena Mónica que aparece no DN a querer despedir os profs efectivos “maus” para meter os “bons” contratados, sendo rica andou num colégio de freiras onde adquiriu hábitos de trabalho e disciplina, apresentando-se como “socióloga”. O que é ser “socióloga” no caso da senhora Mónica?

    É ser paga pelo estado como “investigadora” num Instituto Público (ICS) equiparada para efeitos remuneratórios e de carreira à de professora catedrática, sem a chatice de estar exposta a dar aulas (poucas, já que os catedráticos só dão 3 horitas por semana e, em Portugal, não são avaliados porque supostamente são o expoente do saber…). Deve fazer umas investigaçoezitas que todos os catedráticos deviam estar obrigados e escrever uns artigozitos para aqueles revistas de fazer “curriculum”… Grande “cargo” dona Mónica, aí nem tem desgaste nem chatices que a srª é a maior daquele bairro. Assim é fácil mandar “postas de pescada” para quem lecciona 20 ou 18 horas em situações de grande indisciplna e stresse e mais umas quantas em outros trabalhos que os professores têm de cumprir 24 horas semanais. Tenha vergonha senhora doutora Filomena Mónica, porque é o seu trabalho principescamente pago que é dispensável. Acabe-se com o ICS e os portugueses não se darão conta porque a OCDE encarrega-se das investigações que interessam. Isso , o ICS, é um clube, minha senhora, de gente que vive dos impostos dos portugueses. Um clube que deveria ser privado e nada receber dos contribuintes. Nessas condições é fácil ser-se “mta boa”. No seu bairro, claro…

  2. aliás os profs universitários têm horário reduzido supostamente para terem tempo para a investigação. Se pensarmos nos horários dos profs catedráticos eles deveriam ser áses mundiais da investigação. Mão não: criou-se uma carreira à parte de “investigador em Cc Sociais”, para fazerem investigações que qq alunos de mestrado poderia fazer. É um daqueles aqueles arranjinhos portugueses, para dar espaço, liberdade e $$$ aos vários lobbys, que arruinaram o país. Que se saiba, os estudos da OCDE, que são das poucas investigações em “ciênciais sociais” que contam, são feitos em parceria com universidades várias, não exactamente com o ICS. É uma vergonha.

  3. eu conheço bem o argumentozito:

    se há investigadores nas “cc duras” tem de haver nas “cc sociais”. Que espertinhos… Querem comparar-se áqueles que inventam novas moléculas que salvam ou potencialmente podem salvar milhões. Puro chico-espertismo.

    1º a designação de cc sociais não é pacífica pq hão há de todo ciência mas meras previsibilidades estatísticas que por vezes valem 50%. Não andam longe dos tradicionais “adivinhos”, que não pagos a preço do ouro pelo Estado…

    2º mesmo esquecendo a falibilidade versus fraude do termo “cc sociais”, estas são eminentemente “sociais”: dar aulas regulares e pôr os alunos a participar devia fazer parte da vida de qq “cientista social” ( o termo soa uma bocado a nazismo), e menos do que em qq outra área não é justificável a divisão entre carreira de investigação e carreira de professor. Deviam ser os professores a orientar os alunos a fazerem investigação nas respectivas cadeiras dos respectivos cursos das “cc sociais”. E já em vou sequer questionar a utilidade a longo e mesmo médio prazo de parte desses cursos.

    Imagine-se na Arte: Inventarem-se investigadores para a Arte pegos como rpofs agregados e catedráticos no novo IPA (instituto português da arte). É uma aberração? Claro que é. Um investigador da Arte é o artista, que pode ou não ser reconhecido posteriormente. Algum dia seria pensável pagar-se 4000 ou 5000 euros a um investigador equiparado a prof agregado ou catedrático em Arte para “investigar” metodologias e formas novas artísticas?

    1. Não, mas pode dar sentido àquilo que surge naturalmente, relacionar com o contexto social e económico.
      Lá por haver muito tacho não quer dizer que não haja bons profissionais, como por exemplo o politólogo André Freire.
      Nesta resposta não concordo nada consigo, é como dizer que uma sociedade só precisa de pessoas que façame o resto não interessa nada, quando o entendimento geral é que são precisas pessoas de todos os tipos mesmo dentro de uma empresa.

  4. Sim o PS nacionalizou um problema privado. E o PSD reprivatizou o banco, mantendo o problema privado sob a alçada do Estado.
    Nacionalizar por 2700 milhões (nem que fossem só 400) e privatizar por 40 milhoes de euros.

    Verso e reverso da mesma moeda.

  5. PS e PSD/CDS é tudo farinha da mesma seara, embora com tamanho diferente e de espécie diferente,uns(que querem sacar o Estado, ocupando o Estado) e outros(que querem sacar o Estado, tirando ao Estado para dar aos amigos) são parte do problema e nunca serão solução.

    Alguém duvida?

  6. Apenas com este gráfico, não consigo tirar grandes ilações. De facto existe uma relação entre o aumento da despesa relacionada com as PPPs e o facto do PS ser o partido do governo nesses períodos. No entanto, o gráfico não me diz se foi realmente o PS o causador desse aumento ou se herdou a despesa do executivo anterior (PSD). É possível partilhar mais dados relativamente a isso? Desde já o meu obrigado.

      1. Sobre as PPP de Sócrates não tenho a certeza se serão projectos herdados. Julgo que não mas isso carece de análise mais aprofundada.

        As de Gutuerres são todas originadas no PS. O grande Cravinho é o respectivo pai.

      2. Caso tenha interesse, disponibilizei a folha de cálculo que deu origem ao gráfico supra e aos posts aqui linkados neste endereço. Contem uma listagem extensa das concessões analisadas, dos valores em causa e partidos.

        Parece que este tipo de posts incomoda algumas pessoas mas, como se pode constatar, o facto da mensagem ser simplificada, não significa que a análise o tenha sido!

  7. Também interessante é só pegarem num exemplo de “péssima capacidade de previsäo de procura” referente a uma PPP… quando esta mete comboios. Aliás, deve ser a única PPP referente à ferrovia!
    Quantos 120 milhöes de euros anuais custam cada PPP nas auto-estradas, que säo às dezenas? Porque ninguém fala dessas enormes e densas gorduras, que começaram na construçäo e continuam na exploraçäo? Nessas o escândalo deveria ser pior, já que para começar a procura esperada assumida no projecto foi por vezes menos de metade do tráfego que justifique uma auto-estrada, que säo 10.000 carros/dia. Sendo que as compensaçöes do Estado sempre foram desde o tráfego efectivo até valores próximos desses 10.000 carros/dia.
    Antes de 2008, cerca de 1.500km (mil e quinhentos quilómetros) de AE em Portugal näo tinham esse tráfego. Nem esse nem 5.000, em alguns sítios nem 500 carros/dia.
    Antes da cryse.
    E essas PPP continuam em grande forma, e continuam-se a construir mais AEs inúteis, enquanto se implementa a austeridade. Já para näo falar no PNB. Mas no Tugal tudo o que meta popós é sagrado, näo se toca.

    Mais uma vez em Portugal olha-se para o que faz a formiga no jardim, enquanto o elefante na sala é ignorado.

    1. As PPP das estradas são um óptimo exemplo também. Escolhi esta da ferrovia por uma simples razão: há algum tempo que acompanho a senda moralista do Cravinho quando, ele mesmo, esteve na origem das PPP rodoviárias que andamos a pagar.

      Mas isto apenas são três exemplos. Outro? Aeroporto de Beja, que elefante branco! Já escrevi sobre isso tudo, agora estou um pouco sem vontade recicladora.

      1. Mas não te esqueças que era o TGV que nos ia levar à falência!
        O facto de termos ido à falência antes de haver um km de TGV não interessa para o caso.

        Näo é um comentário a este artigo em particular, é uma reflexäo sobre o que se fala em geral, nos media e principalmente na rua. Quando ouvir alguém gritar “Acabem-se as PPP!” pergunte-lhe “Incluindo a das AEs / SCUTs ao pé da sua casa?” e verá o chorrilho de impropérios que leva.
        Do Aeroporto de Beja, entäo… até no planeta Marte aterram mais veículos!

        É assim eu aplaudo este artigo, especialmente a referência ao “moralista”. Podia-se era ter arranjado como exemplo algo (ainda) mais paradigmático (i.e. mais custoso, e nisso näo há quem bata as PPP das AEs) e convenientemente menos divulgado ao público. Só isso.

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