Nuno Crato quer despedir funcionários

NUNO-CRATO-PORTRAIT-RETRATOA menos de um mês de começar o ano lectivo, numa altura em que já devia estar preparado há meses, o Ministério da Educação continua a aproveitar, como nunca, o mês de Agosto para lançar medidas perniciosas sobre as escolas e sobre as pessoas que aí trabalham.

Agora, a menos de um mês de começar o ano lectivo, as escolas estão a receber ordens para transferir para outros estabelecimentos os funcionários considerados excedentários. Ao contrário do que o Ministério da Educação afirma, não se trata de um procedimento habitual, mas sim inédito. Também ao contrário do que afirma o Ministério da Educação, a transferência não é voluntária.

De qualquer modo, convém lembrar que, para pessoas mal pagas como é o caso destes funcionários, uma simples deslocação de 30 km pode significar um aumento de despesa, o que é ainda mais grave num contexto em que os rendimentos baixaram de modo substancial.

Curiosamente, ou talvez não, esta medida surge pouco depois de o Ministério ter proibido a criação de turmas nas escolas, o que servirá para criar a ideia, mais uma vez artificial, de que há funcionários a mais: na realidade, havendo, ainda que momentaneamente, menos alunos nas escolas, é fácil vender a ilusão de que há trabalhadores excedentários.

Com um governo que inventa mais cortes todas as semanas, é fácil entrever aqui uma medida que levará à dispensa de mais funcionários, quando Nuno Crato conseguir criar uma situação em que sejam completamente desnecessários.

É, ainda, muito provável que esta seja mais uma medida para facilitar a progressiva privatização do ensino e do país. Os privados saberão agradecer a quem lhes anda a vender o Estado a preço de saldo: quanto tomarem conta disto tudo, os poucos funcionários que ficarem chegarão a considerar que um salário miserável é uma benesse, até porque haverá outros dispostos a trabalhar por menos.

Comments


  1. Onde está a novidade?
    É claro que há que reduzir custos e averba ‘pessoal’ não pode ser excluída.

    • António Fernando Nabais says:

      Não me lembro de ter dito que era novidade. Reduzir custos é sempre importante, desde que não se faça à custa da eficiência e com base em mentiras, que é o que está a acontecer. Se se chegar à conclusão de que não há trabalhadores suficientes, a verba ‘pessoal’ deve ser excluída.

    • nightwishpt says:

      Qual reduzir custos, o privado é mais caro.


  2. Que funcionários? docentes ou não docentes! sejam quais forem há que pesar as consequências. Medidas estruturais não têm necessariamente que passar por despedimentos. Há antes disso tudo uma coisa que em Portugal parece rarear..bom senso!Cortes sim, até porque é evidente que um país pequeno e sem estruturas não pode suportar custos como os que se verificam na Educação e outros, mas estamos a falar da Educação – instrução, educação é dada por “papai e mamãe” não por pessoas estranhas..essas ensinam a ler, e a escrever….cortar sim, mas não é preciso despedir…é mais uma vez preciso Bom Senso!
    Manuela Sousa


  3. Ele que se despeça a si mesmio ,conjuntamente com a sua enorme comitiva ,
    que poupará muitos milhões ao país e aos contribuintes , sem afectar o ensino
    e sem despedir professores , alunos e restantes funcionários .

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  1. […] pedagógico em disciplinas que exigem o manuseamento de materiais ou de instrumentos perigosos e um processo de despedimento de funcionários não docentes que está a atingir o seu auge a menos de um mês do início das aulas. É importante relembrar que […]


  2. […] da Manhã faz, aliás, uma ligação entre estas restrições e a necessidade de cortar despesa. Não é que já não soubéssemos, mas ficamos sem ter a certeza se essa ligação provém de fonte ministerial, o que seria um […]

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