Instituto da Imobilidade do Porto

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Um funcionário que pede desculpas

Sou um funcionário público, trabalho nisto há muitos anos. Agora, talvez por causa da idade, os meus dias aborrecem-me porque sei que estou sentado numa secretária a fazer o papel de vilão e a dar o rosto por uma instituição de serviço público transformada num sítio de colectar dinheiro. Não sou o único descontente aqui dentro, comigo nesta sala estão normalmente 40 a 50 outras pessoas, a maioria delas fica ali sentada à espera de ser atendida mais de uma hora.

O prédio que alberga o Instituto de Mobilidade e Transportes do Porto está em obras de beneficiação há algumas semanas. Vieram montar os andaimes e alguém entendeu que o o instituto da MOBILIDADE não tinha que se preocupar com a IMOBILIDADE daqueles cidadãos com dificuldades motoras e que, até há algum tempo, conseguiam entrar no edifício usando a cadeira elevadora montada à entrada. E porque o Instituto da Mobilidade não parece ter que dar exemplo, a cadeira está inutilizada pelos andaimes à volta do edifício. Está e estará porque aparentemente a obra não tem fiscalização, como obriga a lei. Se tivesse, o andaime teria sido montado de forma diferente.imt-porto
Também não podemos garantir instalações sanitárias aos nossos utentes, está avariada há algumas semanas. Quem quiser, vai ao café ali ao lado pedir por favor. Quem se vir mais apertado e estiver já à entrada das salas onde decorrem os exames para as cartas de condução, alivia-se no pátio do edifício (se for homem). As mulheres não sei como fazem, nunca vi nenhuma a urinar através desta janela.

Temos um cartaz bonito que diz que aos utilizadores do nosso serviço público “não lhes estamos a fazer um favor ao atendê-los”. Pelo contrário, “nós dependemos deles”. Eu acredito nisto durante muito anos. Por esta mesma razão, as fotocópias pedidas por quem não se precaveu (as pessoas não adivinham, não é?) são cobradas a 50 cêntimos cada uma. Passar recibo deste valor é uma maçada, não vale a perda de tempo. É pagar e mais nada.

Temos outro cartaz que diz que “existe a tolerância de três (3) senhas no atendimento” e temos outro cartaz que diz que às 16h00, hora do fecho do atendimento, os utentes “devem encontrar-se dentro das instalações caso contrário não serão atendidos”. Isto tem gerado algumas indisposições porque as pessoas não querem abandonar o edifício para não perderem a vez, abdicando assim de ir ao wc no café aqui ao lado. Se forem ao wc e voltarem depois das 16h00, já não são atendidas. Tudo isto se evitaria se este serviço público tivesse wc, que é o que obriga a lei.
Obrigamos as pessoas a passar por estas provações mas a parte melhor vem a seguir: pagar.
E o IMT não trabalha de borla, a nossa tabela de preços é pública.

Mas há quem esteja pior que eu. Por exemplo, o segurança que está na recepção a direccionar as pessoas e a entregar-lhes as senhas do atendimento fica junto da porta da rua e com o frio e o vento que tem feito, o colega trabalha com o sobretudo vestido. Mal se lhe vêem as orelhas. Nem sei porque me queixo eu, eu tenho acesso a wc de serviço, não faz frio aqui dentro, sorrio e cumprimento as pessoas e elas dizem obrigado no fim. As pessoas não se queixam.

Comments

  1. Maria João says:

    Este tipo de situação gera sempre muita crítica aos funcionários públicos mas na verdade a maioria destas fabulosas situações deve-se às não menos surpreendentes nomeações de Boys & Girls das máquinas dos partidos, que vão enchendo os cargos com dirigentes que não só desconhecem o negócio, como nem assumem qualquer responsabilidade, numa infeliz e prejudicial promiscuidade entre partidos e o exercício da actividade administrativa. A nós resta aguentar, pagar um serviço que só não é pior por causa de quem está à nossa frente, e agradecer no fim.

    • Josesilvavaz vaz says:

      Este IMTT é de há muitos anos a esta parte um interessantíssimo local para colocar os Boys de terceira categoria dos partidos . Basta saber que uma simples revalidação da carta de condução pode demorar mais de 6 sim seis meses para aquilatarmos a categoria do serviço que tais boys dirigem! Como apontamento também por lá passou um tal Antonio Nunes …sim o da ASAE … Mas só acertou ao lado e foi apenas quando encerrou temporáriamente o Galeto onde por ventura lhe teria sido servida alguma bica fria quando o frequentava…. É a vida…

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