Até quando?

(aos meus amigos do Aventar que hoje estiveram na rua a exprimir, livremente, as suas ideias)

Hoje, antes mesmo das manifestações, escrevi e expliquei (nas redes sociais) o motivo porque não iria. Agora, com mais tempo e espaço, explico o motivo de não ter ido.

Não, não fui. Respeito imenso todos aqueles que foram. Compreendo bem os motivos de muitos amigos que foram. A liberdade materializa-se de muitas formas e uma delas é a liberdade de expressão e participação em manifestações. Foi a forma escolhida por muitos milhares de portugueses. Mesmo muitos. Eu sou militante do PSD, do PSD que não desvaloriza a força de um movimento popular como aquele que hoje se viu um pouco por todo o país e em especial no Porto e Lisboa. Para mim é tão ou mais significativo os cerca de cinco mil manifestantes que estiveram em Braga como os 500 mil que participaram em Lisboa.

Escrevi nas redes sociais que não usaria a desculpa de estar a trabalhar para me escusar (mesmo sendo verdade que estava a trabalhar). Não, não foi por isso. Foi, como disse antes, por ainda ter esperança. A esperança de quem ainda acredita no Pedro Passos Coelho que conheci antes das directas, com quem tive o privilégio de debater ideias em encontros de bloggers, no Pedro Passos Coelho que a ouvia a opinião de tantos e tantas que agora talvez estejam adormecidos(as). Ainda quero acreditar. Não tanto por mim. Pela minha filha, pelos meus sobrinhos que acabaram de entrar na universidade, pela minha mãe e pela minha sogra que são reformadas. Pelo meu país. [Read more…]

Obviamente, demitam-se

Deixemos de lado o quantos fomos. Não me lembro de uma manifestação em Portugal (e não apenas em Lisboa) sem guerras de números. Chega.

coimbra 15 setembro 2012, manifestação

Das muito poucas fotografias que fiz hoje, fica esta (não editada, depois substituo): Coimbra – 15 de Setembro de 2012, nunca tantos estivemos na ruas, desde 1 de Maio de 1974. Estimativa da PSP: 20 000. Não contei.

Um país que veio à rua

Quando cheguei, já a manif ia adiantada. Estava eu nas Praça de Espanha, em Lisboa, e procurei fazer como em 2008, nas manif dos profs: andar em contra corrente e fotografar os rostos da revolta. Não consegui. Fiz a Av. de Berna, voltei à Praça de Espanha, subi até ao Corte Inglês, desci até ao Marquês e não encontrei os extremos. Do que ouvi na rádio sobre as outras cidades e do que aqui vi, o país saiu à rua.

Entre fotografias apressadas dei por mim a pensar que ainda não olhara para as pessoas. Parei um pouco e comecei a observar. Famílias inteiras, muitos jovens, idosos e crianças aos ombros desfilavam à minha frente. Em alguns olhos a zanga, noutros ansiedade e noutros ainda a alegria-tristeza de quem vê um povo a reagir e a ter que reagir. Vi também originalidade e a simplicidade de um “Não”, a única palavra num cartaz. E “Os bancos que salvaste querem a tua casa”. Quanta verdade!

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E agora?

Em tempo útil, digo eu, tive oportunidade de fazer ver a quem de direito, da necessidade de dizer alguma coisa sobre o que ia acontecer hoje. Obviamente, a resposta foi não porque além de se desconhecer o gerador (em português, não fomos nós!) não havia uma ideia sobre o que se pretendia.

Agora que acabou, reconheço a razão dos argumentos: não houve um gerador! Houve milhões!

Não havia uma ideia! Havia milhares de ideias!

E esta é a minha primeira conclusão: não há monopólios do lado de quem luta. A luta do outro não é pior só porque não é minha.

Há uma  segunda conclusão – ao contrário do que teima em dizer a blogosfera laranja o problema do governo não é um problema de comunicação. O povo já percebeu MUITO bem a comunicação dos boys incompetentes que nos tentam roubar o país. [Read more…]

Ainda não acabou.

Imagem

A FORÇA do NORTE

A reflexão vem depois.

Agora era mesmo só o prazer de partilhar com os amigos do Aventar a alegria que sinto!

 

Acabou-se a Vaselina, pá

E as pessoas de Braga saíram à rua;
outras foram para a praia.

Manifestante pegou fogo a si próprio

Eu estava a pensar se devia sentir-me culpada por não estar presente na manifestação, vendo-a apenas da TV, quando soube que, em Aveiro, um manifestante se imolou e entrou no Governo Civil de Aveiro.
 
Lembro-me de um outro manifestante, em Telavive (há um mês), que, da mesma forma, se imolou como tentativa de suicídio… O homem havia escrito uma carta:“O Estado de Israel roubou-me e deixou-me sem nada“, pode ler-se na carta, citada pelo Ynet.”Eu acuso Israel, [o primeiro-ministro] Benjamin Netanyahu e [o ministro das Finanças] Youval Steinitz pela humilhação constante a que os cidadãos de Israel se sujeitam diariamente. Eles tiram aos pobres para dar aos ricos”.
Sr. PM as coisas já chegaram a este ponto! Leia a mensagem do manifestante de cerca de 20 anos em Aveiro. Que você não venha a ser acusado de não ter feito nada para evitar outras situações como esta ou ainda piores. 

Banhos de água fria

Sem mudar de assunto… Parece que ultimamente tudo vai dar ao mesmo…

Etty Hillesum –  uma judia holandesa que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943 e que escreveu um diário entre 1941-1943 – viu-se privada de muita coisa pelo regime nazi, apesar de ter sido, como dizia muitas vezes, afortunada comparativamente a outros.

Os decretos contra os judeus sucederam-se:  era precisa uma autorização para comprar pasta de dentes, deixaram de poder ir aos lugares de hortaliças, tiveram que entregar as bicicletas,  andar de eléctrico foi proibido e foram obrigados recolher a partir das oito, etc.

Neste momento, estamos, também nós, cada vez mais condicionados e pobres e revoltados e impotentes e desesperados face às medidas levadas a cabo pelos políticos que nos saiem na rifa.

Transcrevo, então, uma passagem, escrita a 4 de julho de 1942):

Cada camisa lavada que vestes é ainda uma espécie de festa. E cada vez que te lavas com um sabonete bem cheiroso numa casa de banho, que é só para ti durante meia hora, também.

Espero que não cheguemos a este ponto. Que não sejamos enviados para uma espécie de campo de concentração…

Comecemos desde já a dar valor a estas «insignificâncias» como uma roupa lavada ou um banho de água quente (que nos aquecem por dentro também) antes que delas sejamos privados…

Sugerir não ofende

É enternecedora, esta súbita indignação patronal quanto à reconhecidamente gravosa “medida TSU”. Não querendo prolongar o terrível sofrimento moral dos senhores da CIP, sugerimos que estes atribuam a prenda dos 7% aos seus próprios empregados. Por exemplo, aumentem-lhes os salários através de cupões de compras em supermercados da SONAE. Ofereçam-lhes vales-refeição no valor  agora subtraído, cheques de gasolina, passes sociais, cobertura de aquisição de manuais escolares, etc. Existe uma enorme lista de possibilidades a que poderão recorrer e ainda por cima ficarão por todos muito bem vistos.

A menos que já estejam a compreender as virtualidades da forma de organização maoísta do trabalho que tão bons proventos tem propiciado à plutocracia…

Que se lixe a troika?

Vou à manif não por concordar com a convocatória mas porque o caminho governativo é errado e contrário ao que fora proposto em programa eleitoral. Não sou naïf ao ponto de acreditar que um programa eleitoral será, ipsis verbis, um programa de governo mas deverá ser uma linha condutora da política governativa. Se assim não for, para que serve a eleição? Para se escolher a personificação do próximo ditador a termo certo? Não! O que consta num programa eleitoral deve ser levado a sério e deve-se exigir o respectivo cumprimento. E quem não o consiga cumprir terá sempre aberta a porta de saída.

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General Humberto Delgado regressa hoje ao Porto

Não vivi os sentimentos de 1958 no Porto.

Ouvi falar muito de Humberto Delgado pela voz de pessoas que no dia 15 de maio (há quem escreva 14) estiveram no Porto.

Sente-se algo de parecido hoje. Há qualquer coisa no ar de diferente. Há gente que nunca vai e hoje telefona a dizer que vai lá estar.

Hoje respira-se Liberdade por aqui!

Rigorosamente a não perder numa Praça perto de si.

Por mim, vou! AGORA!

Aviso à navegação.

A partir das 16 horas, estarei onde me compete estar: na luta e em luta. À noite, o resultado estará por aqui, em imagens. Até já.

Como filmar uma revolução

É normal o estado tentar descredibilizar os cidadãos empregando violência sobre esses mesmos cidadãos. Utilizam agentes provocadores, fazem sair notícias sobre violência hipotética. Ninguém se deve deixar enganar por isso, a violência apenas serve quem está no poder. Por isso, daqui a pouco:

Filmem tudo!

O envelhecimento ilícito segundo Ricardo Araújo Pereira

Sim, já experimento-me

Por Terras de Cervaria (II)

Parque de Lazer do Castelinho

O poder da arte – Caravaggio

Excelente série da BBC, legendado em português, sobre os maiores pintores da História. O episódio que hoje se apresenta é sobre Caravaggio.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI
Unidade 5.2. – Os novos valores europeus

Bem vindos ao 15 de Setembro


Atenção, este mapa tem erros. Em Coimbra a manifestação está marcada para as 17h.  Lista incompleta, mas com horas e locais corrigidos.

Mário Soares não vai

“Estou absolutamente indignado. Se não tivesse de ir para o Algarve, que tenho lá obrigações, iria no dia 15 com certeza à manifestação” Mário Soares dixit

Alguém pode fazer o favor de dizer ao sr. Soares que Portimão, Loulé e Faro ficam no Algarve, locais onde ele poderá “com certeza” ir à manifestação?