Humberto Delgado, o aeroporto e os ceguinhos

Humberto_Delgado_coimbraAntónio Costa apresentou uma proposta no sentido de o Aeroporto da Portela ser baptizado com o nome de Humberto Delgado. Acho bem. Passam 50 anos sobre o seu assassinato e o homem até foi aviador.

Curioso é o 31 que a extrema-direita levanta a propósito da proposta. A coisa desce ao nível disto: ” Deverá ser esta a primeira personagem histórica a conhecer por quem nos visita?”

Portugal tem três aeroportos internacionais. O segundo, em volume de tráfego, chama-se Sá Carneiro. É essa a primeira personagem histórica que quem nos visita também conhece, um líder partidário  (que muita falta faz ao seu partido, mas isso é outra conversa).

Mas enfim, quem a seguir acrescenta a conquista de Ceuta (só a maior imbecilidade da autoria de governantes portugueses, que apenas trouxe despesas e nenhum benefício) e Afonso de Albuquerque como glórias nacionais, deve ter um problema qualquer com o turismo marroquino ou indiano. Com a História tem de certeza absoluta, e não é miopia, é cegueira pura.

Imagem: comício de Humberto Delgado em Coimbra. Entre a multidão o meu tio e o meu pai, com muito orgulho.

Daniel Buren

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Daniel Buren, “Comme un jeu d’enfant, travaux in situ“, no Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo (até 8 de Março de 2015).

O livro “Portugal – caos, memória e esperança”

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Marco Faria

O “bem” estará à venda nos próximos tempos, é garantidamente 100 por cento nacional e excluiu contraindicações médicas. É um “produto” com fraquezas e falhas, não adianta ser juiz em causa própria. Uma obra escrita para pensar, sentir, e, por vezes, rir. No princípio, está a Justiça. No fim, a Ética. Pelo meio, 48000 palavras e 211 páginas desdobradas por oito capítulos. Preço final de capa: 12 euros, numa livraria perto de si (regateie, peça desconto, vale sempre a pena tentar). A gratidão é um sentimento imprescritível no tempo e vai direitinha para o Prof. Carlos Daniel e todos os amigos que estiveram no Desassossego Bar Livraria, final de tarde de sábado, 7 de Fevereiro de 2015 (os ausentes terão oportunidade de se redimirem no futuro). A amizade é um tesouro entre os homens (não paga imposto, de resto, ainda).

Federalismo europeu para tótós

O neoliberalismo não dominou a Europa através de um partido, de uma acção clara, democrática, porque na sua essência tenta precisamente subverter a democracia de forma discreta, quase invisível. Vivemos dominados por ele e não damos por nada, o que é pura ideologia é-nos vendido como sendo uma “solução natural”, inevitável, lógica. O neoliberalismo é uma ideologia clandestina, tão subtil como isto:

Um desses autores é Friedrich Hayek, a grande referência intelectual de pessoas como a senhora Thatcher e que escreveu este livro, ‘O Caminho para a Servidão‘, que tem um capítulo sobre as perspectivas da ordem internacional.
Este capítulo tem uma citação de Lord Acton, uma referência muito conhecida do pensamento liberal, em epígrafe E eu queria ler-vos essa epígrafe: “de todos os controles à democracia, a federação tem sido o mais eficaz e o mais adequado. O sistema federalista limita e restringe o poder do soberano, dividindo-o e atribuindo ao governo apenas alguns direitos bem determinados. É o único método de condicionar não só a maioria, mas também o poder do povo“.

José Castro Caldas desmonta uma dessas facetas, a da federalização anti-democrática que vivemos. Quinze minutos a não perder.

Via Ladrões de Bicicletas.

Bicho à Solta


É em Braga.