O que é uma susana valente?

fb11É decerto um espécime criado num dos viveiros das juventudes partidárias, o que lhe permitiu desempenhar papéis de relevo na política espinhense e no mundo das anedotas de louras. Na sua página de linkedin, usando uma língua semelhante ao português, apresenta-se:

Destaco o empenho, o rigor e a dedicação para ser bem sucedida e prestar uma efetiva e produtiva colaboração em todos os projetos que participo.
Capacidade de gestão de prazos e cumprimento de deadlines.
Organizada, responsável, capacidade de liderança, de gestão, maturidade, dinamismo, pró-atividade, de análise e de comunicação aliada a um forte espirito de equipa.

Palavras para quê? É uma mulher que participa projectos e que não só tem capacidade para gerir prazos como para cumprir deadlines. [Read more…]

Mota Soares: soldado, ladrão, democrata, cristão

mota_soares.paginaNo dia 10 de Novembro, Pedro Mota Soares declarou o seguinte: “Hoje um casal com filhos pode receber quase 330 euros de rendimento mínimo, pode ter um conjunto de apoios de abono de família de 35 euros, pode ter um conjunto de apoios escolares de 276 euros, pode ter um apoio à renda de 280 euros, pode ter um apoio de transporte de cerca de 45 euros e chega ao final do mês com um rendimento de 950 euros.”

Pedro Mota Soares é ministro da Solidariedade. Há quem pense que isso faz tanto sentido como imaginar Hitler na presidência de uma hipotética Associação de Amizade Alemanha-Israel, mas a verdade é que Pedro Mota Soares é mesmo ministro e da Solidariedade também. Para que haja ainda menos humor, é importante lembrar que pertence a um partido democrata-cristão.

Uma alma mais ingénua ainda poderia pensar que Mota Soares estaria revoltado com o facto de haver famílias que sobrevivem com apenas 950 euros, mas parece que, segundo o ministro, isso é dinheiro a mais, constituindo, até, um “risco moral” porque pode levar os beneficiários a não procurar emprego. Aliás, não seria de espantar que alguém atribuísse o aumento do desemprego à falta de vontade de trabalhar, o que quereria dizer que os preguiçosos se multiplicaram desde que Passos Coelho chegou ao governo. [Read more…]

Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

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Da série ai aguenta, aguenta (8)

Apoios vão ser ainda menores: Pensão de sobrevivência, Pensão de invalidez, Pensão de Velhice, Subsídio familiar por doença, Rendimento Social de Inserção, Subsídio de desemprego.

Pedro Miserável Soares

A ler: A Miséria Moral.

Voluntários à força

RSI: quem recebe obrigado a trabalhar

Hoje dá na net: DESAMARRAS | Rostos do Rendimento Social de Inserção no Porto

Para que serve o Rendimento Social de Inserção?
Financia a preguiça ou é uma medida socialmente útil e indispensável?
Que problemas e questões se levantam na vida de quem dele beneficia?
Estas são algumas das suas vozes.

Meta a demagogia fácil no bolso e veja como é. Eles têm cara e têm vida. Por enquanto.

Rendimento social de inserção: a próxima vítima

Em vésperas de concluir o 2º ciclo Cristina Oliveira da Silva escreve no Diário Económico, e o revisor concorda:

No período homólogo, eram precisamente este último grupo – os rendimentos de trabalho – que assumiam a liderança.

Também descobriu que 18% dos chulos do Rendimento Social de Inserção têm conta bancária, e 29% outros rendimentos como “acções, depósitos a prazo, contas-poupança ou outros.” Não se percebe se os 29% incluem ou não os 18%, e nem isso agora interessa para nada, como diria a grande Teresa de outros embustes.

Qual o valor dessas poupanças, e já agora quanto rendem, não é notícia. Notícia são os 18% que têm a lata de receber do estado tendo conta num banco. Que horror. Vão já pedir para a porta das igrejas, seus malandros (rosnar miudinho).

A rede viral dos jornalistas em vésperas da conclusão de qualquer coisa lá funciona: no I Cláudia Reis troca um cerca por um quase. Estão feitos ao bife, os quase 18%, os quase 29%  ou, o mais provável, os cerca de 47%, levam já com o corte do RSI, vão lá viver por conta dos rendimentos, cabrões de merda, e a partir de agora o pagamento é feito por transferência bancária, seus chulos, não tens conta? vai pedir para a porta da igreja, filhodaputa, moinante, gatuno (rosnar já muito grande). É por causa disto que este país não avança, não é Cristina Oliveira da Silva? (cães a ladrar muito alto, em primeiro plano).

Ando a trabalhar para pagar o Rendimento Mínimo

A frase, ouvi-a ontem à porta de uma IPSS. Pelo que percebi, nos breves momentos em que aproveitei para ouvir a conversa fingindo que espreitava uma montra, a autora da frase falava com uma amiga, Assistente Social daquela IPSS. Exactamente assim: «Ando a trabalhar para pagar o Rendimento Mínimo».
Os calores começaram-me logo a subir, como sobem sempre que ouço uma frase do género. Mas a frase da Assistente Social salvou-me. Valha a verdade que não era uma senhora que devesse muito à beleza (assim um misto de Gabriela Mistral com Catherine Ashton), mas naquele momento só me apeteceu beijá-la.
– «A trabalhar para pagar o Rendimento Mínimo??? Eu não trabalho para pagar o Rendimento Mínimo! É minha obrigação contribuir para aqueles que são menos afortunados do que eu! E não me custa nada. O que me custa é andar a trabalhar para pagar os lucros dos Bancos e de quem não paga impostos.»
Continuou a vociferar – contra os Bancos que pagam poucos impostos, contra quem não paga impostos dos lucros na Bolsa, contra quem não declara o que ganha, contra os privilégios dos políticos e dos gestores públicos – e a outra já não tugia nem mugia.
Contente, segui o meu caminho. Afinal, ainda há gente com um pingo de decência em Portugal.