Quem sabe, sabe

Enquanto se discute a taxa turística, que os outros pagam, os lisboetas não reparam nas que subiram e vão eles pagar. O Costa sabe

Diálogo indecoroso

Lisboa, Avenida da Liberdade, caia a noite. Ele caminhava pausadamente pela rua, com ar disponível. Ouve-se uma voz feminina dengosa e sensual: “Querido, queres companhia?” “Quanto?” – pergunta ele. “São duzentos, pagas o quarto e as novas Taxas de Turismo e de Segurança”.

Inacessível confeção

castanhas

© Chris Ryan/Getty Images (http://bit.ly/confeção_fecção)

Neste apontamento, o Expresso refere-se a “pratos de confeção acessível”. No entanto, confeção é palavra inacessível a qualquer leitor de português europeu. Aliás, o mesmo acontece a qualquer leitor de português do Brasil. Segundo o Houaiss (sim, aquele), confecção significa:

1. preparação (de um medicamento); confeição
1.1 o remédio assim preparado; eletuário
2 acabamento ou conclusão de algo
Ex.: a c. de um livro
3 Derivação: por metonímia.
roupa feita em fábrica, que se adquire pronta (freq. us. no pl.)
Ex.: ela revende confecções
4 Derivação: por metonímia.
fábrica, de porte médio ou pequeno, que confecciona roupas (de vestuário, cama, mesa ou banho)
Ex.: há muitas c. em Petrópolis

Por seu turno, a Folha de S. Paulo diz-me

Atenção

Nenhum resultado de busca encontrado para a expressão confeção.

Isto é, confeção só existe aqui. Contudo, há uma diferença do tamanho de um ‘Atenção’ da Folha de S. Paulo entre confeção [kõfɨˈsɐ̃ũ̯] e confecção [kõfɛˈsɐ̃ũ̯]. Ou seja, de facto (sim, de facto), confeção não existe. Confessem lá: este AO90 está a correr mal, não está?

Pedágio

Se o Porto nunca nos cobrou portagem, porque raio Lisboa decidiu agora cobrar-nos lisboagem?!

Gorduras: a história de um Parlamento cada vez mais obeso

político obeso

(foto roubada a um artigo do João José Cardoso altamente recomendado no âmbito das origens da problemática da mordomia política)

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Enquanto a propaganda da escumalha nos continua a vender uma governação cada vez mais rigorosa que contém a despesa ao mesmo tempo que opera um milagre económico que faz de Portugal um país melhor cujo único problema é ter pessoas que estão pior, o mundo real vai-nos dando chapadas diárias na cara, chapadas essas que pouco ou nada afectam o eficazmente domesticado português, sempre ocupado com questões prioritárias como a rotatividade de Lopetegui, as polémicas curvas de Jéssica Athayde ou esse “curral” a que dão o nome de Casa dos Segredos (notem que o termo “curral” foi usado precisamente por um concorrente do reality show fazendo referência à saída das concorrentes femininas do seu quarto – “as vaquinhas saíram do curral” – termo que foi de resto imediatamente incorporado pelas simpáticas concorrentes que imediatamente cantaram a sua bovinidade). Ser aldrabado é fetiche nacional e contra factos não há argumentos. São desígnios.

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Um dos piores fatos que já vi

fatos

 

David Rodrigues, Professor Universitário e Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, escreve, hoje, no Público, um texto com cujo conteúdo concordo em absoluto, criticando a vigência de uma mentalidade paleo-liberal com efeitos perniciosos sobre a equidade em Educação, ou seja, sobre a Educação na vida democrática. Recomendo vivamente a leitura.

David Rodrigues adoptou o chamado acordo ortográfico (AO90). Não sei, é claro, por que razão o faz ou se tem alguma razão para o fazer. Não posso deixar de lamentar, no entanto, que alguém com opiniões tão acertadas sobre Educação opte por utilizar um instrumento cujas deficiências de concepção só podem provocar efeitos negativos na escrita e, portanto, na Educação. [Read more…]

Revolucionário Obama?

Ou apenas um estratega e recuperar do esmagamento eleitoral da semana passada? É que isto de enfrentar lobbies não acontece todos os dias