Gaffe do dia: Luís Marques Guedes confunde acordo à esquerda com a propaganda do seu próprio partido

LMG

Em entrevista ao Expresso, o ministro Luís Marques Guedes afirmou que o potencial acordo à esquerda “parece mais um albergue espanhol do que um projeto de sociedade em conjunto”.

Chavões imbecis e propaganda barata à parte, que hoje é um dia negro para ambas após a trágica notícia que deu conta do falecimento desse ícone maior da manipulação de massas, Maria Luz, é interessante verificar que os múltiplos canais usados pela estratégia subterrânea do universo pafista consigam provocar a confusão nos mais altos oficiais do regime. Talvez Marques Guedes não saiba, talvez o ministro seja uma daquelas figuras com ar de senador impoluto que se destacam para estas estruturas de modo a credibilizar organizações opacas onde se movimentam personagens sinistras com nome de imperador, traficantes de influências e outros criminosos imunes. Talvez seja apenas ingénuo.

A verdade é que não deixa de ser irónico que, na luta diária para descredibilizar o acordo à esquerda, Marques Guedes tenha usado a expressão “albergue espanhol” para caracterizar essas movimentações. Ora “Albergue Espanhol”, para quem não conhece ou está recordado, era precisamente o nome do “braço armado” de Pedro Passos Coelho na blogosfera antes das directas no PSD. Entre os “alberguistas” destacaram-se várias figuras posteriormente “absorvidas” pelo regime:

  • Afonso Azevedo Neves: antigo assessor do PSD, do Ministério da Economia (trabalhou com Álvaro Santos Pereira e Sérgio Monteiro) e do Ministério da Defesa (onde assessorou Aguiar-Branco e Berta Cabral) que acabou por transitar para a CEIIA, um conglomerado de indústrias com interesses de longa data em contrapartidas dos grandes negócios do MDN;
  • António Nogueira Leite: um dos homens fortes por trás da subida de Passos Coelho ao poder com um currículo que fala por si: secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de António Guterres entre 1999 e 2000 (sim, o homem “alinhou” com os perigosos socialistas), conselheiro nacional do PSD (2008-2011), passagem por Bilderberg em 2011, uma série de cadeiras em conselhos de administração aqui e acolá e, na sequência da vitória do PSD em 2011, nomeado pelo governo de Passos Coelho com o belo tacho de vice-presidente da comissão executiva da CGD, que entretanto abandonou para abraçar um novo job, a convite de Paulo Macedo, para presidir ao conselho consultivo do Centro Hospitalar do Baixo Vouga. Para a história fica esse grande momento de patriotismo quando em Setembro de 2012 afirmou “se me obrigaram a pagar mais impostos, palavra de honra que me piro”.
  • António Figueira: um caso bizarro pelo trajecto: começa no blogue 5Dias, próximo do PCP, e acaba como assessor de Miguel Relvas. Será que o eleitorado do PSD que votou no partido em 2011 contava com este drible ideológico?
  • Carlos Abreu Amorim: palavras para quê? Um ponta de lança passista que continua de pedra e cal na estrutura e no Parlamento. Com a diferença que terá entretanto renunciado ao liberalismo.
  • Francisco Almeida Leite: em tempos jornalista associado aos principais títulos nacionais, exerceu funções no Instituto Camões, onde integrou o Conselho Directivo, e foi Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação entre Abril e Julho de 2013 tendo daí transitado para o Conselho de Adminstração da SOFID, através de nomeação governamental.
  • José Aguiar: chefe de gabinete do ex-presidente do AICEP Pedro Reis, nomeado no final do ano passado para chefe de gabinete do ministro Pires de Lima.
  • Luís Naves: jornalista no Diário de Notícias e posteriormente assessor de Miguel Relvas no governo.
  • Pedro Correia: jornalista do Diário de Notícias e posteriormente assessor de Miguel Relvas no governo.

Segundo a entrevista dada por Fernando Moreira de Sá à revista Visão, membro do painel do Albergue Espanhol, os elementos do blogue recebiam informações directamente das pessoas encarregues de preparar o programa de Pedro Passos Coelho, de forma a serem usadas nos conteúdos ali publicados. Paralelamente, contribuíram para minar o caminho dos adversários internos de Passos Coelho de forma a garantir a conquista do poder no partido. Não admira que tantos tenham sido agraciados com bons lugares no governo e noutras estruturas de poder. Não sei que raio de assessores arranjaram a Marques Guedes – do Albergue Espanhol não vieram de certeza – mas o tiro saiu-lhe mesmo ao lado. Fica a nota de humor que para tristeza já nos chegou o falecimento da já saudosa Maria Luz.

Comments

  1. práfrentex. says:

    Paciência, acabou-se a mama , deviam era de devolver tudo o que gamaram ao erário publico . a cela 45,46,47,48,49, e restantes esperam por vós .