Outras opiniões

Coloquei 3 questões ao professor José Manuel Faria, ex-militante do B.E. e actualmente próximo do Livre, blogger que costumo ler no Ruptura Vizela. As respostas são da sua inteira responsabilidade.

-Saiu do Bloco de Esquerda e aproximou-se no Livre de Rui Tavares. Muitas pessoas olham para Rui Tavares como alguém que à semelhança de Marinho e Pinto, usou um partido, neste caso o BE, onde o caro José Manuel militava, como barriga de aluguer, servindo como trampolim para voos mais altos, aparecendo agora como líder partidário. Isso não o incomoda?

-O Rui Tavares foi convidado pelo BE para integrar como independente a lista às europeias na posição 3. Nos lugares cimeiros, o Miguel e a Marisa, bons candidatos e, com forte possibilidade de eleição ( o BE estava em crescendo) eram as previsíveis apostas . A posição do Rui é daquelas que se oferecem a quem pode captar imensos votos (mais/valia) à espera de um “milagre” e foi o que aconteceu. Participou por convite do BE: atitude cívica sem filmes.

-Algumas pessoas que reconhecemos serem de esquerda, têm afirmado que um governo PS pode não ser de esquerda, mas é impossível existir um governo de esquerda sem o PS. Concorda com a afirmação? Em que medida o Livre pretende aprofundar uma convergência que permita governar Portugal?

É impossível existir um governo de esquerda sem o PS. O LIVRE e outras organizações acreditam e bem, caso o PS vença as eleições (quem mais pode vencer?) se encontrem e elaborem programas, compromissos, declarações, etc que leve à formação de um governo com todos ou com apoio parlamentar, caso o PS se porte mal, quebra-se o contrato. O governo de esquerda tem que se impor e tentar negociar o fim do tratado orçamental assim como novas medidas relativamente ao BCE. O importante é arrasar a austeridade e impulsionar a produção e consumo nacional.

-Sabendo que Portugal está comprometido com um Pacto Orçamental na U.E. , impossibilitado de emitir moeda e limitado na dívida, não teme que aconteça em Portugal uma viragem à esquerda, como aconteceu com Hollande em França, que se venha a revelar uma traição às expectativas dos que agora apoiam a mudança política em Portugal? Coloco esta pergunta como experiência própria, quando voto em partidos que apregoam uma liberalização, sinto-me traído enquanto eleitor com a sua prática no governo. Julgo ser legítimo questionar um eleitor que vota à esquerda no mesmo sentido. O que pode favorecer a abstenção ou abrir caminho ao populismo, a que serão vulneráveis eleitores menos esclarecidos à esquerda e direita do espectro político, apesar dos nossos brandos costumes.

A abstenção vai diminuir por que a vontade dos jovens, a raiva dos desempregados, a vingança da classe média, reformados e pensionistas é tal que Passos e Portas desaparecerão facilmente.

Comments


  1. O momento cómico do fim-de-semana. Então a parte da abstenção gerada pela falta de credibilidade do regime ser resolvida por uma frustração gerada precisamente por essa mesma falta de credibilidade é excelente. Deviam fazer mais artigos assim tão divertidos.


    • Se calhar não é assim tão cómico!
      Se calhar os abstencionistas deviam reflectir se com a sua abstenção terão conseguido o que queriam. Não há muito por onde escolher: a abstenção (por falta de credibilidade ou não), leva sempre ao mesmo desenlace: serão eleitos os que melhor sabem manter os seus eleitores de sempre (mais do mesmo)!
      Se não acreditam no regime que se movimentem e agrupem para forçar a mudança, ou chegando à conclusão que não vale a pena votar, acaba-se com esta “etapa”, e volte-se à Assembleia Nacional…


      • Antes pelo contrário, é hilariante.

        A mesma pergunta deve ser colocada aos eleitores “leais”. Atingiram os seus objectivos ou não? E se não porque é que continuam a validar algo que claramente é imutável? (ou como lhe chamou: “mais do mesmo!”)

        Obviamente que a partir do momento que não se acredita no regime deve-se ser consequente tomar acções com base nisso. Ninguém disse o contrário.

        Não surpreendentemente havia eleições para Assembleia Nacional… falsificadas até à medula é certo mas existiam. Ou seja, os regimes entendem bastante bem a noção de credibilidade e consideram-na vital, mesmo os que possuem um vasto aparelho repressivo.


        • Aos eleitores leais acho que nem valerá a pena colocar essa pergunta. Eles lá saberão, porque apesar de tudo, são leais. Pode dar-se o caso de que o statu quo lhes seja favorável, e então há coerência! Na abstenção é que tem que se procurar a mudança, sendo que nada mudará (para melhor), só porque se faz de conta que não se existe.


          • Poder-se-ia pensar isso, mas olhando um pouco para a realidade objectiva é no mínimo duvidoso que a maioria dos eleitores leais esteja a ter os seus interesses defendidos, a julgar pelo volume e tom da “malaise” social que existe.

            Como já disse antes, é óbvio que quando se descartam as soluções (pré seleccionadas e formatadas) que o sistema oferece se entra numa área totalmente diferente, ninguém o está a contestar. No entanto, é igualmente verdade que o insistir num erro não o torna numa verdade. Penso que era Einstein que dizia que a definição de loucura era repetir a mesma acção uma e outra vez à espera de resultados diferentes.

  2. coelhopereira says:

    A incontornável MPB já tem, de há umas décadas, o seu “Samba de Uma Nota Só”. Agora, os sempre inventivos canários pipilantes da lusíada política inventaram a composição pimba e “gauche chic” do “Partido de Um Só Homem”. Como é bom constatar que a frenética idiotice empreendedorística já tomou de assalto a nossa querida esquerda libertária…

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