Imagens do Bairro de S. Sebastião

Ontem, Carlos Esperança partilhou isto na sua página de Facebook.
Copio para aqui porque retrata o que muitos de nós sentimos. Já li e reli várias vezes este texto e a teimosa da lagrimazita continua a cair.
Quem dera que fosse o governo e os interesses tão egoístas a cair. O povo, esse, creio que ainda é solidário com quem sofre.

«Imagens do bairro de S. Sebastião

Avalio o que é chegar a casa, ver a alegria dos filhos, e reprimir a lágrima de quem não sabe se mantem o emprego e a capacidade de os sustentar. Até quando a sopa e o arroz com carne de segunda, onde já falta a fruta, poderão perpetuar a dieta mínima com que se criam os filhos?

Hoje, do outro lado da rua do prédio onde moro, em frente a uma garagem, por baixo da capela, dezenas de pessoas aguardavam a distribuição de víveres que uma instituição religiosa distribui regularmente. Havia gente de todas as idades, negros e caucasianos, homens e mulheres, numa fila que cresce, em cada semana que passa.

Por pudor, quando passei, baixei os olhos, mas reconheci várias pessoas cujas carências ignorava. Até quando é possível manter a fome escondida, esta sobrevivência ameaçada e a dignidade atingida?

Nos olhos tristes de quem pede vi o reflexo de uma sociedade em fila a estender a mão à caridade, perdidos os sonhos de uma vida digna, espoliada do direito á felicidade.

Do meu bairro vi o País.»

Texto escrito por Carlos Esperança e publicado na sua página de Facebook

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