Rescrever a História? – II

-O assunto nem merece toda esta polémica que se levantou à volta dos bustos. Mas estão porque não retirar os quadros de todos os Presidentes da República que estão expostos no Palácio de Belém. Durante 40 anos ninguém levantou a questão. Nestes 40 anos em sucessivas audiencias aos diversos P.R. terão passado extremistas e radicais durante o PREC, enquanto líderes de oposição Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã entre outros. Quando este programa foi para o ar na RTP, ocupava o Palácio de Belém como chefe de Estado, Mário Soares. Será ele também um perigoso revisionista que pretende branquear o passado? Os quadros podem ficar expostos em Belém, mas os bustos em S.Bento já são intoleráveis? Porquê agora, passados 40 anos? Ou tem apenas a ver com o momento político e querem à força arranjar mais uma disputa ideológica?

Comments


  1. “Bustos

    Já cá faltavam as boas almas a desancarem o PCP, os Verdes e o BE pela oposição que aqueles partidos manifestaram à presença dos bustos dos “presidentes” nomeados por Salazar na exposição da Assembleia da República. Pois eu subscrevo o protesto daqueles deputados. E isso não tem nada a ver com o “apagar da história” com que tanto se preocupam alguns.
    Deixando de lado o facto de a exposição de bustos ter sempre associada a ideia de homenagem – dou de barato que não será esse o caso – a questão é de saber se o tempo que vivemos é a 2ª ou a 3ª República, ou seja, se o período fascista foi uma fase da República Portuguesa. Se esse regime se plasma numa “res-publica”, coisa do povo, coisa pública. Na minha modesta opinião, não. Logo, é totalmente desadequado classificar os três títeres fascistas como “presidentes da república”, já que tal república não existia. Não podemos ficar reféns da dicotomia república-monarquia. Diria mesmo, talvez para escândalo de alguns, que a monarquia constitucional em Portugal teve momentos mais próximos dos valores republicanos que o Salazarismo.”

    – 01/10/2014 por José Gabriel

    http://aventar.eu/2014/10/01/bustos/


    • Para si os bustos não devem ser expostos, mas os quadros podem ficar em Belém, uma vez que durante 40 anos ninguém se queixou, é isso?
      Ao estarem expostos em Belém, a própria Presidencia da República (e não este P.R., pois já lá estavam com Jorge Sampaio, Mário Soares e antecessores…) não está implicitamente a reconhecer que exerceram o cargo? E serão essas 3 figuras do Estado Novo menos republicanos que Santos e Castro ou Sidónio Pais?


    • Tem toda a razão, José Gabriel! Suspendam-se esses 48 vergonhosos anos! Já! (e já agora, apaguem-se os Descobrimentos colonialistas, o fascista do Marquês de Pombal, a 3ªdinastia e a batalha de Alcácer-Quibir)
      Que anedota…


  2. Essa de ir buscar um ministro fascista armado em historiador, é de antologia. É só lavagem.


    • Não conheço outro vídeo que demonstre o facto, os quadros estão expostos em Belém. Pelo menos um Presidente que eu sei que admira, Mário Soares, conviveu sem problemas com isso. Todos os políticos que visitaram Belém nestes 40 anos, mais a população em geral, não manifestaram oposição. Mas agora uns bustos já é revisionismo? Fosse outra a maioria parlamentar e provavelmente não havia caso. Mas tudo serve como arremesso…


  3. Troquem os bustos por “bustos” de meninas com operação estética (implantes) a aumentá-los – ninguém se incomodaria e até daria pica para pensar melhor

  4. coelhopereira says:

    O caro António Almeida quer mesmo continuar a falar deste assunto? É que, se a sua resposta for afirmativa, o senhor terá de rever os seus argumentos. Eu explico-lhe a razão de ter de o fazer: aqui há uns tempos, os senhores deputados do CDS-PP, que agora tão veementemente se bateram pela inauguração da exposição dos bustos dos três corta-fitas salazarentos, pois “a História não se pode apagar”, insurgiram-se inflamadamente contra a trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional. Argumentaram esses santinhos que se tratavam dos restos mortais de “um terrorista”. Um “terrorista” que se bateu contra a Monarquia e, não o esqueçamos, se voltou a bater contra a ditadura salazarista, sendo por ela infamemente perseguido. Qual desses dois imperdoáveis “pecados” de Aquilino seria, na mente dos meninos do PP, mais impeditivo da entrada do grande mestre de “Quando os Lobos Uivam” no nacional Panteão? O mesmo Panteão onde, se me não falha a memória, já repousavam, desde há muito, os restos mortais de Carmona? Consegue agora dizer-me quem é que quer “apagar a História”? Ou há aqui quem queira fazer passar a ideia de que a História é um devir contínuo que nunca, mas nunca , deve sofrer o corte brusco das revoluções? Melhor dizendo: não haverá aqui uma série de forças políticas muitíssimo pesarosas por em Portugal ter havido, em 1974, uma REVOLUÇÃO e não uma TRANSIÇÃO à espanhola?


    • Vamos por partes, em primeiro lugar não sou e nunca militei no CDS-PP, represento-me a mim próprio, por isso as posições que esse ou qualquer outro partido assumem ao longo dos tempos sobre as mais diversas matérias, não me dizem respeito, pois a elas não estou vinculado. Umas vezes concordo, outras não. Até já se deu o caso, raro mas aconteceu de concordar com o PCP…
      Sobre Aquilino Ribeiro não tenho dados históricos e que saiba os que existem são controversos. Sobre o escritor, nada a dizer, foi dos melhores do século XX português. Acusar de terrorismo sem provas seria antes do mais uma infâmia.
      Caso, e tanto quanto sei está longe de provado, pudesse ter existido envolvimento no assassinato do Rei D.Carlos, seguramente teria ficado contra a transladação para o Panteão Nacional. E não sou monárquico. Mas não aprovo quem se limita cobardemente a abater os inimigos políticos. Seja uma bala de Che Guevara ou Pinochet, um crime é sempre um crime e alguém perdeu uma vida…
      Para que não restem dúvidas, um assassino será sempre um reles e vil cobarde que não consegue ou desistiu de lutar pelos seus pontos de vista por formas mais dignas. E não estou a falar de Aquilino. Muitas vezes aqui escrevi, não existem balas melhores que outras, pela ideologia ou crença de quem as dispara. Todas as balas matam, todos os assassinatos me repugnam, a violência não é solução para resolver os problemas políticos. Por isso simpatizo com os militares que fizeram o 25 de Abril, não envolveram o país num desnecessário banho de sangue para terminar com um regime pérfido.
      Só não compreende o que escrevo, quem teima em ler na diagonal, ressalvando apenas o que lhe convém…

      • coelhopereira says:

        Deixe-me ver se eu percebi: caso Aquilino Ribeiro tivesse disparado sobre o rei D. Carlos, não seria digno de entrar no Panteão Nacional; já um vulto – Carmona – de um regime assassino que se prolongou por 48 anos (com exílios, espancamentos, torturas, encarceramentos, assassinatos e o envio dos filhos do seu Povo para o matadouro da Guerra Colonial) pode nele repousar sem que isso lhe cause engulhos de maior? Está a brincar?
        No que toca aos seus interessantes paralelismos: todas as balas se equivalem e todas as eliminações físicas estão no mesmo patamar, sendo, por conseguinte, todas lamentáveis num mesmo grau. A sério? Devo então depreender que a corda que enforcou Eichmman se equivalia à mesma com que as SS enforcaram uma adolescente judia na árvore do pátio da casa de seus pais na URSS ocupada? Devo então interiorizar que as balas que assassinaram os judeus de Babi Yar se equivaleram áquelas com que o Exército Vermelho crivou as hordas nazis em Estalinegrado e às portas de Moscovo?
        O senhor perdoar-me-á a franqueza, mas, com o seu comentário anterior, cometeu uma infâmia. Cometeu uma infâmia contra a memória daqueles que, morrendo aos milhões ou vivendo em condições indescritíveis, lutaram, de armas na mão, pelos seus países, pela sua dignidade, pela existência e pelo futuro dos seus filhos. E não lutaram só por eles: lutaram por si, também ,e por aqueles que o senhor ama. Por isso, tenha-lhes respeito. Por isso, demonstre-lhes esse respeito por palavras de gratidão, em vez de os achincalhar com palavras de apoucamento. E o senhor aviltou essa gente, muito, porque o senhor acabou de nivelar a vítima e o seu verdugo, rebaixando a vítima que se defende, pelas armas, da agressão genocida à categoria de assassino, elevando, a um mesmo tempo, o continuado agressor genocida à mera categoria de esporádico e incidental assassino. E isso é feio. Isso é muito feio.
        Quer então o senhor dizer que, em resumo, para que se dê a metamorfose do lobo cevado no sangue dos cordeiros em alva ovelhinha, basta-lhe o ser abatido a tiro pelos pais dos tenros cordeiros que massacrou? Se assim for, desejo-lhe que, daqui a muitos, muitos anos, ao entrar no Céu, se depare com uma cena que, a crer nas suas peculiares visões minimalistas, já deve, certamente, ter imaginado: o bom do Adolf Hitler, de braço dado, à direita, com o Mahatma Gandhi, e, à esquerda, com Martin Luther King, enquanto escutam os três, em harmonia, com extremo prazer e com suma atenção, os doutos e peripatéticos sermões sobre religião judaica de um vetusto e mui sábio sacerdote mosaico.
        Concluíndo, que a fraca prosa já vai longa: meu caro António de Almeida, eu nunca leio na diagonal seja o que for, acredite, e se expus o exemplo que expus no meu comentário anterior, foi pela simples razão de tornar evidente a gritante hipocrisia das santas almas do CDS-PP que incensam terroristas de Estado, enquanto apodam quem combateu pela Liberdade de “terrorista”. O espinho na garganta desses meninos tem um nome: chama-se “Revolução dos Cravos”. Nunca o apontei como membro do CDS ou de qualquer outro partido, pelo que a sua justificação era excusada. Como excusada foi a sua resposta na sua inteira forma e espírito ao constituir-se num caso paradigmático daquilo que sói chamar-se “ser pior a emenda do que o soneto”.
        Os meus sinceros cumprimentos.

  5. portela says:

    A história diz que o edifício foi construído para albergar beneditinos e não bustos de presidentes, além do mais, a maioria gente rasca; salivante, só de pensar em aceder ao convento. Para professar? Não, para arrebanhar!

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