A justificação

Na sua selvática operação em Gaza, as tropas israelitas bombardearam, entre outros alvos civis, um hospital. Daí resultou mais um trágico cortejo de mortos e feridos. O argumento dos facínoras foi o habitual: os elementos do Hamas escondem-se entre a população, dizem. Tratando-se de um território minúsculo e de enorme densidade populacional, o argumento seria sempre inconcebível. Mas bombardear um hospital, sabendo-se exactamente o que se está a fazer – não se tratou de um erro de cálculo – é um acto que resume bem a barbaridade do que se passa no terreno. É que, mesmo que fosse verdade que havia homens do Hamas no hospital, pergunta-se: e daí !? Porque raio acham normal que isso explique o ataque? A naturalidade com que se procura justificar este gesto sanguinário mostra quão longe estamos da retórica dos “efeitos colaterais”. Agora é o puro terror arvorado em razão de estado. Com a bênção dos padrinhos

Comments

  1. Gottlieb says:

    Há que dizê-lo sem receio de ser comparado com os discípulos do asqueroso senhor do bigodinho:
    Filhos da Puta dos Israelitas (não todos, mas quase todos).

  2. Joaquim Amado Lopes says:

    Nem mais. Esconder armas em escolas, lançar rockets deliberadamente contra civis e usar civis como escudos humanos são tácticas militares perfeitamente aceitáveis desde que usadas contra israelitas.
    Os únicos criminosos são sempre os israelitas, independentemente do que eles e quem luta contra eles faça.

    • jojoba says:

      De uma vez por todas: Israel tem o poder de escolher bombardear Gaza ou não!! A responsabilidade dos 800 mortos em Gaza é da única e exclusiva responsabilidade do exército e daqueles que decidem bombardear o território. Se não pelo mesmo prisma também terá de imputar a responsabilidade das mortes dos israelistas ao seu governo!!
      E já agora, para além desta ladainha da culpabilização de um lado ou do outro: acha mesmo que este ataque vai ter alguma consequência na resolução do conflito? Acha que estes mortos representam uma melhoria das condições de vida dos israelitas e dos palestinianos? Sem justiça e equidade nas decisões e das resoluções neste conflito nunca haverá paz. A solução é política, como o foi em todos os conflitos coloniais.

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Estou a perceber.
        1. Israel pode escolher não bombardear Gaza mas o Hamas não tem escolha senão lançar rockets sobre Israel.
        2. O lançamento de milhares de rockets sobre Israel (que só não causam mais vítimas devido ao sistema de defesa israelita “Iron Dome”, daí a diferença abismal no número de vítimas) não é uma acção militar/terrorista mas apenas política.
        3. Os mísseis lançados sobre Israel visam melhorar as condições de vida de israelitas e palestinianos.


        • Israel, já agora, é o quê?

        • jojoba says:

          Não respondeu às minhas questões, o que só por si sinaliza bem a sua posição relativamente a este conflito. O que tentei apontar é que os pressupostos que supostamente distinguem o Hamas do IDF são pressupostos falaciosos e pré-concebidos. Dando de barato o contexto desigual em que estas duas organizações operam (uma numa situação de ocupante e outra de ocupado: e nesse contexto Israel, como potencia ocupante tem a obrigação segundo a lei internacional de garantir a protecção da população desses territórios…) a verdade é que quer Hamas quer IDF se regem por pressupostos muito parecidos e o que se diz a proposito de um pode ser dito a propósito de outro: temos duas organizações militares, que empregam métodos duvidosos na tentativa de eliminar aquilo que consideram ameaça pondo por isso em risco a população civil com a qual convivem. O comportamento é o mesmo, e deveria ser o comportamento e não as nossas fantasias utópicas(com desertos reconvertidos em jardins resplandecentes) e democracias exemplares) (ou distópicas, a do muçulmano como ameaça) a determinar o nosso juízo sobre a realidade. Boa noite.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            As perguntas de retórica não são para serem respondidas directamente. E o facto de pretender que Hamas e IDF não se distinguem mas só dirigir “a violência não resolve nada” a uma das partes sinaliza exemplarmente a sua posição relativamente a este conflito.
            A responsabilidade de Israel para com os habitantes dos territórios em questão não implica nem poderá alguma vez implicar que aceite passivamente que uma organização terrorista use esses territórios para atacar o povo de Israel com rockets.

            E o Hamas e o IDF são muito diferentes, não apenas em meios mas também em tácticas e objectivos.

            A diferença de meios resultam numa enorme diferença no número de mortos em cada lado.
            A táctica do IDF é usar rockets para proteger os seus civis e a táctica do Hamas é usar civis para proteger os seus mísseis.

            Enquanto o IDF procura evitar que civis israelitas morram, o Hamas tem por certo que nunca obterá a vitória por meios militares e, por isso, procura a vitória mediática.
            Para o Hamas, cada palestiniano morto pelo IDF é uma vitória (em termos de propaganda e financiamento) e lança milhares de rockets contra Israel precisamente para Israel responder e, inevitavelmente, causar vítimas civis entre os palestinianos porque é no meio destes que o Hamas se refugia.
            Como a comunicação social praticamente não noticia os ataques diários do Hamas contra Israel mas corre a mostrar as fotografias de palestinianos mortos em consequência das respostas de Israel (mesmo quando são fotografias “repescadas” de combates anteriores ou até de conflitos noutras regiões), continua a haver quem acredite que é sempre Israel que inicia os combates quando na realidade é quase(?) sempre o contrário.

            De forma alguma Israel é isento de culpas, em particular na questão dos novos colonatos. Mas pretender que a responsabilidade pela violência reside mais no lado israelita do que no lado do Hamas ou que cabe a Israel acabar com as hostilidades é hipócrita.
            A violência nunca será a solução para este conflito pela simples razão de que quem tem o poder para erradicar a outra parte não o quer usar e a outra parte não aceita negociar (quando o faz é apenas para ganhar tempo para se rearmar).

  3. Ferpin says:

    Acho muito bem que se investigue, a ONU, os bombardeamentos a hospitais e afins.
    Inclusive, Israel tem mais tradição de julgar e meter criminosos na cadeia sem olhar se são políticos ou banqueiros do que nós.
    E, nalguns destes bombardeamentos, alguém tem que ir preso.

    Mas, não comparo Israel a hitler como fazem muitos. Hitler inventou uma invasão a partir da polónia para entrar em guerra.

    Julgo que ninguém duvida que há grupos de radicais palestinianos a disparar mísseis para Israel escondidos no meio de civis, de preferência mulheres e crianças, rezando a Alá que os israelitas ripostem matando mulheres e crianças.

    Isto não desculpa em nada Israel, pois um pais civilizado não bombardeia hospitais mesmo que os terraços do mesmo sejam plataforma de lançamento de mísseis.

    Se os radicais do jamais desejam que morram muitos das suas mulheres e crianças, e a autoridade palestiniana não consegue impedi-los de usar civis como cobertura, preferia que Israel i adotasse uma política diferente que lhe permitisse atingir o maismpossivel apenas “soldados”. Nem que tenha que invadir o território.

    O que é inadmissível é morrerem 700 palestinianos (dos quais centenas de civis)e apenas 30 israelitas. Acho que este número diz tudo.


  4. Que gente é essa que em eleições “livres” vota num bando de assassinos?


  5. 24 julho 2014 é u dia memorável

  6. A.Silva says:

    O sionismo e o nazismo cada vez mais significam a mesma coisa, é pena a maioria dos judeus não ver isso e não ter vergonha de pactuar com uma situação em Gaza que ultrapassa em barbaridade a situação vivida no gueto de Varsóvia.

    • Ferpin says:

      Que enorme ignorância. Comparar Gaza com o gueto de Varsóvia. A sua afirmação chega a ser mais criminosa que os bombardeamentos de Israel.

      • jojoba says:

        Ferpin, consigo perceber (porque a mim também me incomoda) as analogias entre a situação que se vive hoje em Gaza e os horrores vividos pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. É evidente que os palestinianos não têm um campo de concentração à espera como destino final e esse factor é suficiente para que o distanciamento entre as duas realidades seja necessário. No entanto, confesso que dentro de todas as comparações que já vi, esta é talvez a que menos confusão me causa, porque há sem dúvida alguns paralelos que podem ser traçados. Podemos não estabelecer uma relação directa entre os dois casos pelas razões acima invocadas, mas isso não invalida que Gaza não seja hoje em dia um ghetto.

  7. JgMenos says:

    Qundo o Hamas está sem dinheiro, segue-se a guerra.
    Os palestinianos sacrificados rendem sempre bons donativos!

    • jojoba says:

      Quando as sondagens descem para alguns os políticos israelitas uma guerrita vem mesmo a calhar.

  8. Bastos says:

    Sabem o que é viver com a ameaça de um míssil lhe rebentar nas trombas? Se soubessem perceberiam que um Estado não pode deixar os seus cidadãos à mercê de ataques deste tipo. Alguém tem dúvidas sobre o que é o Hamas? Alguém ignora que para estes extremistas a vida humana é acidental? Alguém ignora que em Gaza os habitantes são usados como escudos humanos? Israel usa a força que tem e deve continuar a fazê-lo até almejar a destruição massiva dos mísseis, rampas, paióis e combatentes do Hamas. Existe desproporcionalidade? Óbvio! Mas, desde quando quem tem meios tem que graduar o seu uso? O objectivo de qualquer operação militar é a destruição do inimigo e da sua vontade de combater. Se o Hamas tivesse os meios de Israel, a esta hora tínhamos os israelitas a nadar no mediterrâneo para gáudio dos extremistas iranianos e do autor do post que espero saber que se ofereceu como voluntário para combater os facínoras israelitas.


    • Um estado? agora reconhecemos estados fundados por terroristas, conquistados pela violência e contra o direito à propriedade dos que ali residiam?
      Por esse andar ainda acabam a defender o comunismo.

    • jojoba says:

      Consegue contribuir para a discussão deste assunto para além de recitar a cartilha da Hasbara?

    • Bastos says:

      Cada vez que os árabes tentaram meter os israelitas no mar, tramaram-se. Foram derrotados, ficaram com exércitos destruídos materail e psicologicamente e Israel alargou fronteiras. Assim foi em 48, 66 e 73. Desde então concluiram que melhor seria a via terrorista com o que cavaram a própria “sepultura”. Hoje vivem aterrados por serem alvos das suas criações o que joga a favor de Israel.


      • Claro, os palestinianos metem-se sempre à frente da espingarda dos invasores, e morrem porque são casmurros.
        Tinham-se ido todos embora e os invasores não matavam mais nenhum.

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