Recompensar a má gestão bancária

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Foto@Econintersect

A edição online do jornal I revelou ontem que o conjunto dos 4 maiores bancos nacionais – BES, BPI, BCP e CGD – acumulou prejuízos na ordem dos 9,5 mil milhões desde que há quatro anos Portugal se submeteu ao plano de austeridade que teve no resgate dos bancos a sua principal prioridade. Claro que, e o jornal fez essa mesma referência, metade desta catástrofe bancária diz respeito à hecatombe BES, cuja custo directo para o contribuinte rondará já os 5 mil milhões de euros, valor esse que dificilmente será recuperado na totalidade. Mais uma factura das aventuras bancárias com a chancela do liberalismo económico a ser suportada pelos otários do costume: nós.

É insólito que estas instituições contem com alguns dos mais bem remunerados do país, que mais do que salários chorudos, recebem prémios e outras remunerações variáveis de largas centenas de milhares de euros anuais. Qual será o critério que permite tais remunerações para quem, olhando para estes números, gere pessimamente? Será que a acumulação de prejuízos representa uma mais valia que um leigo como eu não consegue perceber? Como é que um gestor de topo de um destes bancos explica mais de um milhão de euros em remunerações quando o resultado que mais se evidência da sua gestão se traduz em prejuízos sucessivos? Será que alguém os avalia?

E no entanto, os exercícios negativos acumulam-se e, paralelamente, fecham-se balcões, despedem-se trabalhadores e antecipam-se umas quantas reformas. Se algo correr mal, os nossos impostos cá estarão para os resgatar de si próprios e garantir que se continuam a comprar bons fatos na Avenida da Liberdade. Até que apareça alguém para os comprar a preço de saldo. Até lá continuarão a viver acima das suas possibilidades. E nós, a julgar pelo histórico, viveremos bem com isso.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Uma completa irresponsabilidade com um nome à cabeça em termos de responsabilidade política e outros agentes criminosos que são amigos desse mesmo (irres)responsável.
    Tudo isto foi uma aventura coroada de êxito – até agora – porque os otários, pagam mesmo.
    E continuo a ouvir os irresponsáveis dizer, nos parcos comentários que têm a lata de fazer, que os portugueses viveram acima das suas possibilidades, os mesmos irresponsáveis que dizem não conseguir viver com os 10000 euros mensais (um) e 6000 euros (a outra).
    O que mais dói é que estes irresponsáveis vão sair incólumes, pois eles são também a “justiça” deste país.
    Não há nem vergonha, nem decoro.
    Nem do votante, porque quem pôs esta gentalha no poder, foi quem neles votou.

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  1. […] do governo desde o 25 de Abril trabalharam na banca” (Público). Qualquer relação com os resultados desastrosos da banca nos últimos anos é pura […]

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