O velório antecipado

Há uma revolução em curso na justiça portuguesa: vai tudo preso. Que é lá isso de fortes indícios e provas inquestionáveis, que é lá isso do in dubio pro reo, do latim “na dúvida, decida-se pelo réu”, princípio estruturante de qualquer Estado de direito que significa que tem de haver provas à prova de dúvidas para condenar (e indícios de monta para acusar).

Quem assim escrevia ontem no DN (obrigado Ricardo M. Santos pela dica) parece que antecipava o festival de carpideiras que agora vai chorar o seu amado Sócrates, hoje detido. Os mesmos que sempre acharam anteriores inquéritos uma fraude, viram perseguição onde se denunciava o curso domingueiro e idolatraram doentiamente o até há pouco pior primeiro-ministro que tivemos. Um tema que especializou Fernanda Câncio no jornalismo de causas e nestes queixumes cada vez que a Justiça investigava.

Comments


  1. Que há políticos corruptos que apenas estão na política para rapidamente enriquecer, parece-me óbvio.
    Que há políticos que não passam de mafiosos vestidos com fatos todos estilosos, parece-me evidente.
    O que me espanta é que o povo português, sabendo disto, continue a eleger esta espécie de escumalha, ano após ano.
    O que dizer da sanidade mental de um povo que elege e re-elege mafiosos para o desgovernar?

  2. Carlos de Sá says:

    O pior primeiro-ministro? Bravo! Barroso e Lopes, melhores, certamente; e Aníbal, então, nem se fala: pai das PPP, dedicado amante do asfalto, incansável adversário da cultura, inimigo feroz da cidadania. E imagino que esteja a pedir a beatificação da dupla Coelho&Portas.


    • O “até há pouco”, é o que lá está escrito. O Santana felizmente não teve tempo. Este, o Passos, é pior porque continua a obra do anterior: privatizações, destruição do estado social, etc. etc.

  3. Mário Machaqueiro says:

    Caro João,
    Eu diria mais: diria que o artigo de Fernanda Câncio sugere, no seu tom ressabiado, que ela já tinha algum conhecimento do que se estava a preparar para o seu amado (ou ex-amado), o que parece ir ao encontro de certas notícias que apontam para o facto de Sócrates ter sido apanhado de surpresa pela sua detenção. Se for verdade, é mais um dado sobre o pantanal onde chafurdam em promiscuidade alguns politiqueiros e jornalistas indignos da carteira profissional que ostentam.

  4. moimeme says:

    “…idolatraram doentiamente o até há pouco pior primeiro-ministro que tivemos…”, até há 3 anos… acrescenta isto e talvez estejamos de acordo…

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