Passos, o orador

Não sei se já repararam, ou se têm paciência para reparar: o Passos parece ter encontrado em si uma súbita vocação de orador verborreico. Seja qual for o tema, o homem não se cala, produzindo intermináveis e pernósticas discursatas.

Na AR, em colóquios, interpelado nas ruas, nos salões, nas feiras, fala. Fala sempre. Sublinhando os seus juízos mais assertivos com pequenas elevações de pescoço ou de mento, se o espaço é pouco, estendendo as mãos – na posição em que o pescador lembra o tamanho do robalo que lhe fugiu – e fazendo pequenas vénias à esquerda e à direita, se tiver espaço.

A vulgaridade e a boçalidade ganham, dia a dia, nova dignidade institucional. Todavia, e ao contrário do que seria de esperar, as vendas de calmantes e hipnóticos não sofreram qualquer queda em razão do carácter potencialmente soporífero das falas do 1º ministro. Pelo contrário. As pessoas ficam ansiosas, agitadas e, se não interrompem rapidamente a audição do discurso do prolixo láparo, começam a ficar agressivas e a resmungar torpes ditos populares sobre quantos coelhos se podem matar com uma só cajadada. Auditório ingrato!

Comments

  1. portela says:

    Axioma dos coelhos.
    .
    Se um coelho incomoda muita gente, dois coelhos incomodam muito mais.
    .

    • portela says:

      Quando se separam dois coelhos iguais, porque não cabem ao mesmo tempo no mesmo saco, fica um igual ao que sobra.
      .


  2. Articulado jogo de palavras que não refere um curioso facto: desanimados, os adversários atribuem-lhe as hiperboles que o «carácter potencialmente soporífero das falas do 1º ministro» não contêm!

  3. Ferdinand says:

    Não é irónico que um liberal, repito, LIBERAL como o Dr. Passos Coelho seja tão prolífico a dar lições de moral ao outros?

    • António Duarte says:

      Não é irónico porque o liberalismo sempre foi intrinsecamente, e nunca deixou de o ser, um moralismo.
      A ideologia liberal construiu-se a partir daquilo que os liberais entendem ser a natureza humana e a forma como os indivíduos se devem comportar em sociedade.
      A partir daí, sempre que a realidade não funciona como eles imaginaram ou as pessoas não fazem o que eles querem, lá vem ao de cima o discurso moralista, pronto a acusar-nos de sermos piegas, de vivermos acima das possibilidades, de não aproveitarmos as oportunidades que eles não se cansam de nos proporcionar.

  4. Fernando Tabuas - Gaia says:

    Claro que o homem palrra que se farta… Conhecem algum vendedor da L’Oreal ? O verbo e a substancia são exactamente iguais…
    Quanto ao liberalismo… acordem!!! sabe lá bem o homem o que é isso… ele á mais ” manobradores de Aeroportos Municipais”…

  5. Rui Moringa says:

    Sim, o homem sabe lá o que é o liberalismo!? Pensa que tem uma missão para a nossa salvação, é um discurso messiânico.
    Repetir palavras e ideias mesmo desalinhadas da realidade é um técnica de manipulação já conhecida e teorizada desde o Século passado.
    Nada do que diz me interessa. Ele e muitos outros a começar por aquele jornalista, ou lá o que é, que nos despreza porque não sabemos quem é Miró.
    Estão todos com os colh*** bem escondidinhos para não lhes darmos um pontapé que os contorça de dores.

  6. rosa matias says:

    Não ouço: é superior ás minhas forças.Quando esse senhor aparece mudo de canal, ou de sala.

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