Quartel-general do PSD e CDS-PP exige tolerância zero para Portugal


epa04925037 Hungarian Prime Minister Viktor Orban (R) shakes hands with Chairman of the European People's Party (EPP) group of the European Parliament Manfred Weber during their meeting in the Parliament building in Budapest, Hungary, 11 September 2015.  EPA/SZILARD KOSZTICSAK HUNGARY OUT

A imprensa portuguesa deu conta de um suposto apelo de Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque a Bruxelas, com vista a que a Comissão Europeia não imponha sanções a Portugal devido ao défice de 4,4% em 2015, resultado da acção destrutiva do governo PSD/CDS-PP e de uma cereja em cima do bolo chamada Banif.

Em sentido contrário, o PPE, quartel-general europeu do PSD e CDS-PP, apelou à tolerância zero por parte da Comissão. Numa carta enviada ao presidente Juncker, Manfred Weber, líder do PPE, afirma que “Todos os instrumentos, incluindo os da vertente corretiva [do PEC], devem ser usados na sua força máxima“. Weber, que surge na foto em cima com o seu parceiro fascista Viktor Orbán, é o mesmo que em Novembro se juntou ao coro nacional de negação da democracia representativa, alinhado com o discurso da direita radical portuguesa.

É a velha história do polícia bom e do polícia mau. Perfeitamente alinhados, os representantes do PPE em Portugal fazem o teatro do patriotismo, de bandeira na lapela e discurso abnegado, ao passo que os seus pares pedem a cabeça de todos os portugueses, exigindo sanções violentas e potencialmente geradoras de mais recessão e sacrifícios. E o que tem a dizer Paulo Rangel, representante máximo do PSD no PPE, sobre tudo isto? Que foi apanhado de surpresa. Que, na qualidade de vice-presidente do PPE, não foi informado sobre um acto oficial do seu líder que visa precisamente o seu país. Comovente. Ou será que, tal como no PSD, os vices do PPE são meramente decorativos?

Comments

  1. O facto de existir “geringonça” e de ela aparentemente funcionar (sem precisar de quaisquer apoios à Direita, como sempre aconteceu com governos PS do passado) deixa PSD e CDS sem hipótese de influenciarem o curso dos acontecimentos, ou de estarem nos centros de decisão, em Portugal durante os próximos anos. A não ser… a partir de Bruxelas ou das agências de rating de Wall Street. — como se viu aquando do deplorável espetáculo dos nossos ex-governantes praticamente a ‘rezarem à Virgem’ para que a Standard & Poors e a DRBS baixassem a notação a Portugal.

    Como já escrevi e já vi outros escreverem aqui, o projecto para o país destes “chicago boys de bandeira na lapela” é uma bancarrota. Nada de anormal. Giorgio Agamben diz que a palavra “dívida” deve ser desmascarada por aquilo que verdadeiramente significa, que é simplesmente “obey!” — como no filme “Eles vivem” de John Carpenter dos anos 80 (em que o personagem principal descobre uns óculos que lhe permitem ver as verdadeiras mensagens escondidas na aparência superficial das coisas). A “crise” não é mais que o modo normal de como funciona o capitalismo no nosso tempo. Sem crises, não poderia haver agendas radical de cortes salariais e sociais, não poderia haver privatizações de serviços rentáveis do Estado, e a transferência de riqueza pública para mãos privadas sem escrutínio, ou seja toda a agenda que define a “raison d’être” da caranguejola! — a qual, tal como qualquer viciado necessita da sua dose, necessita do espectro de crises (eminentes ou reais) e de imposição externa de medidas de austeridade. No fundo, a economia portuguesa está transformada numa economia de capitais oportunistas, capitais esses que não lhe trazem qualquer competitividade, que não se enquadram em qualquer modelo de desenvolvimento a médio e longo prazo, e as crises são a cobertura perfeita para uma elite que vive de negócios e dinheiros duvidosos. E são, de resto, a única forma de regressarem ao poder.

Trackbacks

  1. […] que em parte nos conduziram a este impasse, encontram-se refugiados num silêncio cúmplice enquanto o seu líder pede a cabeça dos portugueses, numa movimentação inédita que contrasta com os regimes de excepção aplicados no passado às […]

  2. […] fascistas, neoliberais e outros fanáticos, o actual executivo tenha conseguido escapar às sanções exigidas pela casa-mãe do PSD e do CDS-PP (exigência que teve a bênção de Passos Coelho, apesar da tentativa infrutífera de Luis […]

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