Governar mal compensa


Uma coisa é penalizar a coligação PSD/CDS que está a procurar empobrecer o país em vez de cortar na despesa que alimenta os negócios dos amigos do regime. Outra é recompensar um dos partidos que contribuiu activa e decisivamente para a situação em que estamos. Um povo sem memória ou que nem se dá ao trabalho de reflectir tem o que merece.

Leituras:

Já agora: não deixa de ser um sinal de desfaçatez que Cravinho, o campeão das PPP, venha com um discurso moralizador sobre essas mesmas PPP.

Comments

  1. e dizer brutalidades tb compensa e mto (neste caso paga e bem paga pelos nossos impostos):

    a dona Filomena Mónica que aparece no DN a querer despedir os profs efectivos “maus” para meter os “bons” contratados, sendo rica andou num colégio de freiras onde adquiriu hábitos de trabalho e disciplina, apresentando-se como “socióloga”. O que é ser “socióloga” no caso da senhora Mónica?

    É ser paga pelo estado como “investigadora” num Instituto Público (ICS) equiparada para efeitos remuneratórios e de carreira à de professora catedrática, sem a chatice de estar exposta a dar aulas (poucas, já que os catedráticos só dão 3 horitas por semana e, em Portugal, não são avaliados porque supostamente são o expoente do saber…). Deve fazer umas investigaçoezitas que todos os catedráticos deviam estar obrigados e escrever uns artigozitos para aqueles revistas de fazer “curriculum”… Grande “cargo” dona Mónica, aí nem tem desgaste nem chatices que a srª é a maior daquele bairro. Assim é fácil mandar “postas de pescada” para quem lecciona 20 ou 18 horas em situações de grande indisciplna e stresse e mais umas quantas em outros trabalhos que os professores têm de cumprir 24 horas semanais. Tenha vergonha senhora doutora Filomena Mónica, porque é o seu trabalho principescamente pago que é dispensável. Acabe-se com o ICS e os portugueses não se darão conta porque a OCDE encarrega-se das investigações que interessam. Isso , o ICS, é um clube, minha senhora, de gente que vive dos impostos dos portugueses. Um clube que deveria ser privado e nada receber dos contribuintes. Nessas condições é fácil ser-se “mta boa”. No seu bairro, claro…

  2. aliás os profs universitários têm horário reduzido supostamente para terem tempo para a investigação. Se pensarmos nos horários dos profs catedráticos eles deveriam ser áses mundiais da investigação. Mão não: criou-se uma carreira à parte de “investigador em Cc Sociais”, para fazerem investigações que qq alunos de mestrado poderia fazer. É um daqueles aqueles arranjinhos portugueses, para dar espaço, liberdade e $$$ aos vários lobbys, que arruinaram o país. Que se saiba, os estudos da OCDE, que são das poucas investigações em “ciênciais sociais” que contam, são feitos em parceria com universidades várias, não exactamente com o ICS. É uma vergonha.

  3. eu conheço bem o argumentozito:

    se há investigadores nas “cc duras” tem de haver nas “cc sociais”. Que espertinhos… Querem comparar-se áqueles que inventam novas moléculas que salvam ou potencialmente podem salvar milhões. Puro chico-espertismo.

    1º a designação de cc sociais não é pacífica pq hão há de todo ciência mas meras previsibilidades estatísticas que por vezes valem 50%. Não andam longe dos tradicionais “adivinhos”, que não pagos a preço do ouro pelo Estado…

    2º mesmo esquecendo a falibilidade versus fraude do termo “cc sociais”, estas são eminentemente “sociais”: dar aulas regulares e pôr os alunos a participar devia fazer parte da vida de qq “cientista social” ( o termo soa uma bocado a nazismo), e menos do que em qq outra área não é justificável a divisão entre carreira de investigação e carreira de professor. Deviam ser os professores a orientar os alunos a fazerem investigação nas respectivas cadeiras dos respectivos cursos das “cc sociais”. E já em vou sequer questionar a utilidade a longo e mesmo médio prazo de parte desses cursos.

    Imagine-se na Arte: Inventarem-se investigadores para a Arte pegos como rpofs agregados e catedráticos no novo IPA (instituto português da arte). É uma aberração? Claro que é. Um investigador da Arte é o artista, que pode ou não ser reconhecido posteriormente. Algum dia seria pensável pagar-se 4000 ou 5000 euros a um investigador equiparado a prof agregado ou catedrático em Arte para “investigar” metodologias e formas novas artísticas?

    • nightwishpt says:

      Não, mas pode dar sentido àquilo que surge naturalmente, relacionar com o contexto social e económico.
      Lá por haver muito tacho não quer dizer que não haja bons profissionais, como por exemplo o politólogo André Freire.
      Nesta resposta não concordo nada consigo, é como dizer que uma sociedade só precisa de pessoas que façame o resto não interessa nada, quando o entendimento geral é que são precisas pessoas de todos os tipos mesmo dentro de uma empresa.

  4. Maquiavel says:

    Sim o PS nacionalizou um problema privado. E o PSD reprivatizou o banco, mantendo o problema privado sob a alçada do Estado.
    Nacionalizar por 2700 milhões (nem que fossem só 400) e privatizar por 40 milhoes de euros.

    Verso e reverso da mesma moeda.

  5. PS e PSD/CDS é tudo farinha da mesma seara, embora com tamanho diferente e de espécie diferente,uns(que querem sacar o Estado, ocupando o Estado) e outros(que querem sacar o Estado, tirando ao Estado para dar aos amigos) são parte do problema e nunca serão solução.

    Alguém duvida?

  6. Apenas com este gráfico, não consigo tirar grandes ilações. De facto existe uma relação entre o aumento da despesa relacionada com as PPPs e o facto do PS ser o partido do governo nesses períodos. No entanto, o gráfico não me diz se foi realmente o PS o causador desse aumento ou se herdou a despesa do executivo anterior (PSD). É possível partilhar mais dados relativamente a isso? Desde já o meu obrigado.

  7. Amadeu says:

    Boa Jorge. Isto é que é serviço público de informação !!

  8. Maquiavel says:

    Também interessante é só pegarem num exemplo de “péssima capacidade de previsäo de procura” referente a uma PPP… quando esta mete comboios. Aliás, deve ser a única PPP referente à ferrovia!
    Quantos 120 milhöes de euros anuais custam cada PPP nas auto-estradas, que säo às dezenas? Porque ninguém fala dessas enormes e densas gorduras, que começaram na construçäo e continuam na exploraçäo? Nessas o escândalo deveria ser pior, já que para começar a procura esperada assumida no projecto foi por vezes menos de metade do tráfego que justifique uma auto-estrada, que säo 10.000 carros/dia. Sendo que as compensaçöes do Estado sempre foram desde o tráfego efectivo até valores próximos desses 10.000 carros/dia.
    Antes de 2008, cerca de 1.500km (mil e quinhentos quilómetros) de AE em Portugal näo tinham esse tráfego. Nem esse nem 5.000, em alguns sítios nem 500 carros/dia.
    Antes da cryse.
    E essas PPP continuam em grande forma, e continuam-se a construir mais AEs inúteis, enquanto se implementa a austeridade. Já para näo falar no PNB. Mas no Tugal tudo o que meta popós é sagrado, näo se toca.

    Mais uma vez em Portugal olha-se para o que faz a formiga no jardim, enquanto o elefante na sala é ignorado.

    • jorge fliscorno says:

      As PPP das estradas são um óptimo exemplo também. Escolhi esta da ferrovia por uma simples razão: há algum tempo que acompanho a senda moralista do Cravinho quando, ele mesmo, esteve na origem das PPP rodoviárias que andamos a pagar.

      Mas isto apenas são três exemplos. Outro? Aeroporto de Beja, que elefante branco! Já escrevi sobre isso tudo, agora estou um pouco sem vontade recicladora.

      • Maquiavel says:

        Mas não te esqueças que era o TGV que nos ia levar à falência!
        O facto de termos ido à falência antes de haver um km de TGV não interessa para o caso.

        Näo é um comentário a este artigo em particular, é uma reflexäo sobre o que se fala em geral, nos media e principalmente na rua. Quando ouvir alguém gritar “Acabem-se as PPP!” pergunte-lhe “Incluindo a das AEs / SCUTs ao pé da sua casa?” e verá o chorrilho de impropérios que leva.
        Do Aeroporto de Beja, entäo… até no planeta Marte aterram mais veículos!

        É assim eu aplaudo este artigo, especialmente a referência ao “moralista”. Podia-se era ter arranjado como exemplo algo (ainda) mais paradigmático (i.e. mais custoso, e nisso näo há quem bata as PPP das AEs) e convenientemente menos divulgado ao público. Só isso.

Trackbacks

  1. […] uma relação entre os custos das PPP e os partidos no poder. A imagem, vi-a no blog Aventar, num post da autoria de Jorge […]

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s