Provas de aferição e ou Exames?

O novo governo está a criar uma enorme expectativa junto da população, farta que estava de levar pancada da direita radical que nos governou nos últimos anos. Nas escolas e na educação há também um novo olhar sobre as politicas educativas, que se esperam, poderem ajudar a melhorar o sistema educativo, no seu sentido mais amplo.

Será, por isso, natural que comecem a ser conhecidas algumas novidades, como é o caso do fim dos exames do quarto ano e a sua substituição, segundo o Jornal de Notícias, pelas provas de aferição.

Ainda sem informação oficial, a notícia do JN parece responder à crítica da direita que projecta no fim dos exames uma ideia de escola facilitista.

E, sobre esta questão, importa deixar algumas notas:

  • em 2012, escrevi no Aventar que

Quanto às provas de aferição são um excelente  instrumento de aferição do sistema que têm vindo a fornecer alguns elementos bem interessantes, de análise do trabalho das escolas (ver relatórios disponíveis).

Não são exames e muito bem. Numa escola de todos e para todos não faz qualquer sentido existir um instrumento que promova exclusões. É, por isso, um erro transformar as provas de aferição em exames.”

Aliás, se eu mandasse, haveria exames logo no acesso à primeira classe. Os que não passassem ficariam no Jardim de infância. Sim, porque ninguém está livre – e ainda, para mais, as famílias numerosas – de lhe calhar na rifa um puto que (como dizem os especialistas especialmente especializados em educação especial) tenha dois ou três anos de atraso. E o que é que eles vão fazer para a escola?

Mas, no momento em que estamos, repito a necessidade que todos têm (sociedade, escola, professores, alunos) de saber em que ponto está o nosso sistema educativo, qualquer coisa do tipo “perceber o estado da arte”. No entanto, esta necessidade tem que condicionar o menos possível o processo de aprendizagem e, sempre que possível, o de ensino. Acabar com o treino para exames é fundamental e será para ontem.

Temos TODOS necessidade saber o que se aprende, ou antes, queremos TODOS saber sobre TUDO o que se passa nas salas de aula. E, para isso, há uma primeira novidade a introduzir – a Matemática e o Português não são tudo. São uma parte importante, mas não são tudo. É preciso aferir outras áreas, como o Estudo do Meio e as expressões no primeiro ciclo ou as ciências, o inglês e a história no 2ºciclo. Não há saberes mais importantes. Quem só sabe de matemática, nem de matemática sabe.

Depois, penso que seria de equacionar a possibilidade de fazer o trabalho por amostragem – seria possível ter um sistema em que um ano seria a prova A e B, no seguinte a C e a D ou, escolher algumas escolas por sorteio?

Obviamente, sou também sensível à ideia de que tudo isto poderia ser feito ao nível de escola – poderia e seria bem melhor, mas não creio que a Autonomia da escola esteja no ponto em que isto seja possível.

Importa ainda lembrar que nem todos aprendemos da mesma maneira – uns ao ler, outros a ver esquemas, outros… Que diabo, porque é que temos todos que mostrar o que sabemos, numa prova escrita?

Será importante criar condições para que os alunos possam mostrar o seu trabalho de diferentes formas, até porque, a nossa sociedade valoriza hoje menos as competências formais e valoriza a comunicação, o improviso, a adaptação…

E, quanto ao facilitismo, ao discurso do “no meu tempo é que era”, duas notas:

a) Com os exames de Nuno Crato, o insucesso e o abandono escolar aumentaram; um jovem (com menos de 18 anos) ou está na escola, ainda que “a saber pouco”, ou está na rua. Eu escolho a primeira;

b) A Escolaridade obrigatória é de 12 anos e temos que criar condições para que todos aprendam o mais possível nesse percurso que, em algum momento (fim do 9º) tem que ser diferenciado para todos.

 

 

 

Comments


  1. É ensurdecedor o silencio ,que certos círculos fazem sobre os resultados, cada vez piores, em comparação com os anos antes, das escolas publicas “nossas” e resultado dos negocios entre as corporações e o sindicado para as negociações com os sindicatos da educação, a que pomposamente têm dado o titulo de ministro da educação.
    Basta ver os diversos abortos, como por exemplo a pseudo avaliação de profs, que como é obvio só iria dar barraca.

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