O topete dos pais apressados do PISA

Santana Castilho*

Guterres tomou posse como Secretário-Geral da ONU. Ronaldo arrebatou outra Bola de Ouro. Cada família portuguesa vai gastar neste Natal 359 euros, diz a Deloitte, e Marcelo vai beijar as 207 crianças que nasceram ontem, prognostico eu. Que importa que no mesmo dia tenham morrido 284 portugueses? Que importa que a Der Spiegel diga que Ronaldo subtraiu 150 milhões ao fisco? Que importa que as contas da Deloitte sejam o resultado de uma média que junta os gastos obscenos de poucas famílias aos gastos miseráveis de dois milhões de pobres? Que importa tudo isso e quem sou eu para contrariar a euforia deste nosso modo bipolar de viver? Mas a festa dos pais apressados dos resultados do PISA, essa, tenho que a contraditar.

Quando toca a hora de colher louros, é enternecedor ver ex-ministros, que se digladiaram e reclamaram autores de teses opostas, aceitarem que as suas políticas, juntas, produziram bons resultados. O paradoxo talvez se resolva se trocarmos as premissas da equação. Se em vez do “graças a Lurdes Rodrigues” ou do “graças a Nuno Crato”, dos prosélitos, tentarmos os bem mais certos “apesar de Lurdes Rodrigues” e “apesar de Nuno Crato”.

Ambos escreveram artigos sobre os resultados do TIMMS e do PISA (DN de 7/12). Antes de se porem em bicos de pés, qual casal modelo, pais apressados do sucesso alheio, eles que humilharam, acusaram, denegriram e prejudicaram os professores como ninguém, tiveram o topete de lhes tecer, agora, rasgados elogios. Que pouco decoro! [Read more…]

Adoro o cheiro a teclas pela manhã

Napalm e teclas de computador – armas de destruição maciça. Aproveitando a ponte de hoje, feita com um dia de férias, já agora, fui ver o que se anda a rabiscar no terreno educativo. Foi um pagode à conta da risota.
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Eu é que sou o pai da criança!

crato_14A partir do momento em que um país se abre ao mundo, após quarenta e oito anos de clausura, é natural que a Educação beneficie, porque as ideias entram, o saber espalha-se, os livros circulam, as mentalidades mudam, enfim, tudo aquilo que a História da Educação em Portugal já sabe e mais saberá no futuro, esse sítio em que o passado fica mais distante e menos presente.

Ainda assim, os que se preocupam verdadeiramente com o assunto vivem insatisfeitos, especialmente quando se fica com a impressão de que o Ministério da Educação é uma instituição cujo principal objectivo é atrapalhar a vida das escolas, introduzindo alterações sobre alterações, sempre com a colaboração de departamentos universitários ou de cliques partidárias.

De qualquer modo, repita-se, as melhorias são evidentes e naturalmente demoradas, porque a Educação leva o seu tempo e porque há, como vimos, quem goste de a atrasar. [Read more…]

Educação? Perguntem à M80!

m80As escolas – e, portanto, todos aqueles que aí trabalham – são rochedos que vão resistindo como podem às muitas intempéries a que estão sujeitos. Políticos, professores universitários de muitas áreas, empresários, teóricos, cronistas, jornalistas, analistas, todos pensam saber mais sobre Educação do que aqueles que trabalham nas escolas. O costume: num convívio de dez pessoas em que uma seja professor, os outros nove têm sempre explicações a dar e medidas infalíveis para propor, ficando o professor desvalorizado por ser parte interessada. Até Cavaco, com o génio que se lhe reconhece, resolveu, há poucos anos, os problemas nos concursos de professores. [Read more…]

Professores: O Luto (parte 2)

O que suspeitava aconteceu e a pancada começou a cair.

Não tenho qualquer intenção de branquear nada, como poderás ver neste post. Procuro, antes, colocar alguns factos em cima da mesa que ajudam a fazer uma reflexão. Queria ir para lá do sentimento, queria ir para lá do lugares comuns. Posso falhar, o que provavelmente acontecerá, mas vamos lá continuar.

Numa coisa, MLR foi absolutamente incomparável. Na forma como se relacionou com os Professores.

Não me esqueço do que eu disse no Cinema Batalha, no Porto, onde foi proposta a Manifestação de 2008. Mas, também não me esqueço que estive na rua, uma primeira vez, a 5 de Outubro de 2006 onde 25 mil pessoas me pareciam a maior possível. Na altura, em que o ECD estava para cair, “poucos” quiseram saber – não acordei com a avaliação.

Invoco essa manifestação porque me lembro de que nesse dia, Walter Lemos, ter divulgado um “estudo” que falava em milhões de faltas. Confesso que, nessa altura, estava ainda muito longe de perceber o que estava para vir.

Se estive EM TODAS de alma e coração, tenho hoje a certeza, por testemunhos vários que houve partidos a convocar militantes para as manifestações –naqueles momentos desconhecia isso. Quem estava por dentro das máquinas partidárias sabia, mas eu, apenas ligado ao sindicalismo, desconhecia. Ter menos de 35 anos também ajudava…

E, só percebi isso, quando, já com Crato foi preciso fazer as lutas duras, aquelas que custam: Greve aos Exames, PACC…

Ora, nesses dias, a malta do PSD colocou-se [Read more…]

Professores – vamos lá fazer o luto? Maria de Lurdes ou Crato?

Este post nasce de uma troca de posts no Face com o Paulo e não é um texto final. Digamos que pretende ser um draft de algo que ando para fazer há muito tempo e que, hoje, pode começar a nascer, ainda que torto. Obviamente, vai ser para levar pancada, mas acho que temos mesmo que fazer isto para poder avançar.

Vamos lá então!

Durante os quatro anos de Nuno Crato houve uma discussão recorrente nas nossas salas de Professores:

Maria de Lurdes Rodrigues ou Nuno Crato, qual deles foi pior?

Quero começar por dizer, algo que aprendi no mundo sindical – a dimensão pessoal não é um argumento a usar e por isso, no plano pessoal, ambos me merecem o máximo respeito pessoal. No entanto, no caso de Maria de Lurdes Rodrigues, 8 anos depois, penso que podemos dizer que houve muito de emocional na luta contra as políticas da senhora. A 14 de setembro de 2008, às 23h32, quando encerrei o meu blogue escrevi: [Read more…]

Savile Row

saville row

© Yu Fujiwara (http://bit.ly/1Hv1jQy)

She’s hangin’ on his arms

like a cheap suit

— David Bowie

***

Hoje, o director do Correio da Manhã escreveu o seguinte:

Vai uma enorme polémica e uma ainda maior onda de indignação nas redes sociais por o CM ter dito que uma cega é cega e que um cigano é cigano.

Lembro-me bem da polémica e da indignação que não houve, quando o director do Correio da Manhã garantiu que

A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, caro Leitor, quando já ninguém estranhar a palavra “facto” escrita sem cê.

Efectivamente, quer há cerca de um mês, quando voltei a passar por Savile Row – desta vez, a caminho da rua do Ziggy–, quer hoje, ao ler uma entrevista relativamente recente,

fato

lembrei-me dessa indignação e dessa polémica que não houve. Não houve polémica? Não houve indignação? Claro que não. Não houve nem polémica, nem indignação. Contudo, há fatos.

O regresso da prevaricadora pública

maria de lurdes rodrigues

Num país onde os rostos públicos tantas vezes não têm cara onde meter a vergonha, Maria de Lurdes Rodrigues reaparece palrando sobre políticas públicas. O país é o mesmo onde a TSF a considera um “Par da República”, juntamente com Proença de Carvalho, o que diz tudo sobre uma República cada vez mais mera república.

Pode ainda andar de recurso em recurso, mas a socióloga de engenharia das profissões foi condenada em tribunal a uma pena suspensa de prisão de três anos e meio e ainda a pagar ao Estado 30 mil euros, por ter contratado o irmão de um amigo, colega e camarada, para fazer o que nem fez nem tinha competência para fazer. Chegámos pois ao estado em que quem usou um cargo governamental para vigarizar o estado beneficiando um correlegionário pode andar por aí, como pretensa defensora da coisa pública. Volta Salgueiro Maia.

Nestas circunstâncias, compreende-se que quem fechou escolas possa escrever: [Read more…]

A condenada Maria de Lurdes Rodrigues no seu melhor:

MLR

in Expresso 25/10/14

Maria de Lurdes Rodrigues, a privatizadora

maria lurdes rodrigues pena suspensa

O programa político da traficante de influências Maria de Lurdes Rodrigues era claro: privatizar a escola pública. Há quem, sobretudo à esquerda, não veja isso apesar da sua mais profunda reforma, a da gestão das escolas,  e  de ter aumentado a privatização concreta através do tráfico de contratos de associação, para onde o Ministério Público deveria olhar com atenção. A prova dos nove chegou agora:

Quando se institui como critérios de base para recrutar a nota de curso e tempo de carreira, isto é o grau zero da inteligência no recrutamento.

disse a condenada a pena suspensa. Ora o que faltou para essa mesma privatização, mas grandes passos anda a ser dados, é precisamente a célebre “liberdade de contratação das escolas”.

Isto é muito simples: a nota de curso e o tempo de carreira são os únicos dados objectivos que permitem ordenar professores. E o estado não é o colégio onde se escolhem os da mesma religião, os amigos dos amigos, nalguns casos que os vi os do mesmo cartão partidário. Acabar com esta seriação é o sonho de quem quer abrir as escolas ao negócio, à cunha, ao compadrio e nepotismo. [Read more…]

Sem vergonha nem perdão

Maria de Lurdes Rodrigues

A pior ministra da educação da República voltou em forma de livro e entrevistas. Nomeada pelas suas competências em sociologia das profissões, vulgo ciência de capatazes, iniciou a privatização da escola pública em curso criando um modelo empresarial de gestão enquanto aumentava o financiamento ao ensino privado, colocou os professores no pelourinho, cuspiu e regressa hoje no Público onde afirma que temos “um défice de qualificação de adultos de todas as idades“. Pois temos. E estamos pior desde que ela própria fechou o ensino recorrente e ordenou a passagem rápida de diplomas a quem os solicitasse.

Há gente que não tem vergonha nenhuma na cara, admitindo que têm cara, o que neste caso é muito discutível.

Está morno

O CGP anda lá perto. Se usar o google ainda chega lá.

Os “coisos” contratados

Ricardo Fontes

(Desabafos de um ingénuo aspirante a professor)

Há 16 anos que sou um professor contratado… Peço perdão por ter usado o termo “PROFESSOR”. Isso não posso ser. Certamente não o serei. Serei um solidário contratado, um participante de união da classe docente contratado, um “pato” contratado, um totó contratado, enfim, uma qualquer “coisa” contratada, que não um “PROFESSOR”. Se fosse professor, era tratado mal, como têm sido os professores, e eram-me, de quando em quando, repostas algumas injustiças como o têm sido aos professores. A mim e a milhares de “coisos” contratados deste país tiraram tudo. Estar aqui a enumerar o que tiraram parece-me ridículo. Lembrar-me enoja-me. Hoje não vou por aí. Estou cansado, com vontade de desistir. Sejam Nunos, Lurdes ou sei lá quem, estão longe. São estratosféricos e todos da mesma cor: castanha, cor da terra que lentamente nos decompõe depois de mortos. Portanto, hoje não é para eles. Hoje é para aqueles que me chamam “colega”, coisa na qual confesso ainda ter tido a ingenuidade de acreditar durante uns anos. Entendem? Os PROFESSORES mesmo. Pronto, está bem, eu digo: os do “quadro”.

Há uns anos, quando era ministra da educação a Sra. Maria de Lurdes Rodrigues, a classe docente entrou em polvorosa (e muito bem, na minha opinião), devido à questão da avaliação docente. Mega-manifestação em Lisboa, muita luta, muita união… Alguns, com a t-shirt de 60 euros do “Che” vestida, cantavam com todas as suas forças a “Grândola vila morena” do… “José Cid”. Há coisas que nunca mudam…

Nessa altura, estava colocado numa escola do centro do Porto. Éramos obrigados a entregar os famigerados objetivos individuais. Corria o boato que quem não o fizesse, teria penalizações gravosas. Os casos “Charrua” sucediam-se. Então, pensando nos meus encargos mensais, na situação laboral ainda mais precária da minha mulher, nas duas filhas pequenas (uma delas recém-nascida), apoderou-se de mim um sentimento que me era proibido: medo. Entre cerca de 200 professores, fui o primeiro a assumir que entregaria os objetivos individuais. Uma colega, do alto dos seus 30 anos de serviço, interpelou-me. “Então colega, onde está essa solidariedade?” Esta colega, na dita mega-manifestação, numa das primeiras filas, empunhava um cartaz com os ditos “Em defesa da escola pública”. Essa colega tinha dois filhos a estudar no ensino privado… Obviamente, disse-lhe: “Por favor, passe-me um cheque com o valor dos meus salários até ao final do ano letivo, para o caso do sofrer a dita penalização, e, com todo o prazer, não entregarei os objetivos individuais.” Claro que também lhe perguntei por onde tinha andado a sua solidariedade face aos problemas gravíssimos que já atingiam os “coisos” contratados há muitos anos. [Read more…]

As “swapadelas” de Crato e as piruetas de Grancho

Santana Castilho*

Nos tempos que se sucederam ao 25 de Abril, os meses de preparação do ano-lectivo não eram fáceis. Recordo períodos de agitação social, sobretudo pela carência de espaço para albergar todos. Hoje, a meio de Agosto, temos professores sem horários, alunos sem escola e directores sem directivas. E, pesem embora os protestos, que são muitos, prevalece uma paz podre, que escancara portas à “swapagem” da competência mínima (para servir o público) pelo golpe máximo (para anafar o privado). Esta abulia cidadã, esta ausência de eficácia cívica perante as engenhosas formas de corrupção do futuro, permite, diariamente, o atropelo do Direito, da Moral e da Ética. Quanto mais tarde reagirmos, mas reagirmos de facto, com firmeza que diga não, não de verdade e para durar, maior será o número dos que ficam pelo caminho e mais tempo necessitaremos para reconstruir o que este Governo destruiu em dois anos de criminosa política educativa. Duas velhas frentes adormecidas foram reabertas para apressar a implosão do ensino público: o exame de acesso à profissão docente e o cheque-ensino. A manobra justifica público comentário. [Read more…]

O cúmulo da demagogia

É ler Maria de Lurdes Rodrigues sobre os resultados dos exames.  É tanta a mentira como a ignorância.

A lindíssima voz de um professor

Crónica de uma greve lavrada em português suave – Manuel Fontão

Adelino Calado, um capataz ao serviço de qualquer ministro

O primeiro  capacho de serviço, que convocou todos os professores do agrupamento de escolas  onde é director para o serviço de exames na próxima 2ª feira, tem cadastro: já era um modelo na aplicação das avaliações à moda de Maria de Lurdes Rodrigues. Um exemplo a seguir, do director amigo dos autarcas

e apoiante óbvio do candidato do PSD que o manterá no lugar. Que sirva de uma vez por todas de exemplo para os que acreditaram na política de destruição da escola pública de Sócrates: o objectivo era este, colocar à frente das escolas boys de qualquer idade, desde que servis perante o poder político. Conseguiram. Não fosse isso e Nuno Crato não era ministro desde o ano passado.

informação via Contra-Reaccionário

Os sindicatos de professores andam a dormir?

Num momento em que a greve dos professores está no auge e o ministro da Educação acaba de esticar a corda, num caminho sem retorno, os sindicatos parecem ter adormecido na luta. Se esta já está extremada da parte do Governo, cumpre aos sindicatos fazer o mesmo.
Não é pedir mais negociações suplementares. Já se percebeu que o Governo nada tem para oferecer. Não é deixar que os prazos para novos pré-avisos se esgotem.
A partir do dia 24 de Junho, não haverá greves, pelo menos até agora – e já não há muito tempo para fazer o pré-aviso. E depois? Correrá tudo normalmente como se nada tivesse acontecido? Meia dúzia de dias de atraso, é isso que querem? E ficamo-nos por aqui?
Deixei de ser sindicalizado em 2008, no dia em que a Fenprof assinou o Memorando da Traição com a Ministra da Educação, a prevaricadora Maria de Lurdes Rodrigues. Estava disposto a dar uma segunda oportunidade aos sindicatos, mas infelizmente não vejo sinais assim tão positivos.
Era agora, com greves próximas dos 100% diariamente, que os sindicatos tinham de mostrar a sua força. E o que fazem? Abandonam a luta?

O relambório da OCDE e a educação

Assim a correr, dar importância aos estudos encomendados por este governo é dar-lhe a seriedade que não tem. O Relatório da OCDE refere a educação nestes termos:

Investment in school-based teacher training and school leadership, a consolidation programme to create larger school units, and the introduction of school evaluation routines yielded significant gains in the 2009 PISA test scores for reading, mathematics and science.

Liderança nas escolas traduz-se pela destruição de um modelo de gestão que funcionava, somam-se os mega-agrupamentos, as avaliações das escolas, e temos os resultados do PISA 2009. Ainda podia explicar ao idiota que escreveu isto como em educação os ganhos, e as perdas, nunca são imediatas, mas nem é preciso: todas essas medidas começaram a ser aplicadas em larga escala precisamente em 2009. Donde se conclui que os resultados dos alunos no PISA são uma consequência retroactiva, uma inovação científica que vale um Nobel de qualquer coisa.

Como não chegasse, o resto das referências incluem o choradinho do custo de reprovar um aluno, discurso muito caro a Maria de Lurdes Rodrigues e detestado por Nuno Crato. Devem pensar que ela ainda é ministra da Educação. Só pode.

Maria de Lurdes Rodrigues: in memoriam

zombies-620x412José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues são, para mim, dois cadáveres políticos. O problema é que Portugal é o reino dos mortos-vivos, em que zombies destes se alimentam do cérebro dos portugueses. Ora, sem cérebro é natural que não haja memória ou conhecimentos. [Read more…]

Crato Mentiu (I)

No jornal I, a ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, diz tudo o que eu quero dizer:

“Diminui-se o número de disciplinas, as crianças estão menos tempo na escola, precisamos de menos professores, logo está reduzida a despesa. Mas interrogo-me sobre o sentido desses cortes. O movimento que estávamos a fazer antes era o contrário – era ter os nossos jovens mais tempo na escola.”

Ensino e Educação – negócio e sociedade

Está longe de ser uma posição que recolha grande aplausos, mas continuo a bater na tecla – o que está em cima da mesa em termos de sistema educativo é a passagem de uma lógica em que se educa para um ambiente em que apenas se ensina. Uma escola que parece ser um negócio para alguns, poucos, e uma opção péssima para muitos. E agora a ligação que vai surpreender, mas onde podemos ler, globalmente, algo que faz muito sentido – Menos despesa, mais educação.

As diferenças entre José e Pedro

José foi Pai por convite  e Pedro um amigo de Jesus. Não creio que, pela proximidade ao Mister, qualquer um deles tenha merecido passos_coelho_jose_socrates_lusauma convocatória para a cidade condal. Aliás, estes dois nomes, com muitas semelhanças e algumas diferenças, terão alguma dificuldade em encontrar um lugar simpático lá em Cima.

Acredito que possa haver perdão em doses industriais para distribuir a quase todos, mas palpita-me que perante o evidente interesse público do perdão, este vai a caminho de ser privatizado ou então convertido numa parceria público-privada.

Na prestação de contas educativas in loco, cá pela Litosfera, diria que há uma enorme diferença entre José e Pedro  – José fez mal, mas não procurou transformar e educação num negócio. Pedro olha para a Educação e para a cultura como uma coisa menor, vendável e apetecível aos amigos. [Read more…]

Maria de Lurdes Rodrigues, a holocáustica

Maria de Lurdes Rodrigues não perde uma oportunidade de confirmar a sua nulidade. Entre 2005 e 2009, usou a pasta da Educação para acentuar a ruína do sistema escolar português. Como prémio, chegou à presidência da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Parece-me justo, porque não é fácil encontrar funcionários competentes na área da demolição.

Foi do alto dessa presidência que, recentemente, pôde proferir uma série de patetices sobre o ensino do Holocausto em Portugal. Respigo-as e comento-as ao de leve, esforçando-me por manter alguma civilidade, muito a custo. [Read more…]

Hoje há rankings fresquinhos

Não, não gosto de rankings. Por formação acredito pouco em seriações quantitativas, atrás de um número haverá sempre palavras e essas não se ordenam, e a própria palavra tem lá um king disfarçado mas que desperta o republicano que vive em mim. A vida, e a escola, não são um campeonato.

Do mal o menos, este ano foram disponibilizados dados que permitem enquadrar, no ranking do Público, um bocadinho da realidade atrás das médias: a conclusão é tão óbvia que nem vale a pena referi-la.

Mesmo assim a falácia continua. No bocadinho de escolas que conheço bem constato a espantosa subida de uma, iniciada o ano passado, com o pequeno detalhe de nessa secundária ter deixado de existir o ramo das humanidades durante anos, cuja ausência como é óbvio distorcia as médias. Ou entendo o sucesso da escola onde trabalhei o ano passado, que ficou no topo dos exames do 9º ano muito por conta de uma turma excepcional que este ano não se voltará a repetir com turmas de 30 alunos. [Read more…]

Maria de Lurdes Rodrigues, construções Mota Engil ilimitadas

Para a climatização foram pagos mais de dois milhões de euros, mas conforme a auditoria apurou os equipamentos estão desligados “dadas as dificuldades orçamentais da escola face ao aumento das despesas de funcionamento, o que contribuiu também para a falta de qualidade do ar nas salas de aulas, por existência de ventilação natural.

Com tanta coelhice à solta a malta vai-se esquecendo de como para o PS investimento público significa roubar o público para beneficiar o amigo privado.  Saiu mais um relatório do Tribunal de Contas sobre empreitadas concretas da Parque Escolar. A confirmação do óbvio, e confesso que nesta altura do campeonato ando mais curioso sobre as catástrofes arquitectónicas, quanto às “derrapagens” estamos conversados. A legislação garantidora de que esta gente nunca será julgada e condenada com penalizações proporcionais ao prejuízo causado não será alterada, as campanhas eleitorais e os empregos pós-governo custam a todos. Ou melhor, até pode ser, mas para isso era preciso um governo de gente honesta, e convenhamos que nessa altura faria muito menos falta.

na imagem, da CML, os criminosos inauguram o local do crime.

A festa

Confesso que já tinha saudades desta senhora.

Apesar das coisas boas que algumas pessoas continuam a ver no seu trabalho e sobre as quais já escrevi no Aventar, vi sempre (defeito meu!) um ódio naqueles olhos de alguém que acorda todos os dias com uma má disposição tremenda.

E a dificuldade em defender as suas políticas continua cada vez mais evidente. Então agora, a Parque Escolar foi uma FESTA? Será que vi e ouvi bem? Uma Festa?

Valha-me S. Gregório, ouviria eu agora em Rio Tinto. Deixo outra festa para esquecer tal peça. [Read more…]

O delírio

Parque Escolar “é um exemplo de boa prática de gestão”, afirmou MLR

Outros exemplos de excelência: Madeira e BPN.  Pelo menos foi o que me contou ontem um sujeito enquanto me atirava areia para os olhos.

Ladrão que acusa ladrão não deixa de ser ladrão

PS acusa Governo de colocar em causa a escola pública

Desumanizar a Escola: um projecto PS/PSD/CDS

A melhor Escola possível deve ser uma comunidade dotada de autonomia, um espaço suficientemente pequeno para que os alunos se sintam protegidos e suficientemente grande para que se sintam desafiados. Deve ser um espaço em que os alunos possam participar em várias actividades e clubes, em que possam contactar com várias artes, em que não sejam confrontados com invenções curriculares e legislativas constantes. [Read more…]

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