Então vamos lá brincar ao Photoshop

catarina martins(clicar para ampliar)

O post do Carlos levou-me à velha questão sobre o que nos dizem as imagens. Parecem objectivas, por serem concretas, mas estão carregadas de subjectividade, desde o enquadramento, passando pela luz e pela própria selecção da imagem a usar, só para citar alguns exemplos. O Photoshop trouxe uma nova dimensão de manipulação, acentuando ou suavizando detalhes, manobrando as cores e a luz e alterando drasticamente as formas. Ou construindo realidades alternativas. Nada de novo, mas muito mais simples agora.

A bonequização do corpo, com as formas impossíveis e com os filtros de eliminação de “imperfeições”, visível em tudo o que seja revista e publicidade, é uma fonte de constante ansiedade, mesmo que não consciencializada, pela figura inatingível que contrasta com a imagem que nos olha de frente no espelho. A publicidade, aliás, vive muito deste conceito de criar uma necessidade que será, supostamente, resolvida pelo produto anunciado. Seja ele um carro ou iogurte.

Também na política, a imagem sempre foi uma parceira forte, precisamente pela aparência de objectividade que transmite. A fotomontagem acima inclui duas imagens publicadas em órgãos de comunicação social (1 e 2) e duas que trabalhei no Photoshop (3 e 4). Transmitem, necessariamente, leituras diferentes. A número 2, com o contraste tão puxado e com as saturação tão forte deve querer transmitir alguma ideia específica, mas isso só o autor o poderá confirmar. A mim pareceu-me não colar à pessoa retratada, mas isto digo eu que não a conheço (sem ser mediaticamente). Igualmente, a luz suave na fotografia número 1 também transmite uma certa expressão, menos agressiva do que a número 2. Não sei, também, se será mais próxima da pessoa retratada. Sei, no entanto, que as imagens, tal como os textos, podem ser manipuladas, e isso foi o fiz nas imagens 3 e 4.

Nada de novo, portanto. Tudo uma questão de escolhas, como sempre na política, não só por parte do comunicador mas, também, do mensageiro, o qual, idealmente, seria neutro. Bem-vindos à realidade.

Imagens:

  1. Ilustra um artigo do Público («Catarina Martins responde a Pedro Filipe Soares com a “irresponsabilidade” de dividir»), escrito por Rita Brandão Guerra e publicado a 22/11/2014. Não é indicada a autoria da fotografia.
  2. Ilustra um artigo da revista Sábado («Catarina Martins: quem é a senhora meio milhão de votos»), escrito por Maria Henrique Espada, com fotografia de Gonçalo Santos e publicado a 7/11/2015.
  3. Trabalho meu sobre a fotografia número 1.
  4. Trabalho meu sobre a fotografia número 2.

Comments

  1. Nightwish says:

    Desculpe-me dizê-lo, mas a capacidade de photoshop não é muita, já vi muito melhores exemplos.

    🙂

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