Águeda e os museus (urbanos)

Quando Gil Nadais e a sua pandilha se candidataram pela primeira vez, ao abrigo do Partido Socialista à Câmara Municipal de Águeda em 2005, trataram de utilizar uma das mais célebres pedras de arremesso político em relação à danosa gestão praticada na altura pelo PSD, em particular, pelo presidente da Câmara à altura, Manuel Castro e Azevedo (não cumpriu na totalidade o seu último mandato na câmara em virtude do facto de ter sido acusado formalmente pelo Ministério Público dos crimes de peculato e falsificação de documentos; crimes pelos quais haveria de responder e dos quais seria absolvido anos depois). Afirmavam e ironizavam os socialistas na altura “as colas que não colavam” (O Ministério Público (MP) tinha pedido a prisão efectiva dos arguidos, a quem acusava de terem lesado o município em mais de 250 mil euros, nos finais da década de noventa, através de fornecimentos fictícios de materiais, designadamente tubos (pela ARSOL) e tintas e colas (pela UNICOLA, de Cruz Silva), cujas facturas o presidente da Câmara, Castro Azevedo, mandava pagar), a “colossal dívida herdada num concelho sem obra feita” e a existência na edilidade de um autêntico lobby laranja.

Nadais seria eleito em 2005, re-eleito em 2009 e re-eleito novamente em 2013. Se no primeiro mandato, a obra feita bem como as iniciativas de cariz cultural e desportivo levadas a cabo pelo executivo tiveram um efeito positivo na cidade (algumas obras de regeneração urbana, alguns eventos que conseguir captar a atenção dos munícipes como é o caso de sucesso do Agitagueda), no 2º mandato começaram a aparecer os primeiros podres da governação socialista. O executivo local ignorou por completo todas as propostas apresentadas para a criação de um novo parque empresarial em vários pontos conexos com parques industriais de concelhos vizinhos, como é o caso de Oliveira do Bairro, e em outros tantos com melhores acessibilidades do que aquele que definitivamente foi escolhido para albergar o dito parque (Casarão) precisamente porque o Casarão foi uma aposta fétiche deste executivo (contudo, existiram outros interesses que pesaram na escolha do Casarão, como o facto de grande parte dos terrenos adjacentes pertencerem a pessoas com ligações familiares a pessoas do executivo). Se o novo parque empresarial, construído a troco de 6 milhões de euros, tinha, antes da crise, um pretendente conhecido (LIDL) para a construção de um entreposto de distribuição (tendo a CMA vendido os terrenos do dito parque a um custo simbólico), a partir do momento em que a empresa alemã deixou cair a hipótese Casarão, devido em parte ao facto do novo parque empresarial ser mal servido ao nível de vias rodoviárias, a CMA está neste momento sem qualquer empresa implantada no dito parque, sem qualquer ideia para o mesmo ou sem qualquer data pública de projecção de arranque de qualquer tipo de labor nesse mesmo parque. Ao mesmo tempo, está a custear as altíssimas despesas de manutenção do dito (luzes acesas 24 horas por dia numa área considerável) e, pelo que se consta publicamente, até pediu à EDP um aumento de potência eléctrica do parque.

Noutro ponto diferente do concelho, no velho Parque da Alta Vila, parque outrora considerado como o pulmão da cidade, a Câmara Municipal iniciou há alguns anos atrás, através de fundos comunitários, um projecto de renovação do parque que, até agora, tem sido tortuoso e difícil. No projecto de renovação do parque, era de interesse camarário a construção de uma Incubadora Cultural que servisse para albergar as associações culturais existentes no concelho bem como albergar novas associações que cidadãos aguedenses pretendessem criar, albergar artistas a título individual que quisessem formar residências artísticas temporárias em Águeda. O referido mister da Incubadora em causa seria, no plano inicial, essencial para dar vida aos esplendorosos jardins do parque, tendo sido criada uma espécie de associação para gerir a programação cultural dentro do parque, a APARCA. Até hoje nada se viu dessa Incubadora Cultural, que, apesar de construída (custou 1 milhão de euros aos cofres concelhios) não só ainda não começou a sua actividade como, hodiernamente, ainda está a ser questionada noutro ponto que se prende com o facto da CMA ter pago vários milhares de euros à empresa a um “reconhecido” chulo da cultura director artístico que já dirigiu a DG\Artes, precisamente durante a governação socialista (quando Gabriela Canavilhas se incompatibilizou com Barreto Xavier) por serviços cuja executação ainda hoje não está devidamente comprovada.

A CMA, que tantos veículos mediáticos usa (inclusive a televisão municipal; quem tiver algum tempo para ver a Águeda TV percebe que a televisão é utilizada para culto da personalidade do líder e para efeitos propagandísticos do regime socialista concelhio; abalado recentemente com mais um escândalo judicial que abarcou a utilização indevida de fundos camarários bem como outras patranhas alegadamente cometidas por um dos actuais vereadores municipais eleitos pelo PS; antigo chefe de gabinete de Gil Nadais) para tentar vender aquela que é considerada a grande bandeira (a transparência na gestão da autarquica) conseguiu a proeza de esconder de comunicação social da região durante dois meses mais um negócio que poderá ir no caminho dos outros acima enunciados: a compra em Abril da empresa entretanto falida Canário, Lucas e Irmão por cerca de 387 mil euros a uma imobiliária, 37 dias depois do património da dita empresa (ainda recheada com a maquinaria que restou das execuções feitas após a insolvência) ter sido adquirido pela imobiliária pelo valor de 139 700 euros. A autarquia pretende criar naquele edifício o novo Museu da Indústria de Águeda, projecto cujas especificidades, valores a investir e possível retorno do investimento feito ainda são desconhecidos do público. Contudo, esta compra levanta-me desde logo algumas questões: porque é que existiu tanto secretismo em volta do negócio? porque é que a autarquia não comprou directamente o imóvel em vez de o ter adquirido pelo triplo à imobiliária em causa? porque é que dois meses depois do negócio, nenhum actor presente neste processo de decisão veio a público informar a compra e esclarecer os munícipes em relação aos planos da autarquia para aquele local?

João José Cardoso, no fim de contas, parece que existem mais artistas neste concelho do que o grande Miguel Vieira Duque…

Comments

  1. elfo says:

    Qual é a pressa,me fala qual é a pressa…….


  2. Pois foi em 2005 que como júri INH não consegui obter resposta capaz de habitação PER construída em plena Ria e como o estacionamento automóvel fica sempre na cave. mesmo antes de ocupada já tinha duas hidrobombas – quem fez o projecto não sei mas o responsável foi a CM – quem decidiu a visita para “premiar” pois que foi entregue no INH – quem construíu não sei e não se enxarcou, – etc – além de nó viário monumental em plena ria quando encontra o mar mas não recordo em que ano foi pois estava em hotel simpático sobre a RIA para ir ao I congresso de Ordenamento e Ambiente na Universidade – é bem situado em área protegida como o Freeport – o min do Ambiente não funciona já se sabe nem o vereador do ambiente que na maioria das CM é advogado para interpretar, melhor, as leis de áreas protegidas – não sei se no inverno em que o mar galgou a beira mar e dunas, aconteceu alguma coisa na Ria – sei o que sucedeu em Esposende – gostava de perceber como há quem decida fazer o pir possível sendo universitário e político – os Relvas proliferam


  3. Sugeria-lhe que “puxasse por uma cadeira e se sentasse”…porque as respostas para as suas questões poderão tardar. Hipoteticamente, não convém de todo a “alguém” que estas questões sejam do conhecimento público, porque enfim… quiçá poderão estar em causa grandes “interesses”, que por sua vez poderão envolver prestigiados nomes das grandes elites (?)
    Mas…a seu tempo, certamente tudo se virá a saber…esperemos! 🙂


    • Tomando em conta que nos últimos tempos a Polícia Judiciária fez várias visitas à Câmara Municipal… contudo, pelo que sei, tenho a certeza que irá fazer muitas mais.


  4. Coitadinha da Veneza Portuguesa e de tudo onde tocam os que não sabem fazer e rodear-se de quem sabe – Ontem ouvi pela 2ª vez programa com João Nabeiro, hoje comendador e dono de um império – conhecí-o por razões do trabalho que fazia na altura e visitei-o como sendo presidente da Junta de Portalegre com orgulho de ter apenas a3ª classe mas de se rodear de técnicos universitários para cumprir o seu programa de mandato – Nunca mais o vi mas fui sabendo que foi quem ajudou TIMOR comprou todo o café que produzia pois que com seus filhos já tinha a Delta Café e, hoje, tem o 1º Centro mundial de investigação do café (reportagem da semana passada – Dá trabalho a todos os habitantes do concelho – é um homem tranquilo – e lá falou nas qualidades do Café Arábica e Robusta e de Timor (de que por acaso fiz tese de licenciatura sobre as doenças da morte súbita do cafeeiro – anos 60) – mais tarde dedicou-se ao azeite e pediu ao melhor arquitecto Siza Vieira para construir em plena planície aquela bela peça de arquitectura moderna banca como é o alentejo, para LAGAR Gostei de ver e ouvir um homem honrado que fez o melhor pela família mas também para os habitantes seus empregados que em precisam de fazer greve pois que também construíu escolas e centros de saúde – para todos – e não desertou nem construíu dentro da água do Haff Delta (Ria) de Aveiro e chamou para executar o seu sonho os que entendeu serem os melhores – nos USA não teria enriquecido tanto se calhar – Tantos que fogem e, como ele, não constroem aqui tanto de que o país precisa pois que vai desaparecendo o que aqui foi feito nas décadas de 80 especialmente antes da prostituição do betão e betuminoso – Este país precisa de NABEIROS e não de “vendilhões do Templo”

  5. j. manuel cordeiro says:

    Eis mais alguns exemplos do esplendor da gestão autárquica, essa grande conquista de Abril.

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