Conselho de Finanças Públicas ao serviço da Geringonça

TC

Imagem via Geringonça

No PSD, Rui Rio tenta dar conta de uma oposição interna em fúria, disposta a quase tudo para fazer a folha à recém-eleita direcção, enquanto lida com os escândalos diários nos quais vê os seus mais próximos oficiais envolvidos, do caciquismo de Salvador Malheiro ao currículo de Feliciano Barreiras Duarte.

No CDS, Assunção Cristas sonha, do alto dos seus 5% de intenção de voto atribuídos pelas mais recentes sondagens, ultrapassar o PSD e ser um dia primeira-ministra. E o sonho, já dizia o poeta, é uma constante na vida. Eu também sonho com a bomba do Gajo de Alfama, numa versão em que limpa o sarampo ao lixo político deste país, indo lá pelo cheio a corrupção. Mais rápido teremos Assunção Cristas a bailar com um touro na arena, enquanto um desses tipos que se diverte a torturar animais lhe espeta umas bandarilhas no lombo. [Read more…]

Teodora Cardoso refém de milícias comunistas

Fotografia: Bruno Simão/Negócios

O Conselho de Finanças Públicas (CFP), outrora importante aliado do defunto passismo, reviu em alta o crescimento da economia portuguesa, que passou dos 1,7% projectados em Março para 2,7% em Setembro. Acresce a este dado que, no que toca ao défice orçamental para 2017, o CFP surge também com valores mais positivos, na casa dos 1,4%, contra os 1,7% avançados em Março. O episódio é de tal forma bizarro, que as previsões do CFP superam mesmo as previsões do governo.

A conclusão a que chego, porque todos sabemos que estes valores não são possíveis, ou não estivesse o país a caminho do próximo resgate, é que o CFP terá sido ocupado por milícias comunistas, não sem antes sequestrar vários familiares directos de Teodora Cardoso, que ameaçam enviar para um campo de trabalhos forçados na Sibéria, caso o CFP não colabore com a máquina de propaganda soviética. Alguém nos acuda, por favor!

O défice, os parasitas e a propaganda

No final da passada semana, quase à mesma hora, Público e RTP trouxeram Conselho de Finanças Públicas à baila. No primeiro, ao bom velho estilo marxista que por lá impera, destacava-se a possibilidade, aventada por Teodora Cardoso, sobre os perigos de um défice acima dos 3%. Na estação pública, naturalmente controlada pela Geringonça, é referido um relatório do CFP, que aponta para um défice de 1,7% em 2017, caso o sistema bancário não entre novamente em colapso. 

Três dados a reter: 1) apesar de Teodora Cardoso, o CFP parece ter deixado de contribuir para o peditório do Diabo, 2) o problema continua a ser o mesmo – os bancos, os seus parasitas e as suas vidas acima das suas possibilidades, que continuam a pôr o país em xeque – e 3) o Público do senhor Dinis não se limita a purgar a sua redacção de perigosos esquerdalhos, tendo já adoptado o idioma oficial da propaganda de direita.

Errar é teodoro

Teodora passou 2016 a pintar cenários irreais. Serviram para alimentar as expectativas da vinda do diabo, que, afinal, faltou ao chamamento. 

Errou repetidamente mas não tirou a devida ilação, afastando-se do cargo feito à sua medida. Hoje continua com os seus agoiros, mas logo se levanta a questão de haver algum fundamento no que afirma. É o problema dos anunciadores de lobos. 

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É perguntar ao camarada Bernardino como funciona a democracia a Oriente…

Fraquinho este Miguel Tiago. Na Coreia do Norte sabem lidar melhor com opiniões divergentes da versão oficial. Perder o emprego? Não me parece suficiente…

A insustentável extraordinariedade do milagroso défice geringonço

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Teodora Cardoso afirmou que o facto do défice se ter fixado nos 2,1%, “ate certo ponto”, foi um “milagre”, e que o resultado foi obtido através de medidas extraordinárias que não são sustentáveis. E talvez tenha razão. Eu, depois de ver no que deu a Geringonça condenada à nascença, deixei de ter certezas. Tantas profecias da desgraça não podiam estar erradas. Só que estavam.

Claro que eu, ao contrário da Dra. Cardoso, não percebo nada de economia e finanças. What do I know? And yet, não preciso de um curso na Business School da moda para perceber que medidas extraordinárias insustentáveis foram o prato do dia no tempo da Caranguejola, como o foram de todas as caranguejolas que a antecederam. Fossem o património público que o ex-primeiro não ia vender “como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro”, fossem os cortes e os brutais aumentos de impostos, o défice de Passos e Portas, como o dos seus antecessores, nunca cumpriu a meta europeia. Aliás, governo algum conseguiu um défice mais baixo que os 2,1% da Geringonça. E não faltaram medidas extraordinárias insustentáveis nos últimos 20 ou 30 anos.  [Read more…]

Dona Teodora

Diz que o Défice foi milagre. Tem graça.

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Teodora

Teodora vá lá, vai-te embora
Teodora, não sejas assim
(tarará-ta-tchim!)
Teodora, tanta gente chora
Vai lá, Teodora
Não sejas ruiiiiiiiim!…

A virtude da Teodora

teodoraPara quem tem dúvidas, lá está a etimologia para nos ajudar. O nome Teodora, compõe-se, providencialmente, de theo (deus) e doro (dom), isto é, Teodora quer dizer “dom de deus”. É por isso que ser Teodora é um elevar-se a alturas desconhecidas do comum dos mortais; é um aproximar-se da perfeição.

Assim, perante a perplexidade geral, uma particular Teodora (neste caso a Cardoso) exerceu o seu virtuoso poder trazendo aos seus ignaros concidadãos um caminho salvador. Como acontece frequentemente com estes espíritos superiores, não foi compreendida, outrossim vilipendiada, maltratada na praça pública e pescada nas redes sociais.

E, todavia, Teodora teceu uma hipótese perfeita. Acompanhem-me:

a) éramos obrigados a receber todos os nossos rendimentos em determinadas contas bancárias;

b) de cada levantamento seria feita uma retenção, sendo que o total das retenções constituiria a base do nosso IRS;

c) e tais retenções seriam geridas por quem? – pelos bancos, claro;

d) uma vez que os bancos se encarregariam das operações – com muito gosto, claro – era justo que, além das gordas vantagens que essas avultadas reservas lhes trariam, fossem devidamente remunerados pelo trabalho;

e) e quem lhes pagaria, quem? – o ministério das finanças, claro;

f) e quem paga o ministério das finanças? – nós, evidentemente.

E é aqui que nos abeiramos da perfeição, do créme a la créme da sofisticação financeira: uma PPP em que os protagonistas são as finanças e os bancos! A pureza absoluta! O lucro sem porcarias, sem obras, sem concursos, sem necessidade de ministros corruptos. Uma ideia que é, ela própria, um… theo doro.

Teodora Cardoso, olhe, emigre!

A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, deixou aos deputados do PSD uma nova forma de cobrar impostos no pós-troika: taxar os levantamentos que são feitos nas contas bancárias onde são depositados os salários e as pensões. (…)
No final, Teodora Cardoso explicou aos jornalistas que a vantagem desta solução é que não incidiria directamente sobre os rendimentos auferidos, seja salários, seja pensões.
“Em vez de um imposto que desincentiva o rendimento, este incentiva a poupança”, afirmou a presidente do organismo independente, que faz o acompanhamento das contas públicas. [PÚBLICO]

Esta parva, que toma os portugueses pela sua medida, faz de conta não saber que poucos são aqueles a quem sobra dinheiro no fim do mês. Veste a pele de hipócrita afirmando que é um imposto virtuoso, que incentiva a poupança – como se houvesse algo a poupar. Consegue, ainda, ter o desplante de afirmar que um imposto sobre o dinheiro que se levante de contas de salários e de pensões não é um imposto sobre salários e pensões!

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