Afinal, há facções e fações

FSP

Hoje, através da Folha de S. Paulo, ficámos a conhecer esta extraordinária ocorrência:

Nova facção mais violenta se organiza em presídios de SP

Decerto, neste preciso momento, alguns defensores do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 terão ficado estupefactos com tamanha heresia no título de um jornal de referência.

Próclise (‘se organiza’) e ênclise (‘organiza-se’) à parte, eis mais um exemplo da “unidade essencial da língua portuguesa” conseguida através do AO90.

A ocorrência da palavra ‘facção’ na Folha de S. Paulo, como acontece com ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’, demonstra que a aplicação de critérios tecnicamente inválidos, além de afectar a tal “unidade essencial“, é claramente prejudicial para quem não adopta a norma brasileira.

Existem razões para o c de ‘facção’. Aquilo que não existe é motivo para se insistir no absurdo Acordo Ortográfico de 1990.

Comments


  1. Devemos ainda recordar o nosso quotidiano de luta contra o Absurdo Ortográfico que não se coaduna com o cotidiano brasileiro!
    São imensas as palavras que os brasileiros não irão conseguir identificar agora, depois desta “unificação” em que Portugal decidiu tornar diferente o que era igual…

    • Bruno Tavares says:

      “Portugal decidiu”? E onde entram as “pressões no Brasil” para pôr em marcha o acordo, pressões de que falou Cavaco?

  2. sinaizdefumo says:

    Nos casos apontados, tem vossemecê toda a rzom. Num é que v. precise que la dê, mas há que dá-la a quem n-a tem, e desta poda percebe vossemecê, eu é só p’aprender. Agora o qu’eu tamém num gosto é do farisaísmo das letras que num se lê. Ora se calhar o que devria ter sido feito era insinar a pronunciar as palavras corretamente cum todos os pês, e cês e tudo o cas palavras tem dreito. Essa coisa do escreve-se mas num se pronuncia num dá co meu feitio. Atualmente é tal a balbúrdia qu’eu prefiro escrever im beirês. Teinho a perceçom que v. m’intendrá e cas minhas palavras tenhum boa receçom da verdadeira aceçom da palavra.

    • Bruno Tavares says:

      Pobres Dupon e Dupon! Ou é Dupont e Dupond? Estes franceses são quase tão maus como os ingleses.


  3. Existem razões para o c de ‘facção’, é verdade. Uma delas é que o “c” é pronunciado, no Brasil, por muitas pessoas. Daí terem, eles, a hipótese da dupla grafia.
    Uma razão, mais antiga, seria a mesma que existe para o “c” de diccionário. Ups! Caiu.
    Mas que drama.

    • sinaizdefumo says:

      Pois se calhar foi, um drama, só que num havium blogues à época. Ui mas isso foi um ror delas que caírum. Até o “c” de lucta qu’a minha avó dzia “luita” e dzia munto bem por mor de num se meter im querelas ortográficas.

      • Bruno Tavares says:

        A grafia de “lucta” caiu por decreto.
        As pessoas que retiraram o “c” de lucta foram as mesmíssimas que, mantiveram os “c” e os “p” que agora queriam tirar. O motivo? Porque, diziam eles, ao contrário do que acontece em “lucta” a queda, por exemplo, do “p” de recepção, abre a vogal que o precede. As consoantes mudas carreiam informação e permitem estabelecer relação entre palavras da mesma família: dizemos faccioso dos que têm um espírito de facção. Faz pouco sentido escrever fação mas manter faccioso.
        Quem tem medo de fornecer informação?


        • Poi-j-eu aicho que botar letras nas palavras pra despois num n-as ler é farisaísmo. Portanto o problema num está na escrita está no falar. Qanto ao fação/facção estou d’acordo, mas diga-se fação e facioso. Semos uns comedores de letras, estejemos cientes disso, os linguistas coitados num sabe pra que lado s’hom-de virar. Umas vezes é a étimolocoisa outras é o ‘uso popular consagrou’, outras… ganda porra.
          Quem tem medo de fornecer informação? Pois isso agora é que num le sei dzer.

          • sinaizdefumo says:

            Oh wordpress vê se páras quedo e num bulas no qu’eu escrevo. Eu escrevi diga-se facção (faquecção num vá alterares de novo) e faccioso (faquecioso).

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