Lava mais branco


O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

Comments

  1. A RTP 1 passou uma excelente entrevista de há cerca de três anos. Excelente trabalho.

  2. O tema colónias começa logo em 1960 quando os nossos aliados da OTAN avançaram com uma resolução das Nações Unidas pela descolonização. Mais tarde Portugal foi impedido de utilizar as armas adquiridas pela nossa associação à OTAN. Havia muitos sinais para o regime salazarista compreender de que não podia manter as colónias. Mas como sempre, nós os portugueses não soubemos entender que tínhamos que conceder independência aos povos colonizados. Não fizemos nada para nos prepararmos para tal dia, quando se deu a revolução de 25 de Abril de 1974. O resto deverá ser objeto de estudo, mas eu ilibo Mário Soares de qualquer responsabilidade na má descolonização. Nós vimos mais tarde a humilhação dos EUA no Vietname. Porquê? Porque não compreenderam que tinham perdido a guerra. Portugal não se preparou para conceder independência, até quando era tarde demais para se negociar o que quer que seja.

    • atentoàs cenas says:

      “nós os portugueses”, não. os portugueses que detinham o poder controlando a informação, sim

  3. joaovieira1 says:

    Numa transição pacífica, quase sem incidentes, da ditadura salazarista /marcelista para a democracia pobre, mas aberta que, hoje, temos, onde, até ao 25Nov/75, a ameaça da guerra civil esteve iminente, todos os cidadãos/ãs, profundamente, afecfos ao antigo regime, política e criminalmente responsáveis por indignidades inomináveis, como foram os agentes da Pide, esbirros e informadores ao serviço do “núcleo duro” salazarista, todos foram bafejados por uma “amnistia” que dura, até hoje e, certamente, se vai diluindo no tempo, tempo que, como se sabe, vai adulterando e/ou apagando a memória! Adriano Moreira, homem de direita, assumido, também, “amnistiado” não fez nem mais nem menos do que os outros/as para se inserir e ser aceite no sistema democrático, ainda vigente. Tanto mais que, inteligente e culto como é, teve a sua tarefa facilitada no CDS/PP, partido onde, parecendo haver alguma inteligência, escasseia a cultura, tal e qual como no PSD. Adriano Moreira é um dos raros “faróis” ideológicos da direita, por isso, é respeitado. O facto de, nas actuais circunstâncias, “esconder” o seu passado salazarista não parece ser relevante.

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