João Pereira
Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.
Bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país. As duas coisas estão relacionadas, bate-se na Grécia porque o Syriza resultou num incómodo e, mesmo que o Syriza morda o pó das suas propostas, – que é o objectivo disto tudo, – o mal-estar que existe na Europa é uma pedra no orgulhoso caminho imperial do Partido Popular Europeu, partido de Merkel, Passos e Rajoy e nos socialistas colaboracionistas que são quase todos que os acolitam. É isto a que hoje se chama “Europa”.
A Grécia é a Grécia, muito mais parecida com Portugal naquilo é negativo que os que hoje lhe deitam pedras escondem, e bastante menos parecida com Portugal, numa consciência nacional da soberania, que perdemos de todo. No dia da vitória do Syriza, o que mais me alegrou, sim alegrou, como penso aconteceu a muita gente, à esquerda e à direita, não foi que muitos gregos tenham votado num “partido radical” ou num programa radical, ou o destino do Syriza, mas sim o facto de que votaram pela dignidade do seu pais, num desafio a esta “Europa” que agora os quer punir pelo arrojo e insolência. Nisso, os gregos deram uma enorme lição aos nossos colaboracionistas de serviço, que andam de bandeirinha na lapela.






Se alguém pensa que estas manobras têm qualquer relação com política ou ideologia como o comum dos mortais entende está enganado. Isto são questões estratégicas, de gestão de conflitos e de realpolitik (como sempre foram). E nestas questões quase tudo é um processo de soma zero. A fome dos pequenos partidos locais em se colarem ao governo grego para ganhar alguma notoriedade junto do eleitorado obscurece a situação de forma desnecessária.
O Syriza foi eleito por se apresentar contra a austeridade que tem vindo a massacrar os gregos.
Depois de formar governo, em vez de governar e implementar as suas promessas, pôs-se a discutir o seu programa com a troika (eufemisticamente designada por “as instituições”), permitindo a fuga de capitais e a deterioração da situação económica da Grécia. .
O Directório que comanda ditatorialmente não quer alternativas às suas politicas, mesmo que modestas e inseridas no sistema.
Depois de muitas cedências do Syriza e de cada vez mais exigências e chantagens sobre o povo grego, o Syriza, titubeante, incapaz de assumir a sua representatividade e responsabilidade e a soberania da Grécia, resolve avançar para um referendo, adiando mais uma vez a resolução dos problemas.
Claro que apoio o NÂO, mas duvido muito que o Syriza seja capaz de fazer o que prometeu e libertar os trabalhadores e o povo grego das grilhetas destes programas de exploração a que chamam de austeridade e até (pasme-se!) de programas de “estabilidade e crescimento”. ( lembram-se dos PECs?)
Claro que sim, chama-se rebentar com o Euro e, se for preciso, com a UE.
O resultado das politicas aventureiristas, vigaristas e demagógicas dos Syrisas /Bloquistas…está à vista. Mais miséria e angústia para o povo grego. Os dótores Tripas, Varoufas, Louçãs, a artista Catarina, a dótoras Raquel e Marisa, toda essa tralha não vai beber o cálice de vinagre que deram ao povo grego e que dariam ao povo português, se acaso este fosse ludibriado pela banha de cobra que tentam impingir-lhe.