A justiça relativa dos erros

Portugal não conseguiu alcançar o desiderato de ficar em segundo lugar, posição que ainda poderia levá-lo à segunda ronda da Liga Mundial, feitas as contas pela Federação Internacional em reunião que terá lugar no dia 28 deste mês. É que, ao contrário da primeira edição da prova, ainda não se sabe quem avança, salvo os primeiros classificados, que garantiram já a acesso. No caso de Lousada, a Áustria é, assim, a única selecção com lugar marcado.

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David Franco (n.º 7), que continuará a jogar na Alemanha, foi eleito pelas equipas presentes o melhor jogador jovem da primeira ronda da World League. Justamente.

As camisolas, empapadas de suor, e a consciência de que a Itália nos foi superior, mostravam bem que, fisicamente, os atletas tinham dado tudo e o silêncio e manifestações de alegria contida dos italianos foram a manifestação do respeito que os transalpinos sentiram durante e após o jogo. Por isso, a ressaca dos nossos jogadores foi serena. Os italianos foram melhores, há que respeitar a justiça. E, quando se cometem erros, todos sabemos que pode ser cruel o desfecho. O resultado de 5-2 é, de facto, impiedoso.

litosHá factores a levar em conta e que podem servir de lição. Num torneio tão curto, de apenas dois jogos por equipa, não pode haver lugar ao erro. Se há erro, ele pode ser mais ou menos violento: a Áustria não conseguiu vencer Portugal, a Itália foi goleada pela Áustria, Portugal não conseguiu vencer (sequer empatar, que daria o segundo lugar, também) a Itália. Para cada exibição menos conseguida, a vitória corria a esconder-se. Assim se escreve a justiça no Universo, muitas vezes de forma aleatória.

Então, não se pode errar? Pode. Para isso, há os estágios técnicos, os jogos de preparação, as concentrações e estágios activos. E nem sempre são suficientes: Itália e Áustria fizeram tudo isso e podiam não ter sido felizes. Portugal não cumpriu completamente o caderno de encargos da exigência, ficou atrás dos outros.

Como fomos escrevendo, houve atletas de maior intensidade competitiva, táctica e tecnicamente mais evoluídos, que estiveram ausentes por opção ou por lesão. Fizeram falta, exactamente, nos momentos em que teria que haver mais soluções, sobretudo quando os erros foram notórios. Em Portugal, a competição de campo ainda não se iniciou, faltou ritmo competitivo (estamos ainda na pré-epoca), parece que contra a Áustria esgotámos as reservas. Ao contrário dos sub-21, em que a planificação foi cumprida e deu frutos, não conseguimos número suficiente de jogadores para tornar útil o estágio em Barcelona, e que falta fez. Mas somos uma modalidade pobre, os atletas trabalham ou estudam, e nem sempre a profissão se coaduna com a prática desportiva ao mais alto nível. Em princípio, por muito mal que soe, raramente poderemos preparar-nos com os níveis de exigência de outras selecções. Mas, quando conseguimos, é fatal como o destino, os resultados aparecem, ainda que alguns continuem a considerar milagre essas sucedidas vitórias. Não há milagres. Ou, se há, chama-se trabalho, dedicação, sacrifício. Se a dedicação e o sacrifício se manifestaram de forma evidente, faltou trabalho ao nível que se impunha para defrontarmos adversários superiores, mas que poderíamos perfeitamente ter vencido.

À margem: A Federação Portuguesa de Hóquei tem um novo desafio: o hóquei paralímpico. Aproveitando a Liga Mundial, realizou-se um meeting de parahóquei. Aqui deixamos a notícia que se impõe. Em imagens que merecem ser vistas, em homenagem também àqueles, atletas e staff, que colaboraram com a iniciativa.

 

(Créditos das fotos: Douglas Rogerson)

Comments


  1. Simples pratico objectivo e esclarecedor… “quem faltou por opção ou por lesão” deveria ler este texto…

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