Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

Carlos Costa nem sequer coloca a hipótese de que as pessoas possam faltar ao trabalho por estarem doentes: as razões para frequentarem os centros de saúde são outras e nenhuma delas resulta de problemas de saúde. Pelo meio, ainda ataca os médicos que, pelos vistos, aceitam participar nesta rábula.

É uma técnica habitual usada pelo pessoal que tem como passatempo atacar os direitos dos trabalhadores ou a solidariedade devida aos mais frágeis: basta lembrar, por exemplo, a referência de Paulo Portas a pessoas que perderam o direito ao Rendimento Social de Inserção por terem mais de cem mil euros na conta bancária. É claro que o vice-primeiro-ministro não disse quantas pessoas havia nessas condições, mas a lama ficou colada a todos, que os porcos não têm cuidado.

Finalmente, Arménio Carlos relembra, e bem, que Carlos Costa deverá ser coerente e pedir a sua reforma, porque tem revelado uma absoluta inadaptação às funções que deveria desempenhar. Ainda assim, espero que não perca muito dinheiro quando se reformar e que se possa dedicar à frequência dos centros de saúde, porque é sempre bom uma pessoa ter uma distracção na velhice.

Comments

  1. Rui Moringa says:

    É impressionante a total desfaçatez utilizada. Pergunto-me mim mesmo, quem é que esta gente pensa que é? Não haverá por aí uma qualquer providência que envie uma praga de gafanhotos que os leve, mesmo antes de irem também para as filas dos Centros de Saúde?
    Cada vez mais me vem à memória as frases de Bauman sobre a gente descartável. É assim que nos olham!!! A ser assim, esperarei pelo dia em que tenha a possibilidade de cuspir no copo da água que pedirem para beber.

  2. antonio oliveira says:

    O antecessor deste marmanjo era acusado de falar pouco. Este, pelo contrário, fala demais e gosta de mandar palpites sobre assuntos alheios ao cargo que ocupa.


  3. é a novilíngua ao mais alto nível Nabais…

  4. Nightwish says:

    Ó Carlos, pense antes na eutanásia, era mais barato…

  5. coelhopereira says:

    É isto a “elite” deste país… Atiram os mais velhos (aqueles a quem aumentaram a idade da reforma, pois descobriram que alguém à beira dos setenta está a entrar na buliçosa adolescência…) para o caixote do lixo e sobra quem, neste momento, para dar algo de válido ao país? Tenham calma, este senhor mais os seus queridos amigos: com a sangria desatada de fuga de gente nova altamente qualificada que este país está a sofrer (e sofrerá ainda mais), um dia destes até aos lares de terceira idade irão buscar jovens “colaboradores”. Pensavam que a malta ficava cá a levar, dia sim, dia também, com o esterco que lhes sai daquela tripa a que chamam cérebro? Enganaram-se. O que vão ter é a chamada “retomazinha” da economia cozinhada por trafulhices estatísticas e uma força laboral que é um cortejo doloroso de andarilhos e arrastadeiras, pois quem quer ter um futuro já se pôs a andar daqui para fora. E não volta.
    Que mal fizemos nós para merecermos tal sorte?


  6. Mas como é que ele sabe da frequência dos bancos nos centros de saude e passou-lhe ao lado essa coisa dos bancos do capital?


  7. Um velhadas incompetente e cínico e que merecia uma palete de salsichas educativas e outras do tipo Super Size Bratwurst na tola. Isto para não dizer palavrões.


  8. O que será que é dificil de entender na frase : Não há trabalho para todos hoje e ainda haverá menos no futuro.

  9. carlos santos says:

    O sr costa está em adiantado estado de demência que não tem salvação possível, já nem os bancos dos centros de saúde o safam, que Deus o encaminhe para onde encaminhou a minha avó que era muito melhor pessoa que este verme.

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