“Eu acuso Balsemão”

Com a devida vénia publico aqui um texto da autoria do Paulo Querido, a quem agradeço a autorização de reprodução, cujo conteúdo subscrevo, palavrinha por palavrinha, João de Sousa

“Eu acuso Balsemão de se alhear do problema da pilhagem nos jornais, que agem como se fossem donos dos acontecimentos.

Eu acuso Balsemão de se alhear do problema da pirataria nos jornais, que pilham as fotografias e os videos das pessoas na net.

Eu acuso Balsemão de se alhear da realidade: as pessoas morrem, deixando os jornais sem audiências.

Eu acuso Francisco Pinto Balsemão de parecer “alheio” aos problemas “graves” desta forma de gerir incapazmente um grupo de Comunicação Social que devia procurar fazer a transição de paradigmas em vez de abusar dos legisladores, o que não lhe trará um cêntimo de benefício.

Nos últimos tempos, Balsemão tem sido o principal artífice da falsa acusação de que os motores de pesquisa se apropriam dos conteúdos. Os conteúdos a que Balsemão se refere não estão protegidos ou sequer sinalizados de que não devem ser indexados pelos motores de pesquisa. Pelo contrário, estão OPTIMIZADOS para serem indexados. Ou Balsemão ignora, ou Balsemão está a ser hipócrita. Ou directo ao metal: o que Balsemão quer, sei eu.

E, tirando partido da sua posição dominante na sociedade portuguesa, pretende convencê-la de que “a batalha é de todos”. A batalha nem sequer é da indústria dos media, que o demonstra ignorando-o complacentemente enquanto estabelece o seu próprio caminho para o futuro: é exclusivamente a batalha dele, na qual compromete o futuro do seu próprio grupo, impedindo-o de progredir com a serenidade e a lucidez que o sensível momento exige.

Balsemão “lembrou” que esta apropriação enfraquece as empresas de comunicação social, que são um “elo essencial para a sobrevivência de um ecossistema democrático”. A única coisa até hoje enfraquecida pelos erros, hesitações e desorientações dos grupos de comunicação social é os seus lucros. O sistema democrático encontrou os seus próprios caminhos, algumas vezes tendo de substituir funções antigamente desempenhadas, muitas vezes de forma medíocre, pela comunicação social. Ignora, ou quer fazer ignorar, os esforços de centenas de cidadãos que, usando diversas ferramentas de tratamento e difusão de informação, têm garantido a sobrevivência de serviços públicos. Deve ser porque não abre o browser.

Agora que a ironia cavou o caminho, com todo o respeito que o seu passado longínquo merece lhe digo: dê a vez, caro senhor. Ceda passagem.”

Cortesia de Paulo Querido

Comments

  1. L. Rodrigues says:

    E no entanto, atrás dele virá…


  2. «Otimizado»?! O que é isso?

  3. nightwishpt says:

    /robots.txt

    User-agent: *
    Disallow: /

    E TODOS OS MOTORES DE PESQUISA DEIXAM DE LÁ IR!

    Simples, barato e eficaz. O que o homem quer é uma renda, como qualquer indústria de média actual. Morram de vez.


    • nightwishpt: é pena que não seja possível meter essa info do robots.txt pela cabeça dentro de toda a gente que anda praí a falar do que não conhece! Ainda há quem dê crédito a esses palhaços!
      E o resto do comentário é obviamente certeiro. É mesmo isso. Descreve duma só penada a situação em concreto e a situação geral de que esta é apenas uma pequena parte.
      Grande comentário!

  4. Amadeu says:

    Na mouche, caro Paulo.
    Este Balsemão é uma autêntica múmia. Não é o Expresso que já tem 6000 assinantes da edição digital ? Vá-se transitar de paradigmas.

  5. Fernando says:

    Deixe lá o Bolsanamão… o Bilderberg nacional ao passar tanto tempo a jogar golfe, já apanhou tanto sol na tola ao ponto de lhe ter fritado o juízo!

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