Inspiração

“Desenganem-se também os que pensam que a democracia se pode suspender em nome dos humores dos mercados ou da estabilidade entendida como negação de alternativas.”

Bom, pelo menos continuemos a bradar que assim seja, pode ser que nos ouçam, especialmente aquele senhor que anda em busca de inspiração…

Expresso

Uma achinha para a fogueira alheia??

Não basta já o ininterrupto bombardeamento que vem sendo levado a cabo pela PAF e pelo respectivo séquito da comunicação social evocando a fatal falta de estabilidade que teria um governo de esquerda?!

Ó Sr. Francisco Louçã, acha que era absolutamente imprescindível acusar Mário Centeno de não ter lido o texto do acordo do PS com os partidos de esquerda[1] ??? (Grande Entrevista, 18.11.15)

Não digo que o assunto não vá dar pano para mangas, mas duvido muito que seja por falta de leitura do texto e seria bem melhor evitar ilações que venham alimentar o coro de teatro grego (o clássico!)[2] que está a ser posto em cena pela direita, não acha mesmo???

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[1] P.S. – … sim, porque o PS ainda vai ter de demonstrar que vai ser de esquerda….

[2] As peças de Teatro na Grécia Antiga incluíam sempre um coro que dava uma variedade de informações de enquadramento e resumos para ajudar o público a acompanhar o espectáculo.

Porque é que o PSD já não é social-democrata?

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O historiador Rui Ramos escreve um artigo de opinião em que para responder à sua pertinente pergunta que dá título ao mesmo deveria primeiro explicar aos leitores o que é a social-democracia.

Entendo que para um historiador não fica bem escrever um artigo de opinião desta natureza sem o enquadrar de uma forma intelectualmente honesta numa perspectiva ideológica, histórica e politica. Isto não é opinião é desinformação.

Eu, ao contrário do que escreve Rui Ramos, entendo que hoje o PSD ja não é social-democrata devido a uma deriva radical, não propriamente de Pedro Passos Coelho, mas sobretudo dos seus homens mais próximos que passaram a ter uma influência crescente nas suas decisões e intervenções públicas.

A generalidade dos militantes do PSD nao imagina, nem sonha o que pensa e como actua a ” entourage ” mais próxima  que acompanha Passos Coelho desde que chegou à liderança do PSD. Mas também considero que já faltou mais tempo para os militantes do PSD saberem quem são na sua verdadeira génese estas pessoas.

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Mentira dita com cara de sentido de estado não deixa de ser mentira

Vamos à avantesma. Os nossos dicionários são inequívocos “aparição de uma pessoa morta”, “pessoa ou objecto assustador, disforme ou demasiado grande”. Morto está, mas o Presidente da República ainda lhe permite que mexa, para ainda maior susto dos portugueses. Mete medo? Mete e ainda devia meter mais. Todo o processo da avantesma, o seu “conceito” como agora se diz, está bem explícito na história da devolução dos 35% da sobrecarga do IRS, que agora se verifica ser zero. Porque é que a história da devolução do IRS fantasma está na massa do sangue da avantesma? Porque foi isso que reiteradamente semana sim, semana sim, a coligação fez nestes últimos quatro anos e continua a fazer como quem respira.

É a mentira muito comum na esfera pública e política? É. Há uns especialistas na mentira que estão agora a contas com a justiça e que vinham do lado da geringonça. Mas isso não justifica o uso sistemático da mentira como mecanismo de governação, com a agravante de que uma comunicação social que nunca esteve tão perto do poder, em particular no chamado jornalismo económico, mas não só, dá uma amplificação enorme a estas mentiras. Transformaram-se naquilo que é o mais próximo que já alguma vez conhecemos, do “pensamento único”. E o “único” tem muita força, mas é do domínio dos “objectos disformes”, “demasiado grandes”, das avantesmas. [Público, 21-11-2015,  Pacheco Pereira]

A mentira como estratégia política para manter o poder pelo que o poder oferece. Não deixa de ser irónico que, na sociedade da informação, é a desinformação que dá vitórias eleitorais.

SNS a rebentar, privados a lucrar

SNS

Antecipando o que aí vem, o secretário de Estado da Saúde anunciou esta semana ao país que, em situações de ruptura, os hospitais públicos poderão enviar pacientes para o sector privado. Apesar das medidas preventivas que estão a ser tomadas, as dúvidas quanto à capacidade de resposta de um SNS alvo de múltiplos cortes nos anos de austeridade são muitas e preocupantes. E, perante a falta de investimento nos hospitais públicos, investe-se nos privados para resolver o problema. E porque não investir esse dinheiro no sector público? Simples: porque a agenda não é essa. Para eles está tudo bem. Quem disser o contrário é comunista.

Foto: Global Imagens/Natacha Cardoso@DN