As contradições de Assis


FAPPC

Francisco Assis regressou às críticas a António Costa, aos elogios a Passos Coelho e às contradições de quem anseia, desesperadamente, pela sua vez de se instalar no poder. Há cerca de um ano, ainda o desfecho das Legislativas era imprevisível e a aliança à esquerda uma improbabilidade na qual muito poucos acreditariam, trouxe a este espaço a contradição do Assis, que em 2013 se insurgia contra a linguagem extremista usada no Parlamento para criticar o governo Passos/Portas para, dois anos depois, ser o próprio a classificar os partidos que integravam a coligação PSD/CDS-PP como “direita extremista” com a qual não poderia haver qualquer tipo de compromisso. Assis afirmava mesmo que

Se Pedro Passos Coelho permanecer como primeiro-ministro, estamos condenados a viver o velho ciclo daqueles que agora apresentam com o ‘slogan’ Portugal para a frente, quando não fizeram mais do que trazer Portugal para trás; mas se o novo primeiro-ministro for António Costa, um novo ciclo vai abrir-se.

Quase um ano após a aplicação do rótulo de “direita extremista” ao PSD, Francisco Assis foi entrevistado pelo “insuspeito” David Dinis, na TSF, surgindo com um novo discurso em torno da necessidade de diálogo com um PSD liderado pelas mesmas pessoas com as quais não havia margem para compromissos. Os argumentos de Assis para o seu mais recente contorcionismo ideológico giram em torno das grandes questões europeias que, no seu entender, exigem os tais compromissos alargados com a “direita extremista”. Mas essas grandes questões não existiam já quando Assis defendia a impossibilidade de compromissos com a “direita extremista”? Existiam, claro. Mas Francisco Assis é assim. Vale tudo, menos andar de Renault Clio.

Comments

  1. Em vários momentos do PS, Assis foi visto como político da área esquerda do partido. Participou em debates com o BE e a Renovação Comunista no Porto.

  2. Li com muita atenção a entrevista de Francisco Assis, um homem desassombrado que não anda ao sabor das correntes. Em parte alguma da entrevista li um único elogio a Passos Coelho (dizer que Passos Coelho não é neo liberal não me parece elogio, porquanto deixa transparecer que apesar disso aplicou medidas neoliberais). Eu que tanto defendo a escola pública começo a sentir algumas dúvidas sobre os méritos do ensino da leitura. Uma coisa afirmou Francisco Assis sobre Costa: de que estava prisioneiro dos compromissos que assumiu. É mentira?

    • Nascimento says:

      Eu também.Principalmente quando tipos como tu “interpretam”tão bem o desassombro de um demagogo ressabiado que nada vale no PS.So se for para jantaradas ou almoços….mas de Leitão!Realmente Churchill tinha razão…

  3. Eu diria que se assemelha mais a uma anedota, mas tudo bem!

  4. José Pinto da Silva says:

    Ele disse, por um lado, que Passos Coelho não era um neoliberal puro e duro, como não era um social democrata. Isto a propósito do slogan da campanha para o Congresso. Sisse que ele seria algo entre uma coisa e outra. O mau da entrevista não foi por aí. Também, sempre se mostrou contra o acordo com as forças à esquerda do PS. Aí terá sido coerente. O pior de tudo é o timing, sabendo-se que não arrisca uma luta pelo poder.

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