Postcards from Romania (34)

Elisabete Figueiredo 

Uma cidade, vendida a retalho e o que calçará Lady Gaga quando está sozinha?

Do autocarro turístico vejo Bucareste de uma maneira completamente diversa. Primeiro, estou protegida, não me sinto pequena, nem excluída, o que não deixa de ser um curioso paradoxo, já que me meto de livre vontade num lugar confinado, embora em movimento.

O autocarro atravessa o centro histórico, se é que podemos apontar um apenas a esta cidade. Vai da Piata Unirii até ao Arco do Triunfo e volta por outro percurso. A primeira metade do caminho é-me já familiar. O belo e o feio, o opulento e o miserável, o pobre e o rico. Nesta primeira metade, Bucareste é uma cidade que se vende a retalho. Em todos os prédios, sobretudo nos mais altos, anúncios. Coca-cola, pepsi (não somos exclusivistas, claro, sobretudo quando nos pagam), macdonalds, mercedes, bmw, banco x e banco y, os anúncios ocupam tudo e tornam tudo mais feio, mais caótico, mais suburbano até, ou, para ser completamente parva (ou realista), mais terceiro-mundista. Vamos nisto da publicidade, como se estivéssemos a ver televisão às horas das televendas, até à Piata Victoriei. [Read more…]

Morreu Emmanuel Nunes

Emanuel NunesMuitos não saberão quem foi, é natural.

O DN escreveu «Morreu o artista mais corajoso». Ele é (só) considerado o compositor português mais relevante da música contemporânea dos últimos 50 anos. António Pinho Vargas testemunhou: “Desapareceu um artista insigne”.

Emmanuel Nunes morreu em Paris aos 71 anos onde viveu grande parte da sua vida. Privou () com Stockhausen, Luciano Berio, Henri Pousseur e outros maiores da História da Música.

Foi um valente. Sofria de uma doença neuromotora congénita, “o que faz da sua vida e do que alcançou uma afirmação de força vital e uma permanente vitória face às adversidades genéticas”.

 «Morreu um dos maiores nomes da música erudita”. Português.

Seremos governados pelo Espírito Santo?

E o outro pai era uma pomba estúpida

Em defesa de Cândida Almeida

Ocorre, solícito, um anónimo cavaleiro saudoso do seu príncipe exilado em Paris. Pois…

E um historiador, não se arranja?

Em defesa do “cientista político” Rui Ramos exibe hoje o Público o sociólogo Barreto das mercearias e o genial João Carlos Espada.

Onde andam os psiquiatras?

A  cavalgadura  Marcelo Mendes diz que os manifestantes ofenderam o cavalo.

Muita ignorância pública

O Má Despesa Pública podia ser um blogue interessante, poucas vezes tal sucede. Pela vasta ignorância dos seus autores em relação ao funcionamento do estado, e pela ideologia dos mesmos (bem revelada quando passaram o seu trabalho à forma de papel pintado com tinta): eles não são contra a má despesa pública, são contra toda a despesa pública. No fundo é uma mera versão do Insurgente ou do Blasfémias sem discurso teórico, a ver se enganam papalvos.

Hoje foram marrar com a Rede Urbana de Competitividade e a (sic) Inovação dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego. Argumentos? “informação oficial da Câmara sobre o assunto é bastante escassa, nomeadamente sobre a rentabilidade do projecto.” Pudera, usando como fonte um jornal que só publica online dois ou três parágrafos da edição escrita, esperam o quê? 

Claro que pesquisar dá trabalho. Era só pesquisar na página da CCRC e dos diversos municípios envolvidos. Talvez entendessem como se tenta dinamizar o que sobra da primeira fronteira de Portugal, apostando simultaneamente no turismo e em actividades complementares. Mas dava muito trabalho, e a vida corre sobre rodas a quem manda umas bocas contra a despesa pública apenas porque sim.

Tivessem o Conde Henrique ou se filho Afonso feito o mesmo e Portugal nem existiria. Ou não teria chegado a Lisboa, o que sempre nos poupava a estas imbecilidades de meninos que percebem tanto de Portugal como eu sou exímio na defesa de penaltis.

Um bairro esventrado aos poucos e a arte ao serviço da solidariedade.

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Nas ruas e becos do Bairro de Santa Filomena, na Amadora, crianças e adultos convivem diariamente com a poeira e os destroços deixados pelas demolições. Nos olhos de quem adivinha um futuro sem futuro para os seus filhos é já visível a falta de esperança de quem veio, há muitos anos, para Portugal, na expectativa de encontrar um pouco mais do que tinha em Cabo-Verde. A vida foi-lhes madrasta, pois que o é quase sempre para quem já nasce com a pobreza inscrita nos genes.

Muitos dos que habitam no Bairro de Santa Filomena vieram para trabalhar na construção civil quando o Estado português necessitava de mão-de-obra barata para as suas grandes obras públicas. Nos anos 90, enquanto o País se atapetava de betão, os corações de muitos imigrantes enchiam-se da confiança de ter encontrado um lugar onde não faltava o trabalho e a comida na mesa. Construíram casas tijolo a tijolo, à medida dos seus bolsos remendados, como tantos portugueses o fizeram – é só percorrer o País e olhar com olhos de ver para as casas de milhares de pessoas, edificadas a pulso, em que um tecto, um tecto apenas, é o objectivo único e final de tantas almas mal abrigadas. Um resguardo que as proteja da chuva e dos olhares. Do vento e das agruras do mundo. Do sol e de todos os desenganos. Um lar. Pobre, é certo, mas um lar.

A euforia do betão terminou quando acabou o dinheiro. Os sucessivos governos desbarataram recursos, encerraram fábricas, acabaram com a agricultura, destruíram as pescas. Sepultaram um País e chamaram-lhe crise. Uma crise sem culpados mas com vítimas. Entre elas, os milhares de habitantes dos muitos bairros sociais que albergam cada vez mais gente.

“Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”, pode ler-se noArtº 65 da Constituição da República Portuguesa. Os habitantes do Bairro de Santa Filomena não conhecem a Constituição. A Câmara da Amadora também não. Mas os colectivos que defendem um País mais justo conhecem.  É o caso do Habita, que tem denunciado a situação que se vive num grande pedaço de terreno no centro da Amadora, apetecível para empreiteiros, possível moeda de troca para muitos favores políticos.

Ao Habita juntaram-se outras vozes que recusam o silêncio. Entre essas vozes, estão a de Ana e Diogo, dois jovens estudantes, finalistas do curso de Design de Comunicação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Puseram pés ao caminho, imprimiram fotografias dos moradores em grande formato, e concluíram, ontem, a colagem das fotos dos rostos de adultos e crianças do Bairro de Santa Filomena, nas casas que a Câmara Municipal de Amadora ainda pretende demolir. Porque a pobreza e a desgraça têm rosto, mas a solidariedade também.

 

Alerta: eles já chegaram

“Alerta: os políticos já chegaram da praia Passos defende-se, Seguro ataca, o BE quer um Governo de esquerda. Eis a pouco motivadora rentrée” (editorial do Público de hoje).

Escreve o editor para terminar: “É no que dá demasiado sol. O tal sol que não brilha, já se sabe, para todos.”

Sim, cuidado com eles! Continuarão a fazer estragos.

Viver só

Ontem, na revista do Público, uma reportagem sobre quem escolheu viver sozinho, mostrando que “viver só não é necessariamente sinónimo de solidão”.

Não transcrevo as várias histórias narradas (gostei particularmente da história de Nazaré, 83 anos, que sempre viveu na mesma casa…). Transcrevo sim, os dados científicos deste fenómeno que tem vindo a acentuar-se:

“As trajectórias e fases da vida de quem vive sozinho podem ser muito distintas. (…)  Rosário Mauritti, socióloga e autora do livro Viver Só, compara essas realidade. Os idosos começam a viver sozinhos não por opção. E esse viver sozinho tem fases: um autofechamento e depois a descoberta da libertação“, disse à revista 2. Nas mulheres, e nos casos decorrentes de viuvez, é uma espécie de descoberta de que afinal são capazes“, sobretudo as que viveram muito tempo limitadas pelos pais ou pelos maridos. (…)

O número de famílias de uma só pessoa aumentou 37,3% nos últimos dez anos (…). Hoje em dia, em cada 100 famílias portuguesas, 21 são constituídas por uma só pessoa (…). São múltiplos os trajectos sociais de quem vive sozinho. Sejam os idosos que enviuvaram, “os adultos que, por opção, ou não, permaneceram sós e que, podendo já ter vivido em casal, passaram por situações de ruptura conjugal”, ou as novas gerações “em transição para a vida adulta”. “Portugal está na cauda da Europa neste fenómeno por termos menos dinheiro.” Com outras condições económicas, “haveria, entre jovens, sem dúvida, um maior número a viverem sozinhos” (Suécia, 47%, ocupa o topo).

Fala-se aqui de «famílias unipessoais». O tradicional conceito de família está a mudar. É estranho dizer-se família de uma só pessoa…

Filhodaputa a Cavalo

Oh Cardoso, desculpa lá mas tu roubaste-me o post

Ignorância e sabedoria

“Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha

algo a aprender” Blaise Pascal (1623-1662), filósofo e matemático francês

 

 

Marcelo Mendes, um animal irracional montado a cavalo

Deixando de lado a questão de os animais, neste caso os touros, terem ou não direitos, as touradas são um ritual de glorificação da morte. Espetam as farpas num animal porque não o podem fazer num humano e o resto é folclore pseudo-cultural.

Demonstração prática: na Torreira um animal a cavalo investe contra humanos sentados em protesto. Talvez tenha visto episódios do Gladiador a mais, pode ter sido do sol, mais provavelmente Marcelo Mendes rendeu-se aos argumentos anti-tourada e tentou demonstrar que está intelectualmente ao nível dos touros que lida. O problema é que os touros não têm alternativa, ele teve-a e fez a sua opção.

Postcards from Romania (33)

Elisabete Figueiredo

 As cidades, como as pessoas, precisam de tempo

Sou turista. Não adianta dizer que sou outra coisa qualquer. Gostava de ser viajante. De preferência que me pagassem para correr mundo – não todo, vamos excluir os ‘países com moscas’, como eu lhes chamo – e me deixassem ver tudo muito bem e, talvez, escrever sobre isso.

Sou turista. E assumindo essa condição faço hoje uma coisa que deveria ter feito ontem. Uma viagem de autocarro à volta dos principais locais de Bucareste. É por onde começo, geralmente. Para dominar mais ou menos fisicamente as cidades. Desta vez não. E deixei, então, que Bucareste me dominasse e, de certo modo, me excluísse. Mas as cidades precisam de tempo. E eu não sou pessoa que desista facilmente, já sabemos. [Read more…]

A Viagem

Filme projectado no Pavilhão de Portugal da Expo/98 e que retrata a chegada dos portugueses ao Japão.

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Um dia não são dias…

Domingo, 13horas, Ribeira do Porto, Setembro de 2012.

As ruas, as esplanadas e os restaurantes cheios de turistas. Eram franceses (muitos), ingleses (alguns) e espanhóis (vários). Um dia de sol fantástico que convida a um passeio por todo este Património da Humanidade e que nos enche de orgulho e satisfação ao ver semelhante mar de turistas.

 

Manda a prudência evitar almoços de domingo em zonas turísticas na época alta. Eu sei. Não resisti. Fomos ao Chez Lapin, mesmo no olho do furacão turístico. A longa espera, fruto de um serviço fraquinho, permitiu assistir à invasão de um grupo de franceses, logo seguido de um grupo de italianos reformados. Fico positivamente surpreendido ao verificar que o restaurante tinha empregados que dominavam o francês e o italiano – o facto de a sopa que nos serviram ter regressado ao ponto de partida por estar azeda não me tirou a boa disposição. São coisas que acontecem…

 

Com afinco, os empregados procuravam impingir o bacalhau. Alguns italianos resistiram. Entretanto chegaram os nossos pedidos. Só não seguiram o caminho da sopa por verdadeira desistência. Em bom português, uma merda. Os meus filetes de polvo com arroz de feijão resultaram nuns filetes muito maus e quanto ao arroz, ainda espero sentado. As carnes em “vinha de alhos” dos restantes comensais (três) vieram acompanhadas de quatro meias batatas assadas. Quanto ao sabor e qualidade da carne nem vale a pena perder tempo a explicar.

 

Ao meu lado, os italianos sofriam. Desde confusão na entrega dos pedidos, reclamação pacífica sobre os mesmos – imaginem o que lhes entregaram: o bacalhau que não queriam. A água fresca solicitada resultou em natural. Quando os empregados não estavam por perto e dada a proximidade entre as mesas não foi difícil perceber os seus comentários. No início só elogios à cidade, a meio abundavam as críticas à qualidade dos produtos servidos.

 

Finalmente, as sobremesas. O meu bolo de chocolate deve ter sido bom e fresco três dias antes. Desisti. Pedi a conta e fui-me embora. Para nunca mais. Nem fiquei triste ou mal disposto por mim e pelos que me acompanharam. O meu desalento é outro.

 

Estamos todos a fazer um enorme esforço para manter o Porto no mapa de destinos turísticos de excelência. Todos. Entidades públicas da Região, privados, operadores, etc. Excelentes hotéis, fantásticos hostels, restaurantes cada vez melhores, mais formação e muito mais informação. Só que alguns ainda não aprenderam e querem ganhar tudo de uma vez só a curto prazo. Quando assim é, todos ficamos a perder.

 

Escrevo estas linhas por um pormenor que é pormaior: estes franceses e italianos não escolheram o Chez Lapin como eu. Aterraram nele levados por guias contratados (e devidamente identificados como tal). Eu escolhi o restaurante e por isso o erro foi meu. A estes turistas foi impingido. Logo, foram duplamente enganados.

 

Um dia não são dias. Espero que tenha sido só um dia menos bom.

Hoje há bandarilhas – Canadá

Agora dou inteira razão a Don Miguel de Unamuno:  “you no creo en brujas pero que las hay, hay”.   Só pode ser bruxedo o  que se passa com Passos Coelho quando discursa. Coisa de assombração ou de fantasma malandro.
Ainda ontem em Castelo de Vide, por exemplo.  Quando,  todo esticado e à maneira, ia a confessar ao país: “o governo está a caír”,  viram o que aconteceu?  Saíu-lhe a bacorada: “o défice está a caír”.  E é sempre assim, coitadinho,  vai para dizer uma coisa e o mafarrico sopra-lhe outra.
Não se riam  nem escrevam maldades.  Tenham dó.  Chamem a bruxa.