Juan Carlos não abdica daquilo para que não foi eleito

franco juan carlos

Não há regime mais abjecto que o monárquico. Defender a entrega da chefia do estado a alguém apenas porque é filho de outro alguém, que por sua vez ali estaria por vontade divina, é em tudo contrário aos mais elementares princípios de uma civilização moderna.

Claro que umas monarquias, como a norte-coreana, são ainda mais repugnantes que outras, e é verdade que sob a tutela de um rei pode existir alguma liberdade e democracia, mas estarão sempre incompletas, falta-lhes o elementar princípio de que todos os homens nascem livres e iguais, em direitos e deveres.

O que se passa hoje na nossa vizinhança, onde um nacionalismo doentio tem como símbolo máximo da sua unidade um rei que jurou fidelidade a um assassino, Juan Carlos, o Bourbon herdeiro de um regime fundado por golpistas criminosos que derrubaram uma República referendada, “abdica” em favor de quem não vai a votos, mas é seu filho. Uma monarquia esbanjadora nos gastos, baseada numa montagem mediática chamada 23F, tenta a sua continuação. Há que referendá-la, por muito que isso custe aos vendedores de revistas cor-de-rosa.

Comments


  1. «todos os homens nascem livres e iguais, em direitos e deveres.» ainda que impossível na sua plenitude, essa é uma utopia da qual não abdico.


  2. É constitucional de acordo com a vontade popular.
    Quanto à filiação é o mesmo em república. Os filhos de quem mais pode mais possibilidade têm. Pergunte aos filhos dos dois últimos presidentes da República como é.


    • A vontade popular vota-se. O último referendo votou a II República.
      Quanto a confundir igualdade económica com igualdade jurídica, é experimentar um dicionário.


    • Esta é mesmo boa – e se fossem só os filhos vá que não vá – creio haver inconseguimento seja assim ou assado e dão todos muitas fotografias e conversa de café para a Hola e Nova Gente e a “maria” – que ingratidão – e conservam os palácios senão ficavam todos pôdres – se não houvesse parasitas o que é parasitado deixava de o ser e desmultiplicava-se infinitamente e ficava só um “género” monotonamente – não há parasita sem hospedeiro – e estão a deixar descendência cada vez mais ricos e a “dar trabalho” aos que ainda não enriqueceram – eu já não sei o que digo mas ao menos sei que não sei o que digo e isso ainda é muitabom

  3. Joaquim Amado Lopes says:

    “Defender a entrega da chefia do estado a alguém apenas porque é filho de outro alguém, que por sua vez ali estaria por vontade divina, é em tudo contrário aos mais elementares princípios de uma civilização moderna.”
    Cuba?


    • Também, embora ainda estejam na fase fraterna.

    • A.Silva says:

      Em Cuba não há nenhuma monarquia, aconteceu que a Fidel sucedeu o seu irmão, não por uma questão de sangue, mas por uma questão de luta e combate. Raúl está desde o principio no combate pela Revolução cubana, ao lado de Fidel, ao lado de Che, ao lado de Cienfuegos. Tentar misturar este caso com uma pseudo sucessão é só desonestidade politica, ou então ignorância…
      Já agora os desonestos que gostam de difundir a mentira da “monarquia” cubana, podem adiantar qual o “herdeiro” de Raúl??? Não seria altura de já ser conhecido???

  4. Nelson says:

    “Não há regime mais abjecto que o monárquico…”

    Que o digam a Noruega, o Reino Unido, a Suécia, a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica e o Luxemburgo (da Espanha não se fala, lol) que, como todos sabemos à saciedade, são países em que vigoram as mais tenebrosas trevas de todo o tipo de atraso e horrenda opressão e cujos Povos, todos os dias, sonham com as “amanhãs que cantam” da tal de “Ética Republicana” (ahahah) e almejam ser tão livres, instruídos e prósperos como, por exemplo…….a República Portuguesa.

    PS – Por curiosidade Sr.Cardoso…..e se o Referendo for favorável à manutenção da Monarquia?!?


    • Outro a confundir democracia com desenvolvimento económico. A URSS também foi muito feliz com Estaline, por essa lógica.
      Quanto ao referendo, quem tem medo dele será quem não o quer ver realizado. Não é o caso dos republicanos.

    • Maquiavel says:

      Que o digam os súbditos da Arábia Saudita, do Bahrain, da Suzilândia…
      Ou que o digam os cidadäos da Alemanha, França, EUA…!

  5. Nelson says:

    1 – A DEMOCRACIA (e as respectivas liberdades individuais) é muito mais importante do que o Regime que a enforma: República ou Monarquia.

    2 – Não falo tanto em desenvolvimento económico. Falo até mais de desenvolvimento social e humano e de liberdade. A sua “alusão” ao consulado do ressabiado seminarista da Geórgia tentando, de algum modo, colar o “bigodes” a um dos países supracitados é, no mínimo, lamentável e, no máximo, revela má-fé.

    3 – Não sendo eu militantemente monárquico ou republicano acho ideológicamente “claustrofóbico” este fanatismo (que existe de parte a parte) quando o mais importante é a Democracia política e social. Preferia (eu, e muitos outros e por muito que lhe custe) viver em países como os que citei de que viver em muitas Repúblicas que por aí andam. Um exemplo. preferia viver em Espanha, na Dinamarca ou na Suécia dos que nos EUA (que nasceram uma República, se vangloriam de o ser na essência e…..deu no que deu), por exemplo.

    4 – As Repúblicas que mais aprecio são, por exemplo, Repúblicas como a alemã (existem mais), completamente parlamentaristas, em que o Presidente é eleito pelo Parlamento e não tem mais que um papel “simbólico”. Portugal deveria tornar-se completamente parlamentarista.

    5 – Repito a questão: e se ganhar a monarquia em Espanha (caso haja referendo)?! Respeita a vontade (democrática) dos habitantes do Estado vizinho?!


    • Não existe democracia sem igualdade jurídica e eleição de todos os poderes políticos. Parágrafo.
      Quem não respeitou a vontade soberana, expressa em referendo, dos povos de Espanha foi Franco (pai desta monarquia). Quem aparece aqui a defender tal regime perde toda a legitimidade para se opor às comparações que faça com outras ditaduras. Sim, ditadura, regime político no qual um governante não representa a soberania popular. Sim, da Inglaterra (por maioria de razão dado o sistema eleitoral) à Noruega, falta democracia e sobra autarcia.
      E de resto não tenho nada que aceitar ou recusar o voto num referendo de um país que não é o meu (nem de ninguém porque não passa de um estado imperial, verdade se diga).

  6. Nelson says:

    O Sr. é Republicano (i.e, dá primazia à “forma” e eu sou Democrata, dou primazia à “substância”. Daí as nossas divergências.

    Associar, mesmo que “metafóricamente” a NOruega ou a Inglaterra a “ditaduras” só pode mesmo ser para rir e só prova que o Sr.Cardoso está do lado “jacobino”. Eu, por mim,prefiro os “girondinos”.

    Nada tenho de “epidérmico” contra a República (ou contra a Monarquia) pois o mais importante é a Democracia (entendida como eleição do poder EXECUTIVO). Parágrafo.

    A República Portuguesa, por exemplo, poderia ser bastante aprimorada. Como?!
    Simples

    1 – Transformar Portugal numa República parlamentarista, com todas as tranferências de poderes e funções que isso acarreta, da Presidência para o orgão supremo de poder: a Assembleia da República.

    2 – Eleição do Chefe de Estado pela Assembleia da República que, recorde-se, é ELEITA por sufrágio Universal, Secreto e Directo.

    3 – Reformulação do sistema eleitoral de modo a que, FINALMENTE, os eleitos possam ser efectivamente responsabilizados pelos eleitores de forma a que estes possam avaliar a boa prestação, ou não, dos que foram eleitos pelos seus respectivos círculos eleitorais.

    4 – Descentralização administrativa do país, através de Regiões Administrativas intermunicipais, eleitas por sufrágio universal periódico.

    5 – “E de resto não tenho nada que aceitar ou recusar o voto num referendo de um país que não é o meu (nem de ninguém porque não passa de um estado imperial, verdade se diga).”

    Estas resposta, só por si, é um verdadeiro “Tratado” e muito complexa.
    Não queira a “balcanização” da Península Ibérica….não se vá arrepender, amargamente, disso.

  7. Nelson says:

    E já agora…alguma vez a República foi referendada, por exemplo, em Portugal, na Alemanha, nos EUA ou na França??
    Poder-se-ia referendar ou não?
    Ou só se podem referendar Monarquias e as Repúblicas estão “acima” da “maçada” dos Referendos, i.e, da Democracia?!

    • Maquiavel says:

      Na Itália houve referendo puro e duro.
      Em Espanha as municipais de 1931 foram tomadas como plebiscito.


  8. Sem república não há democracia. Ou o rei não tem poder, é nesse caso é uma despesa idiota, ou tem, e é um despóta por natureza.
    Quantas monarquias, a começar na portuguesa, conhece que tenham sido referendadas?
    Tem uma piada, este apego à jurisprudência divina, à força dos guerreiros e etc etc.

    • Nelson says:

      Quem falou em “jurisprudências divinas”?!?
      Era só o que faltava.
      Está a gozar?!

      O Chefe de Estado, por norma, não deve ter poder. De ve ser “decorativo e simbólico”.
      Quem o deve ter é o PARLAMENTO ELEITO!
      (Que parte de PRLAMENTARISMO não percebeu?!)
      (se for preciso repito ad aeternum ou faço um desenho) 🙂

    • Nelson says:

      “Sem república não há democracia”

      O Sr.Cardoso está a perder uma promissora carreira como humorista.
      (focámos a saber que a Suécia, a Inglaterra, a Dinamarca e etc…não são Democracias…ahahahahah)

    • xico says:

      O senhor que é historiador sabe que o que disse sobre a monarquia portuguesa não ser referendada é um disparate. Que o referendo não era universal estou de acordo, mas havia aclamação do rei.

  9. Nelson says:

    Já agora, em abono da verdade histórica (e não da mistificação manipuladora), Juan carlos foi, originalmente, “nomeado” por Franco mas……….a Constituição de Espanha foi APROVADA por REFERENDO e, nessa Constituição, estava expresso, claríssimo, que Espanha seria uma Monarquia constitucional.
    Haja memória.


    • A bem da verdade histórica, não foi um referendo: foi uma completa chantagem, em que a opção era manter o franquismo (que verdade se diga nunca foi erradicado).
      Ao nível do referendo da Constituição portuguesa de 1933.

      • Nascimento says:

        Nem mais, Mas isso custa saber!Vale mais escudar-se em tretas.
        Já agora ó Nelson: quanto custa a DECORAÇÃO SIMBÓLICA ,nessas democracias monárquicas??
        Quem paga e sustenta, os princesinhos e ás princesinhas, e,já agora, como não quer a coisa, aos chiens???Ups….que digo eu?Atão não se vê logo que aquela gente é DIVINA???Mal nascem começam logo a “treinar”! é por isso que devem ser pagos!!!É que aquela merda ( DECORATIVA), custa muito.Não é?E então só para pagar-nos o SIMBÓLICO???uI…..a plebe.


  10. As pessoas não se convencem que as questões ditas de regime afectam apenas uma pequeníssima elite e os intelectuais que circulam à sua volta… tudo o resto é apenas público.

  11. ferpin says:

    Estou longe de pintar o rei juan carlos com as cores tenebrosas que usa o autor deste artigo.
    No entanto acho a monarquia um regime inaceitável por qualquer cidadão, por muito benigna que esta seja, devido à minha total incaoacidade de aceitar que um filipe seja chefe de estado só porque é filho dum joão carlos (que eu não escolhi).

    Mil vezes um inepto cavaco que eu não escolhi (mas que mais de 50% dos que foram votar escolheram), do que um rei juan carlos
    (Mesmo admitindo que que no início do seu reinado fez mais pela democracia que o cavaco em toda a sua vida)

    • xico says:

      Filipe será chefe de estado porque o povo decidiu que o modo de escolher esse cargo era dentro de uma família que representa um símbolo e é muito mais imune a pressões do que um eleito. O problema até se pode pôr ao contrário, porque carga de água essa responsabilidade cai em cima do rapaz? É claro que pode sempre recusar. Estamos perante um caso de manifesta desigualdade. De facto. Mas se entendermos que o sistema tem vantagem, porque não usá-lo, quando temos sempre um forte poder de fiscalização e de veto? Também não elegemos o poder judicial, porque entendemos que isso seria prejudicial à democracia. Nada é perfeito e por isso adaptamos. O princípio de que nascemos todos iguais obrigaria a que todos tivéssemos de ser retirados aso nossos pais e postos numa instituição do estado para garantirr essa igualdade.


      • O povo, aliás, os povos de Espanha não decidiram coisa nenhuma. A história faz-se com factos, não com lendas. A constituição espanhola não foi votada em democracia. Não havia liberdade de imprensa, a polícia política continuava activa, etc. etc.
        Daqui a bocado estamos a dizer que em 33 o povo português aprovou uma constituição fascista.

  12. fossilvivo says:

    Fóssil por fósseis prefiro o T Rex.

  13. José Seabra says:

    Este texto é absolutamente ignorante, ainda para mais vindo de quem vem. O JJC tem obrigação de escrever com outra elevação devido à cultura que já demonstrou possuir, mas continua na sua caminhada para tasqueiro. Eu sou republicano e ler um texto como este deixa-me triste, pois não há pior do que os fanáticos, cegos pela ideologia. Vá ler um bocado, seja homem, e depois venha escrever um texto adulto, com pés e cabeça. Cumprimentos

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