Atitude de respeito

Na sequência do acto desumano cometido por vários adeptos do PSV em Madrid, descrito por mim no post supra citado, o clube holandês decidiu punir os adeptos em causa com a impossibilidade de se deslocarem ao Phillips Stadium de 1 a 3 anos. 

Não se poderia pedir menos ao clube holandês do que uma sanção deste feitio, apesar de considerar que a UEFA, instituição que nos últimos anos tem apelado sucessivamente ao fairplay e ao respeito quer através de mensagens com visibilidade divulgadas nos canais próprios das suas competições, quer através de sanções aos clubes por atitudes e actos dos seus adeptos, deveria ter actuado imediatamente contra o clube holandês. Os clubes de futebol não se podem esquecer que, enquanto instituições dotadas de utilidade pública por via dos Estados, detém eles próprios responsabilidade social, tendo imperativamente de ser eles a dar o primeiro exemplo neste tipo de acontecimentos. Saúda-se portanto a decisão do clube de Eindhoven.

Comments

  1. Konigvs says:

    Ora aí está algo que seria impensável em Portugal.
    Nem mesmo quando os clubes portugueses são multados sucessivamente por comportamento incorreto dos adeptos se decidem a fazer alguma coisa no sentido de punir os infratores.


    • O fundo do problema é que em Portugal grande parte das claques são apoiadas directamente pelos clubes mas não tem a sua situação regularizada perante a lei. Em Portugal, a lei diz que os clubes só podem ser ser responsabilizados (civilmente) se as suas claques estiverem devidamente legalizadas. Desportivamente são umas multas insignificantes. A coisa só fica feia quando existe uma interdição de campo por alguns jogos…

      • Konigvs says:

        Os clubes deveriam ser os primeiros a querer acabar com a violência dentro dos estádios, pois são eles que são penalizados, e nas competições europeias levam umas multas jeitosas. Os estádios têm sistemas de vigilância,identificam imediatamente as pessoas. Se a justiça civil nada faz, então deveriam ser os clubes os primeiros interessados em punir os seus próprios adeptos.

        Os adeptos do Sporting incendiaram o estádio da Luz, e na semana seguinte lá estavam a assistir aos jogos tranquilamente. No Benfica por pouco não ficaram com o campo interdito e estão sempre a ser multados por causa das explosões dos petardos. No Porto é o que se sabe, uma claque que é uma verdadeira máfia. Mas ninguém faz absolutamente nada. Parece que o futebol é um mundo à parte, à parte da justiça.

        O mais interessante aqui no caso da notícia, é que a meu ver, quase que o PSV nem sequer teria motivo para punir os seus próprios adeptos, porque no fundo estamos só a falar de um comportamento eticamente reprovável. Não é crime atirar moedas ao ar, muito menos rir! Do ponto de vista legal é muito mais reprovável conduzir e falar ao telemóvel! Mas no entanto os responsáveis do clube acharam por bem punir os adeptos para se dar o exemplo. Mentalidades muito diferentes.


        • Em Portugal, por mais dispositivos de segurança que se implementem nos estádios, estes serão simplesmente violados. Isto porque: não existem polícias que não tenham pertencido a claques de futebol, não existem seguranças que não tenham pertencido ou não tenham ligações directas às claques de futebol, não existem vigilantes que não tenham pertencido ou não tenham ligação directa a claques de futebol. Os sistemas de vigilância só servem para efeitos judiciais se estiverem devidamente licenciados na Comissão Nacional de Protecção de Dados. Caso contrário, são ilegais e não servem como prova judicial.

          Posto isto, há quem (nas forças de segurança) passe os olhos à coisa e assobie para o lado. Pergunta-se também se os sistemas de vigilância que alguns clubes dispõem nos estádios estão devidamente licenciados. A revista feita à entrada é diminuta. As claques do clube da casa já tem o material dentro do estádio, colocado vários dias antes da realização da partida para não serem apanhados e questionados no acto da revista.

          Na minha modesta opinião, o sucedido não é apenas um comportamento eticamente reprovável: é uma clara violação às directrizes traçadas pela UEFA desde há uns anos para cá no que diz respeito à irradiação de qualquer tipo de violência no futebol, considerando que atitudes de racismo são uma forma de violência entre povos. A UEFA tem vindo a endurecer as sanções contra os clubes cujos adeptos pratiquem comportamentos ou acções racistas\xenófobas. Basta vasculhar no google as sanções que já foram aplicadas a clubes como a Lázio, Roma, Légia de Varsóvia neste campo em específico.

  2. anónimo says:

    Exige-se ao futebol uma ética que não se exige aos partidos políticos, nem às associações de criminosos.