Uns sabem, outros não

O Ministério da Privatização do Ensino Público, vulgo da Educação, decidiu centralizar os dados de carreira dos seus funcionários, operação com uns bons anos de atraso e que até poupa umas horas de trabalho a muita gente, incluindo os visados, os professores.

Claro que assim terá finalmente possibilidade de saber exactamente quem gere em termos de pessoal, o que se chama entrar na normalidade.

Vai daí mandou um mail a todos os professores, solicitando que via net colocassem os seus dados. Sucede que como a informática e o estado funcionam assim, um tolo mandou um endereço https ir parar a um endereço http.  Nada de estranho. Estamos em Portugal.

Anormal é o meu sindicato, da Fenprof, me spamar com um mail avisando que podia ser uma tentativa de phishing, o que é de infoburro para baixo, e sendo de senso comum nem vou perder tempo a explicar porquê.

Os professores, ao longo da última década, foram obrigados a tornarem-se infoincluídos, o que faz todo o sentido. O meu SPRC mesmo assim insiste em mandar-me o seu jornal em papel, a somar ao da Fenprof, em pdf não porque deve ficar muito caro. Podia contar mais estórias, a13/4/08 enviei um mail ao webmaster da página da Fenprof (que continua dar para o lógico endereço http://fenprof.pt este genial resultado: Bad Request (Invalid Hostname)) um pedido de colocação de um feed, forma óbvia de, sobretudo numa altura onde todos se queriam manter informados, ter acesso às actualizações sem ter de lá ir todos os dias. Recebi isto como resposta: “Feed RSS é coisa que está planeada, e que será implementada logo que possível.”  Ainda não foi possível.

Há na Fenprof um ódio muito particular aos blogues e a quem neles escreve. Compreende-se, deixaram para trás um espaço onde deviam ter intervindo (que eu saiba o único dirigente de um sindicato da Fenprof que escreve num blogue com mais leitores que a família é o João Paulo, a que estou mesmo a azucrinar com este meu texto e sua publicação, fazendo um dele ir parar daqui a um bocado…).

Voltando atrás, os professores, ao longo da última década, foram obrigados a tornarem-se infoincluídos. Os professores que estavam nas escolas, é claro. Os dirigentes sindicais snifam as salas de professores de vez em quando, e continuam tão infoautoexcluídos como era normal nos professores do século passado.

Post Scriptum: é a primeira vez que bato a doer e  publicamente o meu sindicato, que com todos os seus sindicalistas profissionais é o que tenho e não conheço alternativa ao sindicalismo na defesa dos interesses de um trabalhador. Não vai ser a última porque há limites para tudo, e não, não vou a assembleias, gosto muito do D. Quixote mas já tenho físico de Sancho Pança.

Comments

  1. palavrossavrvs says:

    Um deleite ter lido este post, meu caro JJC!


  2. Só não tenho a certeza no tamanho da minha família – somos 6 milhões carago! Quanto ao momento infeliz do SPRC… Deve ter sido o Congresso caramba… Tu não deixas passar nada – http://www.sprc.pt/index.php/ultima-hora-2/880-mail-malicioso-para-obter-dados-pessoais-dos-professores


    • Eu recebi isso por mail, entretanto. Sem um pedido de desculpas sobre o facto de terem objectivamente criado uma confusão estúpida em milhares de sócios. São discípulos de Cavaco: nunca se enganam, a dúvida não lhes pertence, e não sabem o que é um https.

  3. Amadeu says:

    Pelos visto a falta de controlo na internet mete medo a muito boa gente.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.