Quando a direita era oposição

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Houve um tempo em que o PSD, pela voz do seu líder e actual primeiro-ministro, afirmava convictamente que a austeridade não era o caminho e que para seguir esse caminho não podiam contar com o seu partido. Um tempo em que Passos acusava o executivo de Sócrates de “desleixo, falta de rigor, incompetência e desnorte”.

Houve um tempo em que o transparente Miguel Relvas lamentava que o sacrifício fosse sempre do mesmo lado. Que era preciso pedir mais sacrifícios ao Estado.

Houve um tempo em que Pires de Lima afirmava que eleições antecipadas seriam provavelmente a única saída para um “ambiente político completamente apodrecido”.

Houve um tempo em que o irrevogável Paulo Portas tentava dar lições de lealdade institucional ao então primeiro-ministro, que acusava de “falta de maturidade”. Com Portas, tal situação nunca aconteceria porque, como o próprio explicou à TSF, nunca confundiu “divergências políticas com o incumprimento do que acho que são obrigações institucionais”.

Foram tempos interessantes aqueles em que a direita era oposição. Tempos em que a Comissão Europeia e o BCE saudavam as medidas de austeridade apresentadas pelo executivo socialista perante o aplauso da imprensa alemã. Tempos em que a direita tentava (e acabou por conseguir) comprar o eleitorado com simpáticas mentiras, caídas por terra assim que a JSD graúda tomou conta do aparelho de Estado e fez exactamente o contrário daquilo que prometeu. E se puxarmos esses tempos um pouco mais atrás, ainda conseguirmos encontrar o Moedas da Goldman a afirmar, sem reservas, que só nos restava o “caminho da reestruturação da dívida”.

Alguém sabe onde se meteu esta direita?

Eu dou-vos uma pista: está algures a injectar mais 510 milhões de euros num banco corrupto falido.

Comments

  1. Nightwish says:

    Ninguém dá um tiro nestes filhos da puta?


    • Acho que ficava mais económico que aparecesse um Bosch que transportasse a temática das obras do pintor para a realidade,com a gentalha do governo. É que eu sou avesso ao ruído das armas.


  2. Mas em que país tão interessante eu nasci há tantos anos – mas nunca imaginei que chegaria a esta “lindeza” – e lindo por lindo Miró está a ser instrumento de avaliação do grau “cultural” dos empoleirados – os brasileiros terão de aproveitar o tema para nos bombardearem com mais lixo telenovélico e creio que nem eles serão capazes de en-lixar tanto

  3. PQP a Praxe! says:

    Nunca gostei do Socas, nem um bocadito, mas este Coelho mentiu mais em poucos meses do que o Socas em seis anos.


    • São galhos da mesmo árvore meu caro. mas se o Sócrates era o Pinóquio, que raio de personagem de animação é o Passos?

      • PQP a Praxe! says:

        Talvez não chegue a ser personagem de animação. Se calhar não passa de um esboço. 🙂

      • lidia sousa says:

        Náo é preciso inventar a roda, o Coelho é a ALFORRECA coMo foi baptizado pelo Bloguer João Gonçalves, imediatamente promovido a SeCRETÁRIO DE ESTADO DO RELVAS

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