Efectivamente, não pode ser

The people ahead of them are shooting up to the stratosphere, and then comes the scapegoating.

Noam Chomsky

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Amigo atento enviou-me esta primeira página, com palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990. É sabido, desde d’Andrade e Viana, que a ‘rutura’, além de inventada, é “injustificada”. Contudo, ei-la.

Além disso, tratando-se do presidente da direcção do Sporting, a grafia correcta é ‘ruptura’.

Exactamente.

Aliás, como é sabido, pelo menos desde que se leu aquilo que ainda há pouco escrevi («palavra criada exclusivamente para a norma portuguesa pelo Acordo Ortográfico de 1990»), no Brasil, [Read more…]

Decepcionado ou dececionado?

Depende: «decepcionado com a grande imprensa», mas «dececionado com a arbitragem». Como sabemos, agora existe uma “ortografia comum”, por isso, há diversas hipóteses.

Por falar em “ortografia comum”, vejamos aquilo que se passa actualmente no sítio do costume.

dre1732016

Efectivamente, actualmente:

dre1832016 Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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Frank Sinatra Jr. (1944-2016)

«nada excepcional»,

segundo a Folha de S. Paulo. Excepcional?

O New York Times e a falta de perspectiva

New York Times' Quarterly Profits Falls 58 Percent

© Ramin Talaie/Getty Images (http://for.tn/1O6S6ub)

Ficámos a saber, através do Expresso, que um artigo do Expresso chegou ao New York Times (o Expresso não faculta a ligação para o artigo do New York Times, mas faculto eu). Curiosamente, há dias, li no New York Times um artigo em que se citava Bernardo Mello Franco, um colunista da Folha de S. Paulo.

Igualmente curioso é, na última semana, ter sido possível ler, na Folha de S. Paulo, «o tribunal pode examinar a lei em todos os seus aspectos», «o espaço, que inclui recepção, biblioteca», «a falta de perspectiva», «um dos motivos da ruptura» ou «em situações excepcionais” e, no Expresso, “ainda que haja aqui outro aspeto“, «a Deco “divulgou publicamente” a receção», «na perspetiva da sua pré-campanha», «a rutura com a Primavera de Praga» (efectivamente, ‘perpetiva’ e ‘rutura’ no mesmo artigo) e «em situações “excecionais». [Read more…]

Inacessível confeção

castanhas

© Chris Ryan/Getty Images (http://bit.ly/confeção_fecção)

Neste apontamento, o Expresso refere-se a “pratos de confeção acessível”. No entanto, confeção é palavra inacessível a qualquer leitor de português europeu. Aliás, o mesmo acontece a qualquer leitor de português do Brasil. Segundo o Houaiss (sim, aquele), confecção significa:

1. preparação (de um medicamento); confeição
1.1 o remédio assim preparado; eletuário
2 acabamento ou conclusão de algo
Ex.: a c. de um livro
3 Derivação: por metonímia.
roupa feita em fábrica, que se adquire pronta (freq. us. no pl.)
Ex.: ela revende confecções
4 Derivação: por metonímia.
fábrica, de porte médio ou pequeno, que confecciona roupas (de vestuário, cama, mesa ou banho)
Ex.: há muitas c. em Petrópolis

Por seu turno, a Folha de S. Paulo diz-me

Atenção

Nenhum resultado de busca encontrado para a expressão confeção.

Isto é, confeção só existe aqui. Contudo, há uma diferença do tamanho de um ‘Atenção’ da Folha de S. Paulo entre confeção [kõfɨˈsɐ̃ũ̯] e confecção [kõfɛˈsɐ̃ũ̯]. Ou seja, de facto (sim, de facto), confeção não existe. Confessem lá: este AO90 está a correr mal, não está?

Próximo do teto da meta/estoure o teto da meta/superar o teto da meta

O ‘teto da meta’. Hoje, na Folha de S. Paulo. Ah! E ‘respectivamente’. Exacto: ‘respectivamente’, sim, mas só para alguns.

A ‘perspectiva’ e a ‘perspetiva’: a “unidade essencial”

paris

Gustave Caillebotte, Rue de Paris, jour de pluie (1877) © The Art Institute of Chicago (http://bit.ly/1EpPV3s

Mine eye hath played the painter, and hath steeled
Thy beauty's form in table of my heart;
My body is the frame wherein 'tis held,
And perspective it is best painter's art
— William Shakespeare, Sonnet 24

 

Na Folha de S. Paulo de hoje, Hélio Schwartsman escreve o seguinte:

Sob essa perspectiva, não só há lógica por trás do processo eleitoral como ela se mantém a mesma desde o início da corrida.

Ontem, no jornal O Estado de S. Paulo, ficámos a saber que, na opinião de João Bosco Rabello,

A perspectiva de chegar à Presidência pode ajudar a reverter parcialmente esse quadro, ainda que isso não seja provável em grande escala.

Depois de amanhã, a Universidade do Minho recebe a conferência “Perspetivas da Língua Portuguesa”.

Obviamente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, como prometido, assegurou o tal “passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional”.

Exactamente: “da unidade essencial”.