Na Terra de Miguel Sousa Tavares

diferentes_familias

Marinho Pinto não conseguiu fazer com os Verdes a aliança que desejava no quadro do seu mandato parlamentar na assembleia da Europa, e lá terá de se juntar aos liberais, coitado (*). Ele e aquele senhor monárquico do Partido da Terra: boa surpresa eleitoral para uns (Miguel Sousa Tavares, por exemplo, chama-lhe «o nosso PT»), má surpresa para outros – depende da perspectiva com que se olha para as coisas da política, da Terra em que se está.

Preocupado com a desfeita dos Verdes (como se atreveram?), Miguel Sousa Tavares (MST) usou a última parte da sua crónica no Expresso de hoje para atacar os ambientalistas portugueses e, sobretudo, fazer a defesa de uma pelos vistos mais aceitável «convicção pessoal sobre costumes»: a que afirma ser do interesse (naturalmente superior, na linha naturalista do discurso marinho-pintista) dos filhos (sem pais) não serem jamais entregues a casais homossexuais. «Desde quando alguém que não concorda com a adopção por casais homossexuais é homofóbico? Não é lícito ter uma posição que assenta nos direitos dos filhos e não nos direitos dos pais?»

Parece-me evidente que alguém que não concorda com a adopção por homossexuais é alguém que não tolera (palavra sem qualidades, que afirma a supremacia de uns sobre outros) que os homossexuais tenham os mesmos direitos que os demais. Homofobia é isso, esse medo de quem se acha no direito de se meter na vida dos outros, e especialmente naquela dos que são diferentes da maioria – em nome, designadamente, do que consideram ser os interesses dos filhos para adopção.

Se há coisa que os anos consagram é um certo (e sempre deprimente) determinismo: mediante a educação e a cultura predominantes de um lugar, isto é, dos valores por essas vias profundamente enraizados em cada um. MST, filho de uma mulher que fez da poesia (lugar mental em que cabem todas as diferenças de que a vida na Terra se faz) o seu caminho longo, podia perfeitamente não ser uma dessas pessoas, consagrando a excepção.

Comparativamente, José Rodrigues dos Santos a defender a abstenção até nem parece muito grave.

 

(*) Foi com o governo do  líder dos liberais no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, primeiro-ministro belga entre 1999 e 2008, que foi votada a lei que legalizou o casamento gay em 2003 e a adopção por casais homossexuais em 2006 na Bélgica.

Comments


  1. OS afrikans e os sudistas diziam que não eram racistas, apenas achavam que os negros não eram suficientemente adultos para cuidar de si próprios.
    Estes não são homofóbicos, apenas acham que os homossexuais não são suficientemente honestos para cuidar de crianças.

    há sempre uma excelente razão para ser racista, mas são raros os que assumem que o são.

    Os meus “preferidos” são aqueles que dizem “tenho um amigo negro que”, “tenho um amigo homossexual que”, em geral concordam com eles.
    São os negros de estimação, toda a gente tem um. Como se tem um cão ou um gato ou um canário na gaiola.


    • Parece assim que ser negro e/ou homosexual não têm NOME cristão e de família – só têm pele ?’interessante – não foram registados e muito menos baptizados – são apenas negros e homo – BOA – e é marinho de pinto advogado – com o interpertara a lei se acha ate que a lei REN é fundamentalista ?? e vai eles para o PARTDIDO da TERRA – fazer o quê abater a lei da REN e proteger os “Macários” algarvios =??? Os melhores nos lugares de maior responsabilidade ?? A lei está bem defendida e, agora, até o Trib Constitucional ?? Cowboys fora de Lei

  2. JgMenos says:

    A idiotia esquerdista – uma vez que verdadeiramente já não se atreve a declarar-se socialista na economia (comunista seria a palavra certa) -, dirige toda a sua energia destrutiva noutras direcções; acreditam-se criativos, mas não encontram nada mais inovador do que oporem-se a tudo o que se assemelhe a senso comum!


    • O senso comum são as ideias de quem se contenta em conformar-se com o que dizem os outros.
      são as ideias de quem não quer pensar e prefere que pensem por ele.
      é a posição de quem tem cagaço de pensar pela própria cabeça e diz sempre que sim à voz da maioria.
      O senso comum é a base da aceitação das ditaduras, cujas vivem desse princípio : de quem prefere que pensem por ele.

      • JgMenos says:

        O senso comum é o pensamento das massas, esse avatar que a esquerda tanto incensa, que refere como tendo grandes poderes criativos mas cujas convicções e tradições se propõe arrasar para as substituir por experimentalismos que assegurem a ascensão social de vanguardas de treteiros oportunistas!

    • José Peralta says:

      JgMenos

      E idiotia direitista ?

      É quando estás contra o MST quando ele faz crónicas (e não é a primeira vez !) a arrasar com estes canalhas degenerados ?

      E o que é que os canalhas degenerados tem feito, senão “experimentalismos” desbragados e sem nexo, que têm destruido o País e a vida de milhares de famílias, as mais desprotegidas e indefesas, é claro ?

      Sim, porque os túbaros, quero dizer, os tubarões, estão cada vez mais anafados e ricaços ! (Sempre quero ver se o BES não vai ser o novo BPN…)

      Detém-te (mas controla o vómito, se conseguires…) nos “grandes poderes criativos” desta gentalha, “para arrasar com convicções e tradições” !!!!

      E recorda (continua a controlar o vómito…), o “emigrem, não sintam o desemprego como um drama” !!!!

      E lá vão 300.000, (o que é utilizado, com inaudito cinismo, para dizer que “o desemprego diminuiu” !!!!!!!) dito sem um pingo de moral e de vergonha por um tipo rasca e ignóbil, uma blenorragia, um “esquentamento” da Democracia ?

      Quando perdes esse hábito de cuspir para o ar ? Andas sempre de guarda-chuva ?

      E sempre aberto ?

      • JgMenos says:

        Peralta, a grande vantagem da Direita é que não posiciona o homem em estado de santidade (igualdades e fraternidades porque sim, presunção de inocência para quem enriquece sem motivo e umas quantas outras tretas,…) e aceita sem dramas existenciais que o homem pode ser lobo do homem e são precisas regras e força para o manter nos eixos.
        Falares à Direita em ladrões e vigaristas não provocas outra comoção que não seja a que resulta da necessidade de saber que lei e que agente da lei viabilizou semelhante bandalheira ou a fez impune.

        • José Peralta says:

          JgMenos

          Aceitar (passivamente ?) sem dramas existenciais (sem revolta, bem “comportadinhos”, “respeitosamente” conformados e “convenientemente” apáticos ?) que “o homem pode ser lobo do homem”, será isto que, subliminarmente, queres dizer ?

          E “são precisas regras para o manter nos eixos” ?

          Pois são ! E essas regras estão contidas na CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA, sabes o que é ?

          Oiço, (é o caso do dia ) na Antena 1 desta manhã, o aberrante, sórdido, obsceno e criminoso caso de empresas, bancos, etc. que, para admitirem mulheres, as obrigam a fazer uma declaração em que se comprometem a, durante cinco anos, não engravidar. E para não haver prova documental, não fornecem fotocópia dessa declaração !

          Não há denúncias porque isso significa desemprego imediato e até, (e esta gentalha é capaz de tudo !), não havendo prova, um processo por “difamação” !

          POIS A SECRETÁRIA DO ESTADO A QUE ISTO CHEGOU, TERESA MORAIS, chamada a pronunciar-se, faz uma “vigorosa” intervenção, esperneia, estrebucha, indigna-se violentamente contra essa prática que, (JgMenos, agora, além de controlares o vómito, controla também o riso…) “ofende a igualdade de género”, blábláblá, as leis laborais, blábláblá, e “esta”, é que é “a melhor”, VIOLA TODOS OS DIREITOS CONSAGRADOS NA CONSTITUIÇÃO (?????)…QUE, POR ACASO, É A MESMA CONSTITUIÇÃO SISTEMÁTICAMENTE VIOLADA PELO DESGOVERNO DE QUE FAZ PARTE !!!!!!

          E SEMPRE CONTRA OS MAIS POBRES E INDEFESOS !

          E, D. Teresa Morais incita “as mulheres a terem a coragem de denunciar essas práticas”, porque as leis as “protegem”…sabendo, (porque, se diz que não sabe, MENTE !), que essa coragem as manda directamente para o desemprego e protege a impunidade destes canalhas. !

          Será esta, JgMenos, a “comoção” que te provoca a necessidade de saber que “LEI” e que “AGENTE” viabiliza esta bandalheira…e que a faz impune ?

          Não faças como a D. Teresa! Não digas que não sabes…

          E em àparte : Que dirá sobre este escândalo, aquela inefável médica e deputada do CDS, encarniçada “defensora do direito à vida” e contra a IVG, e todos os que a ela se associam e como ela pensam ?

          É que a mim, cinismo e hipocrisia, não me comovem”…revoltam-me violentamente !

          • JgMenos says:

            Peralta, devias ter um lugar no ‘Casos do Dia’ de um qualquer jornal, tal é a tua vocação para o drama e a proficiência em adjectivações!
            Só te vou falar das grávidas, porque aí a ideologia conta:
            – assim como há quem visite empresas não para arranjar emprego mas para carimbar o subsidio de desemprego, também há quem só queira emprego para vir a ganhar direito ao dito subsídio.
            – há também quem queira emprego só para ter as regalias da maternidade.
            E por aí fora…numa parasitagem que sempre são transtornos e custos para as empresas o que as obriga a lutar por obter colaboradores que tenham alguma memória do que profissionalismo e respeito pelo trabalho significa!
            E as empresas, que já têm a vida suficientemente complicada, não têm que promover a natalidade nem são estações de passagem de malandragem ou de projectos parentais.
            As declarações referidas valem zero em termos legais e provavelmente vai verificar-se que só existem em empresas muito pequenas ou de negócios para quem as inibições da gravidez são críticas.
            Devias era reclamar que o teu amado Estado Social tomasse conta das grávidas inaptas para a profissão!
            Às empresas compete pagar trabalho e pagar impostos!

          • José Peralta says:

            Tens uma visão “muito peculiar” da maioria dos teus compatriotas !

            Todos eles são relapsos recorrentes, vígaros contumazes, sempre a “roubar” as empresas, que “coitadinhas” tem que lhes pagar as gravidezes e os atestados médicos…

            Entretanto, há mais de um milhão de desempregados, certamente porque não querem trabalhar, e os 300.000 que emigraram, não foi porque não tivessem trabalho cá mas, simplesmente, porque não quiseram pagar cá os seus impostos, como fazem os grandes patriotas, soares dos santos, belmiros, espíritos santos, etc. etc.

            É este o “estado social” que estimas, são as leis laborais, absolutamente selváticas que defendes, as “empresas a quem compete pagar trabalho escravo, (quando pagam), e pagar impostos (quando não fogem ao pagamento) !

            E há tantos milhões fora do País, diz quem sabe, que com eles, nem teríamos crise, era muito atenuada !

            Para que servem os meus impostos e os dos milhares de portugueses, que como eu os pagam, senão para pagar o Serviço Nacional de Saúde, a Assistência Social, etc. etc.

            E é para lá que vai o meu dinheiro ?

            Curiosamente não encontras culpados nos canalhas do desgoverno, nos empresários cúmplices, e protegidos nas suas falcatruas porque vão ter sempre um lugarzinho de retribuição para as “muares”, quando levarem com a tábua da carroça!

  3. Vera P says:

    E este pobrefóbico que se queixa de ricofobia?
    http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/12473/ricofobia-portuguesa

  4. Fernando says:

    Marinho poderá’ ser uma nulidade no PE, mas que ele esta’ a incomodar muita gente em Portugal, la isso esta’.

    • Dora says:

      depende do que se entende por “incomodar”.


    • incomoda todos quantos ambicionam uma classe política sem oportunistas. E, o problema com os Marinhos e os AMI PRESIDENTE DE SAJA O QUE FOR é que provam uma coisa muito simples : se, enquadrados por partidos, os oportunistas são um grande problema, quando agem sozinhos, são sem eira nem beira, descontrolados de todo.
      Apresentam-se como solução e demonstram ser pior que o problema.


  5. MST tem direito à sua opinião, não basta já de policiamento do pensamento? Uma nesga de opinião contrária é imediatamente homofobia. Caça às bruxas, não obrigado. Como se diz em inglês, deal with it Sara ou lá quem és.

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