Adivinha


Folie1

Há cerca de duas semanas, Petra Hinz, deputada do SPD no parlamento alemão (Bundestag), sucumbiu às acusações e confessou que tinha aldrabado o seu curriculum vitae. Nem a licenciatura em Direito, nem o diploma do ensino secundário que dá acesso à universidade (Abitur), que constavam do seu currículo oficial, tinham afinal alguma vez sido por ela obtidos.

Acto contínuo, o seu partido exigiu a demissão de Hinz, considerando ter causado um enorme dano ao partido e à política em geral. De imediato, Hinz demitiu-se de todos os cargos no SPD, declarando posteriormente que apresentará a sua demissão como deputada a 31 de Agosto e que doará o seu salário deste mês a instituições sociais ou caritativas. Publicamente pediu “do fundo do coração perdão aos colegas, amigos e família, a todas as pessoas e ao público em geral” que nela confiaram. Fim da história.

Adivinha: O que aconteceria em Portugal num caso destes?

Imagem:Max Rossi – Reuters

Comments

  1. Konigvs says:

    Aqui certamente se viria falar da cabala! Porque é perfeitamente aceitável que nunca se tenha posto os pés numa universidade e compre um curso qualquer por equivalência de ter andado no rancho folclórico lá da terra. As pessoas continuariam agarradas aos cargos como lapas, até simplesmente ser insustentável.

    Em Portugal os políticos são tão sérios, que fazem leis anti-corrupção. Em que ser corrupto é feio, mas desde que se corrompa segunda a velha tradição do “bom senso” é tudo perfeitamente normal!

  2. tag: relvas

  3. MJoão says:

    Faria o que lhe exigissem. Mas por cá exige-se pouco, esquece-se depressa e o chico-esperto ainda é um “gajo de olho”. A cultura de “merceeiro” custa a passar.

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Que pergunta cara Ana Moreno.
    Seria um primeiro passo para uma condecoração.
    Pelo menos com o outro “presidente”. Este apelaria ao bom senso e à concórdia, mas não passava daí, porque para esta gentalha, a “class política” está acima dos deveres que ela tem para com o País.
    Em todo o caso convenhamos que é preciso ter arte como Relvas teve ( e estou certo que Sócrates também) para passar entre as gotas da chuva sem se molhar, ter tanta gente a protestar contra o dislate e o homem sempre a subir na carreira… Ainda que esta arte se chamem… portas aberta. E há sempre quem as abra.

  5. fleitao says:

    Ia a Belem buscar a Ordem de Mérito. Favas contadas. Em Portugal, o que está a dar é ser corrupto, velhaco, malandro. A A Ana duvida?

    • Ana Moreno says:

      Acho que, aos poucos, os portugueses estão a começar a ser mais exigentes em relação aos seus governantes. Pelo menos quero crer que sim. Porque nisto da corrupção e ética, uma coisa (a sociedade) tem a ver com a outra (os governantes) – como alguém disse, “os políticos são um reflexo da sociedade que representam”. Claro que eles têm o poder para fazer as aldrabices (ou pior) que os beneficiam, enquanto a população não tem; mas nunca me esquecerei de um cidadão de Oeiras que, perante a condenação de Isaltino de Morais por corrupção, dizia: “mas ao menos esse fez obra”… Ou seja, pensa-se que no fundo qualquer um de nós poderia fazer isto, é normal. Tem pois a ver com o comportamento de todos nós e requer um controle eficaz das ilegalidades (não só, mas em especial dos governantes, que pelo poder que exercem têm mais responsabilidades), começando pela atribuição de recursos suficientes para que esse trabalho possa ser feito🙂
      Saudações Fernanda!!

  6. Jorge says:

    Na Suécia uma ministra demitiu-se esta semana por ser apanhada a conduzir com excesso de álcool…. e em Portugal ?

  7. fleitao says:

    Em Portugal, calhando, davam-lhe um café e levavam-na a casa, tudo na boa.

  8. fleitao says:

    Sabe, Ana, o diabo não é mau por ser diabo, é por ser velho – que é o meu caso. Quantas vezes ouvi essa frase “mas ao menos fez obra”, aplicada a tubarões do tempo de Salazar e até ao Kubitshceck de Oliveira, o president do Brasil… Receio que, no fundo, o povo também se ajeite. Mas não duvido que melhor educação e melhor governação poderão mudar as coisas. .

  9. fleitao says:

    Pode acreditar. Ou quer ver a minha certidão de nascimento? Já vi muita coisa por esse mundo, ao longo de dezenas de anos. Quem se interessa pelo bem dos outros e escreve, acaba por ser um criado de quarto da História: tanto a vê toda vestidinha e composta como a vê nua em pêlo. E olhe que a política nua é feia que se farta. Tão feia que já várias vezes tenho pensado: “raios a partam e quem lá anda”. Mas, por outro lado, tenho sempre esperança de ela se tornar decente. Porque a política indecente, mata, destrói. Em geral, encobre-se o crime.
    É um pouco como o povo diz da Medicina: “os erros dos médicos, a terra os cobre”.

  10. Ana Moreno says:

    Que imagem gira, criado de quarto da História!🙂
    Não há alternativa à esperança (embora haja dias em que nada nos consiga convencer disso). E, um bocadinho infinitesimal, também temos o nosso quinhãozinho de responsabilidade em dar-lhe substância. Lutando por uma causa com outros, reforçamo-nos e intervimos. Acho que é esse o único caminho para não soçobrarmos à desesperança, ao desespero ou ao cinismo.
    Abraço!

  11. ricardo cordeiro says:

    Ana Moreno, por favor…”estamos a ser mais exigentes….” veja-se o caso do europeu em França e das viagens de deputados e governantes e…as sondagens e os políticos, dizem o quê???
    Em Portugal, casos conhecidos, são “reconduzidos” como “facilitadores de negócios” e outras coisas…. e , provavelmente, seria “destituída” da politica, mas com subvenção vitalícia, e ainda promovida a administradora “NÃO EXECUTIVA” de uma qualquer Entidade “para-oficial” ou “privada”…mancomunada com o sistema.. Pode ser que este País venha a mudar, mas….talvez a esperança nuca morra! …. por continuar a ser muito necessária. Cumprimentos.

    • Ana Moreno says:

      É verdade que temos razões para desesperar, mas também para o contrário; acredito que este escândalo público pressionou os seus actores de modo mais incisivo do que é costume e enfim, foi anunciado um código de conduta, veremos se também define as sanções correspondentes… Cabe-nos a nós cidadãos sermos mais atentos, exigentes e activos, o que infelizmente se torna mais difícil ainda pela pouca qualidade da informação a que temos acesso… Mas não há alternativa Ricardo, temos que procurar informar-nos e intervir se não queremos que continue tudo na mesma… imagine, só como exemplo, uma manifestação forte contra os secretários de estado à frente da AR… será que não daria algum efeito? Ou outra coisa mais eficaz, que lhe possa ocorrer a si. Mas aí as pessoas já não têm muita vontade de dar a cara, acho que em Portugal a cidadania precisa ainda de perder a vergonha… Sendo que isso está a começar a acontecer, como nos protestos contra a exploração de petróleo e gás, com o consequente adiamento dos furos. Claro que isto é uma vitória muito parcial e insegura, mas se o movimento de cidadãos se mantiver forte e atento, há razão para ter esperança…
      Saudações cidadãs!

    • Creio que o fato de virem à luz os casos de prevaricação e corrupção é uma prova de que estão mais exigentes… mas ainda é a nível de grupos de pressão reduzidos e organizados (os chamados “românticos” ou “utópicos”) que precisam de mais apoio da população para poderem exigir ainda mais. É pena que demore tanto, mas se não justificarmos a nossa inércia/preguiça/descrença de cidadão dizendo “ninguém faz nada”, a coisa muda, sem dúvida!!

  12. j. manuel cordeiro says:

    Lembro-me de há uns anos, creio que em 2002 ou 2003, um governante alemão se ter demitido por ter usado, para fins pessoais, o bónus das milhas de voos de serviço. Esta e outras demissões, que entre nós seriam impensáveis, basta ver os nossos casos das licenciaturas e da fuga ao pagamento à Segurança Social, aconteceram porque as pessoas são diferentes. Os cidadãos são mais exigentes e os políticos ainda têm vergonha na cara quando são apanhados em flagrante.

    [editado]

    • Ana Moreno says:

      Pois Jorge, ou ainda o caso do presidente Christian Wulff, que se demitiu em 2012, após lhe ter sido retirada a imunidade por ser acusado de ter aceite benefícios (o pagamento de um fim de semana num hotel de Sylt, uma ilha no norte da Alemanha). A história é longa, mas para abreviar, Wulff continuou a afirmar que não tinha cometido nenhuma infracção e recusou a proposta do Ministério Público de suspender o processo em troco do pagamento de 20.000 Euros. Foi pois julgado e ficou, de facto, ilibado, tendo-lhe sido atribuída ainda uma indemnização. Entretanto o homem ficou de rastos, pessoal e profissionalmente, incluindo divórcio.
      Enquanto na área económica alemã a corrupção internacional com certeza grassa em grande (basta lembrarmos-nos dos submarinos para Portugal e Grécia), na área da política os padrões éticos são, de facto, bem elevados. E só assim se pode levar a sério a política, os políticos e os governantes.

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