#somostodosboys

tacho

A propósito do polémico arremesso da banana contra o futebolista do Barcelona Dani Alves, que não só reagiu com elevação como a situação em si acabou por desencadear uma enorme onda de apoio, que inclusive já se estendeu a casos semelhantes como aquele relatado hoje por Nélson Évora na discoteca Urban Beach (onde o grupo no qual se inseria foi barrado à entrada por aparentemente ter “demasiados pretos”, apesar de terem mesas reservadas), ocorreu-me um pensamento curioso.

Vamos imaginar que, numa qualquer aparição em público, Pedro Passos Coelho é atingido com um tacho na cabeça. Ao invés de se ficar a queixar, Passos pega no tacho, posa para a fotografia e leva-o para casa. Em seguida começa uma nova onde de solidariedade. Estão a imaginar Miguel Relvas a publicar no Facebook o hashtag #somostodosboys e a aparecer na foto com 50 mil canudos dentro de um tacho? Ou Agostinho Branquinho com um tacho cheio de gaze e frascos de soro? Ou quem sabe Dias Loureiro com um tacho cheio de Cavacos? Ou Pina Moura, num sinal de solidariedade do bloco central, com um tacho electrificado? Ou Jorge Coelho numa obra com um tacho na cabeça? Ou Armando Vara com um tacho cheio de sucata? Ou Sócrates, em pleno Freeport, com um tacho cheio de compras?  Ou Ferreira do Amaral em cima de uma ponte com um tacho cheio de água do Rio Tejo? Ou uma imagem colectiva da Universidade de Verão da JSD, tirada do céu, com centenas de pequenos jotas, cada um com o seu tachinho?

Eu gostava de ver. Num momento em que a liberdade de se ser um político trafulha está sob permanente ameaça da vox populis, esta seria uma excelente resposta daqueles que lutam pelo direito ao clientelismo. É aproveitar o facto de ainda estarmos em Abril! Políticos de merda, insurjam-se por um futuro mais corrupto e livre dos constrangimentos da lei!

Comments

  1. Gottlieb says:

    Aplaudo a inteligência do Dani Alves perante o troglodita que lhe arremessou a banana.
    Daí a cair nas aparências do caso do Nelson Évora vai um terreno fértil de oportunismo.
    Quem nunca foi proibido de entrar numa discoteca levante o braço. “Dress code” , só acompanhado, lotação esgotada, há um rol de razões/desculpas.

  2. Bento 2014 says:

    Acho que se está a dar demasiada importância a uns parvalhões que por aí campeiam em todas as vertentes da sociedade, e que tal como as ervas daninhas nem com químicos desaparecem de vez. Espremer episódios de pequenez mental que não tem cura não acaba por constituir um fertilizante que só espalha a maleita com contributo de publicidade gratuita generalizada? A lei não prevê condenação efectiva para todo o tipo de abusos que se pratiquem?

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