Marcelo não é Charlie

MRS

pelo menos não era em 1996:

Vejo com preocupação que num canal com serviço público se encontrem mensagens que podem ser consideradas ofensivas de valores partilhados pela maioria dos portugueses e ofensivas de instituições particularmente relevantes como a Igreja Católica.

E que mensagens eram essas? Nada mais nada menos que um sketch humorístico, igual a tantos outros. Seguramente bem menos ofensivo para os católicos do que os cartoons do Charlie Hebdo para os muçulmanos. Por falar em Charlie Hebdo, vejamos o que tem Marcelo, guardião dos valores e defensor da honra católica portuguesa, a dizer sobre o assunto, quase 20 anos depois:

São fortes as caricaturas mas em democracia há métodos de lidar com esta realidade que não são nem a bomba nem o homicídio. Quer dizer, as pessoas que se sentem ofendidas ou que não gostam escolhem outra coisa.

Era exactamente isto que Marcelo deveria ter feito em 1996: não queria ver o Herman Zap escolhia outra coisa. Ele e todos os moralistas que não sabem a diferença entre o humor inofensivo e a crítica ofensiva mal-intencionada. Seria a costela fascista a falar?

Sempre do lado certo da história, este Marcelo. Mas não se iludam: vem aí mais do mesmo

Foto@Diário Económico

Comments


  1. Marcelo não é Charlie às vezes. Às vezes é. Depende do vento.

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