Senhor Primeiro Ministro. Pedimos paz duradoura

Não sei como devo endereçar-me a si. Temos pensamentos diferentes, somos de ideologias desencontradas: o senhor é democrata neoliberal, eu sou socialista materialista histórico; o senhor deve ter sentimentos de fé, eu já os tive; o senhor é economista e entende de fórmula para converter a água em vinho e da multiplicação dos peixes e do pão como é referido no Sermão do Monte que os cristãos usam como parábola para se orientar na vida; o senhor governa, eu sou governado; o senhor e eu somos portugueses e comemoramos a restauração da autonomia de Portugal para se governa só, sem estrangeiros que assumam um poder que não é devido. O senhor diz que o nosso país está em falência e no bordo da rutura, mas o senhor também sabe os imensos esforços, porque tem vivido entre os esforçados todos os seus anos de vida, dos soldados de Portugal e do povo português para se libertar de um governo unitário que acreditava apenas no pai da nação, o ministro Salazar, e abandonava a fórmula trinitária dos cristãos que moram no nosso Estado, até cair.

O senhor apresentou-se às eleições coligado com outro partido da sua crença e ideologia, prometendo que o seu governo não ia trair a Nação como, conforme as suas palavras, teriam feito os socialistas, acusados por si de não saber governar. Finalmente, o senhor sabe que sem eles e os seus aliados do PCP e do PSR, não teríamos uma restaurada República desde 1974, do dia 25 de Abril, o segundo restauro apos a do ano de 1640, 1 de Dezembro. O senhos sabe que o povo luso português gosta da sua autonomia e da sua independência, do seu trabalho e do seu emprego, sendo Portugal um conjunto de pessoas que empregam a sua força de trabalho no que for preciso. Eu sou português, mas cheguei ao país anos depois de estar em outras Nações da Europa, especialmente na Grã-Bretanha e na Espanha, passando um breve tempo por um Chile democrata e socialista onde aprendi o que era a liberdade e o pleno emprego do tempo de trabalho.

Essa liberdade é amada pelo povo português. O PM está retirar as comemorações das diversas liberdades conquistadas em mais de mil anos de cronologia, dois mil talvez, desde a época em que os romanos tentaram submeter o povo luso a o seu império, mas que Viriato soube defender em Viseu, juntando suas hostes para dar cabo dos intrusos que tiveram que abandonar a Lusitânia mais rápido que correndo. Desde os tempos de Viriato, o Portucale passou a ser um grupo trabalhador, que não perdiam tempo nas suas comemorações, festas que paravam a produção mas que passaram a ser dias de rememorar as suas vitórias contra os intrusos pelo povo que eu amo e entendo e que o senhor parece não perceber. Diz que a República foi mal governada, talvez porque o fundador do seu partido, Francisco de Sá e Carneiro, falecera antes de tomar o poder. Poder que ele conhecia, aprendido do seu mentos Salazar, um ditador não comprometido com o povo mas com ele próprio, como o seu representante Sá Carneiro, ideias incutidas na ideologia do seu partido que hoje pretende governar à Lusitânia. Mas não consegue. Sem experiência de governação, o senhor consegui formar governo em 2011, ignorando o povo de Viriato, as suas façanhas ainda comemoradas em Viseu, como outras ao longo do povo português que tem muita história para lembrar, desconhecida por si, tanto como a fórmula do capital criada por Marx e trazida à nossa lembrança pelos seus opositores. Uma fórmula que o senhor que é economista, deveria ler, como Ratzinger, denominado também Bento XVI, faz e cita nos seus livros sobre o profeta Jesus de Nazaré.

O seu governo tem atingido um 30% de desemprego, mais de doze mil professores sem escola onde ensinar, um número elevado de escolas fechadas e outras que não conseguem ter estudantes por não haver meios para comprar roupa de agasalho, roupa adequada para assistir às aulas, ou, pior ainda, livros para estudar e aprender o mínimo em leituras, aritmética, a história dos seus ancestrais, as cronologias dos acontecimentos que têm feito do povo luso, o país que hoje é. Um país que não para, sempre a mexer. No que, hoje em dia, meu senhor PM? Em filas para recolher comida e levar a casa proporcionada pela Cruz Vermelha, por Caritas, por nós os de Amnistia Internacional e por pessoas de boa vontade que se esmeram em retirar das suas casas comida que retiram da sua alimentação para salvar esse empobrecido país que nem ordenados têm como manda a Constituição, por ser gasto o dinheiro adquirido em empréstimos em as suas lutas políticas e na corte de 1.200 jovens que servem a si e os seus Ministros? Esse dinheiro que, confesso por si, nem consegue devolver a tempo, hora e com os juros prometidos nos contratos de auxílio empresarial? Somos a sua empresa, meu senhor? Sabe geri-la? Não reparou que o seu governo age fora da lei e devia pensar em retirar-se? Dar vez a oposição, que inclui vários dos membros do seu partido e causa descontentamento entre as fileiras da sua coligação?

Se eu peço paz duradoura, é porque o povo sofre e se rebela. Oiça a Jerónimo de Sousa, a José António Seguro, faça como Francisco Louçã, o como antigamente fez Mário Soares nas suas presidências abertas: fale, desça do seu escanho parlamentar e do seu dourado paço de PM, convoque um debate público como se faz em outros países e tenha a valentia de um Churchill, que velho como estava, falava com a Nação e salvou a Grã-Bretanha da catástrofe do fascismo.

Duvido que me entenda. Mas, não fique surpreendido se acontecer uma revolta social e civil e dos soldados organizados em sindicatos. Não vai chorar à sua Merkel, ela também está a entrar na espiral descendente do liberalismo alemão. Mais nada pode fazer por si. Se não quer falar com o povo como líder do mesmo, fale pelo menos com os sindicatos. Não corra primeiro a Durão Barroso e informar depois dos acontecimentos a Assembleia que governa o país? O seu governo não é apenas o descalabro de Portugal, é também inconstitucional, apenas que o virá a saber tarde demais, no dia em que o PR cumpra com os artigos citados insistentemente por mim da constituição, os 113 e 114, e devolva o projeto de lei para a Assembleia, cheio de rasuras e medidas alternativas. Esse dia a sua coligação vai a vida. Paulo Portas já tem um partido revoltado e não quer arriscar o seu futuro. Vai ficar só e terá que se demitir.

A frase do título é melhor em inglês: everlasting peace ou Paz Eterna, hábito do povo luso que o senhor o fez perder. Frase usada para os mortos. Nos estamos a ser assassinados por si e as suas ideias Salazaristas. O 25 de Abril de 1974, no existe para si. O 1 de Dezembro de 1640, também não, quando Portugal tornou atingir a maioridade com um governo seu e próprio e não dos Áustria Habsburgo. Foi preciso lutar muito para restaurar a autonomia. Consigo, também.

Raúl Iturra

3 de Dezembro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments

  1. Raul Iturra says:

    Escrevi este texto a pensar na arte sabia de governar a Inglaterra de Oliver Cronwell, quien soube contextualizar e demarcar os poderes, criou um Parlamento do povo e falava com os não membros do Parlamento, ação mínima de qualquer governante! da que nós estamos privados. Nenhum representante da nossa soberania da maioria parlamentar, se lembra de nós, apenas a oposição, especialmente Jerónimo de Sousa, José Manuel Seguro e Francisco Louçã. O escrevi na vã esperança de incitar um diálogo!

  2. xico says:

    Que visão romântica da história. Parece os livros escolares de Salazar. Os romanos fugiram a correr que levaram mais de 600 anos e mais de 500 após a morte de Viriato, que não gostava de intrusos mas alimentou e suportou os esforços de Cartago contra Roma. Dos lusitanos aos godos, suevos, judeus e mouros portugueses, vão mais de 1000 anos e clamar por heranças genéticas celtas como as dos lusitanos cheira-me a racismos típicos da extrema direita. Somos mais godos e semitas que lusitanos. Afonso Henriques era até da mítica tribo dos nibelungos, aqueles que Wagner cantou, veja só.

    • piet says:

      Caro Xixo. Agradeço mesmo muito por fazer os seus comentários certinhos. Queria dizer quase egual mas lendo estes textos pseudo-históricos (1580…, Mozart..) fico com reacções alergías de tal maneira que já não consigo responder com palavras bem educadas.

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