O ensino privado em Portugal, uma gordura do estado

Em Janeiro de 2011 publiquei aqui este mapa. A amarelo as escolas públicas de Coimbra, a verde as privadas, sustentadas pelo estado. Agora, finalmente, uma reportagem televisiva, na TVI mostra o escândalo. Pelo meio tanta mentira sobre a necessidade de os contratos de associação servirem para substituir o estado onde este não chegava.

Ironicamente no mesmo dia em que foi publicado um novo estatuto do ensino particular, legalizando o que foi um roubo ilegal durante décadas.  A Parceria Público Privada da educação não passa de mais do mesmo: empresários, e uma igreja, tudo encostado ao estado.

Veja a reportagem de Ana Leal:

Comments

  1. Nunca percebi o motivo destas parcerias. Nunca. Se numa determinada região é necessário construir uma escola, qual o motivo para o fazer desta forma? Mais, qual a justificação depois do brutal investimento realizado via Parque Escolar um pouco por todo o país? E por fim, qual a justificação quando as mesmas se encontram em zonas onde existe ensino público?

    Nunca percebi porque raio tenho eu, com os meus impostos, de subsidiar o ensino privado se, quando o utilizo já o pago e bem pago? Em suma, quando um contribuinte (como é o meu caso) paga os seus impostos cabendo-lhe uma fatia (grande ou pequena pouco importa para o caso) na educação e, por opção própria, utiliza o ensino privado (pagando, porque o quero nem ninguém a tal me obrigou, duplamente) ainda tenho de o pagar triplamente: pelo ensino público, pelo privado por opção e por um outro sistema privado por imposição. Não percebo.

    Ou melhor, perceber até percebo. Custa-me é acreditar na lata.

    • A reportagem é exemplar nos exemplos: em Coimbra falamos de 3 ex-directores regionais ligados depois disso aos colégios. Duas já não estão porque se reformaram. O outro por la anda. Bloco Central, é claro.

  2. Por uma vez estou de acordo consigo. Esta situação é vergonhosa. Não me repugna a existência de instituições de ensino privadas, mas que sejam 100% privadas, que vivam das propinas que cobram às famílias dos alunos e tenham 0 apoio financeiro do erário público. Caso contrário, que seja a escola pública a assumir a responsabilidade do ensino. Mas o que temos é escolas “privadas” que mamam da teta do Estado e ainda mamam das famílias que lá põem os petizes. Um belo negócio para os seus responsáveis, um péssimo negócio para o país.

  3. “FRENTE PRODUTIVA DEMOCRÁTICA”, não permite este tipo de parasitismo nefasto, de gandulos, ma em toda a frente, e apela-se ao despertar.

    Desculpem-me por intruduzir um comentário alargado e como complemento desta peça e até da expressão um pouco mal estruturada, mas o tempo de que disponho é pouquíssimo, mas o mais importante é a colaboração entre a comunicade para o bem da mesma:
    Sem dúvida que este tipo de iniciativa privada é cobarde, são um tipo de empreendedores de inciativa e inovação admiráveis lá no seu nicho de parasitas fracos. Não sei onde encontram tantos parolos para conseguirem o que querem, mas a explicação a seguir é abrangente, pois para pessoas com um conhecimento lucido e consolidado eles não passam de fracos concorrentes na privada, pois este tipo de iniciativa privada, que se aproveita do Estado dos apoios de um Estado solcialista, comunista e economia de mercado, para conseguirem apoios do Estado, quando uma pessoa de iniciativa privada de verdade cria riqueza, gera impostos, em suma, traduz-se num resultado lucrativo para o Estado, mas não são os mendigos, os gandulos, que enriquecem à custa do que recebem do Estado, então julgam que as pessoas estão iludidas ou que não se apercebem que são não uns homens de iniciativa privada própria e admirável, são uns ardilas de fraca rés que longo tempo caírão na desgraça quando concorrerem com pessoas da iniativa privada de bons e estruturados princípios criativos próprios e inovadores, que captam a atenção de clientes pelo seu processo inovador.
    São mesmo uma corja perigosa, fraca, e então ainda pra mais membros do governo que permitem e até estão integrados nestas ditas iniciativas privadas de mérito. Alguma destas escolas cativaram alunos estrangeiros, pois aproveitam-se das fragilidade de um povo que mal ganha para se autossutentar dignamente.
    Este tipo de pessoas são fracas e têm cobardes, são uns gandulos dotos alegadamente protegidos, são mais amparados que os próprios funcionários do Estado, isto é uma miséria, quando um conjunto de pessoas ricas que se aproveitam dos apoios do Estado mais que o ensino do Estado.São estes dissimulados de privados qeu descontam impostos por um lado mas vão a titulo malabarista busca-los por outros da forma mais sórdida.
    Mas um pouco por culpa do seguinte:

    Falamos em constituicionalidade, nunca esta palavra foi tão usada ou comentada nos meios de comunicação social e a mais esperada por um maior número de pessoas como nesta altura.
    Penso que hoje há um número maior de pessoas a apelar ao repeito pela constituição.
    Mas antes dos “cortes”, aonde estavam estas pessoas, e a maioria eram funcionários públicos, falo nos funcionários publicos que surgem nas televisões, e estes são a amostra de um grande numero, que nunca se manifestaram publicamente, podemos falar, em políticos, magistrados, médicos, enfermeiros professores, funcionários da PT, TELECOM, Correiros, Edps, Ancons, altas patentes militares e polícias, funcionários das camaras municipais, ou seja, um grande número de funcionários públicos.
    Ora bem, a constituição é como uma planta que se tem que regar, temos que constantemente regá-la para se manter vivi, mas se estavam bem para quê regá-la?
    Ora os políticos atuais adaptam-se, querem é poder, o voto é que conta e como aquelas pessoas da função pública estiveram bem e esqueceram-se da constituição, e porquê, reformavam-se com menos de 36 anos de serviço efetivos, com menos de 55 anos de idade ou seja, até com menos de 20 anos de trabalho, e andavam fora da atividade produtiva, a receberem salários superiores a 1000 euros, uma maravilha, nunca reparando e nem sequer lhes interessava que no particular uma mãe de três filhos com mais de 30 anos de serviço efetivos e mais de 50 anos de idade, a produzir numa empresa multinacional ao cronometro ininterruptamente, com febre para formar os seus filhos com salários inferiores a 750 euros, com formação antiga da que valia, cheia de maselas que não lhe permitiam reformar-se, não a passavam para a reforma, só a partir dos 57 anos de idade, e no minimo com 37 anos de trabalho, e hoje só com 63 anos, ninguém aparecia a falar em constituição, em equidade no respeito pelo desgaste. Matulões de Políticos com três e mais reformas, segundo reza a história nem Jesus Cristo ressuscitou mais de uma vez, mas os políticos reformavam-se cedo, ou seja, prematuramente com grandes corpanzis e saúde para dar e vender, e não era inconstitucional, eram poucas as pessoas que se preocupavam e se procuravam inteirar desta injustiça que é inconstitucional, um ser humano produtivo, atingir o seu direito ao descanso após mais 20 e 30 anos do que outro, pergunto a que título?
    Ainda bem que hoje aparece mais alguém a falar, a apelar à inconstitucionalidade. A inconstitucionalidade Senhores Intelectuais da descrição da perfeição das injustiças governamentais, surge do respeito pelo sofrimento e das diferenças não fundamentadas, mas utilizando um termo brejeiro, enquanto se gozava, os “beibis” da élite da função pública estavam calados, ainda bem que hoje há uma maior adesão das pessoas ao respeito pela constitucionalidade. Mas as grandes diferenças, principalmente no tempo da produtividade para atingir a idade da reforma muitos poucos referiram que era inconstitucional, pois enquanto a vida lhes corria sem saberem o porquê dos seus proventos, já não se interessavam que os políticos se reformem cedo, que os capitalistas suguem mais das receitas, que houvessem escolas privadas a usufruírem de apoios do Estado, das facilidades para parcerias dos Capitalistas, desde que não se mexesse no que se mexeu e esta-se a mexer não houveram nem se levantaram os problemas, a massa laboral dos privados que sustentassem o Capital, mas desde que não se mexe-se nos funcionários públicos. Como é evidente haviam algumas pessoas que apregoavam já a estas injustiças mas eram poucas.
    Numa mentalidade Produtiva e por isso esta página se denomina “FRENTE PRODUTIVA DEMOCRÁTICA” o tempo da idade da reforma é igual para todos salvo por motivos e razões devidamente fundamentadas.

  4. Manuel Pedro says:

    Em primeiro lugar, que fique claro que não concordo com qualquer situação menos clara, MAS….

    1. Na reportagem, um colégio que, não o conhecendo, tem um aspecto absolutamente fabuloso, custa por aluno, 3250 Euros por aluno. Com base na minha breve investigação, um aluno custo no ensino publico 4415 Euros, o que desculpem-me a sinceridade, não acredito que corresponda à verdade, acima de tudo pela tontaria absoluta que reveste a questão de colocação de professores no ensino publico, os famosos horários ZERO e afins, e tantas outras situações absurdas que são pagas por todos nós, com o nosso dinheiro.

    2. Se me colocassem a hipotese, CLARO que escolheria a escola que oferecia melhores condições, o que infelizmente na sua gigantesca maioria, tende para o ensino privado.

    3. Sei que me vão derreter mas tenho de dizer isto. A minha experiencia no ensino publico, e posso falar porque passei tanto pelo privado ( nao financiado ) como pelo publico, foi a do contacto com um ensino em que 95% dos seus colaboradores se estavam pura e simplesmente a marimbar para os alunos, para a qualidade do seu ensino, para o bem estar ou estimulo dos seus alunos, onde a taxa de assiduidade do seu corpo docente era outro reflexo dessa mesma indiferença e falta de qualidade.

    4. Leia-se na constituição, que todo o cidadão deverá ter acesso a um sistema de ensino tendencialmente gratuito ( entenda-se gratuito para o aluno ). Deixo a pergunta a todos vós… se tivessem de escolher entre uma escola com todas as condições, ou uma outra com as paredes a cair e onde os professores passam metade da vida em greves, assentes num sistema anti-meritocracia e pro-antiguidade ( como se a antiguidade fosse um posto )… Qual deles escolheriam para os vossos filhos ?

    5. Lamento mas isto tem de ser dito: O sistema de ensino publico É MUITO CARO !!! Demasiado caro para o que oferecem, e com uma qualidade de ensino muitas vezes inaceitável ( PS: Claro que há as suas excepções,mas falamos aqui pelas maiorias , e pelas experiencias que tive na minha vida ).

    6. Como consideração fundamental e final, eis o que é fundamental: São os contribuintes que pagam, os tais a quem é dado a opção de escolha, entre a escola onde querem colocar os seus filhos. Ninguém acha estranho que os pais estão a escolher o ensino privado ? Já alguém experimentou perguntar a esses pais porque escolheram esse colégio e não a escola publica que servia a sua zona ? Pergunte-se porque deve vir dai a resposta que ninguém quer ouvir. Todas as moedas têm duas faces ! Pessoalmente, e até algo em contrário, concordaria com a entrega de um cheque ensino igual para todos os alunos, e com isso os pais ( os contribuintes ) pudessem decidir e escolher. Aí é que seria a “bomba atómica”… um sistema publico assente na meritocracia !… isso é que seria bonito de ver ! Podia ser que acabassem uma série de gigantes vergonhas que se encontram no sistema publico ( esse mesmo que também é pago por todos nós contribuintes ) . Venha dai esse cheque ensino para os meus filhos que eu dir-vos-ia o que escolhia.

    Um bem haja a todos e o meu eterno agradecimento aos professores que me marcaram a vida ! ( os quais recordo e visito ainda hoje, algumas décadas depois ), e a todos os bons professores deste país ( seja do publico ou do privado ).

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