Lava mais branco

O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

China, estratégias locais e globais

O Primeiro-Ministro, António Costa, encontra-se neste momento de visita oficial à República Popular da China. No encontro que este sábado, 8 de Outubro de 2016, manteve com o líder chinês Xi Jinping, António Costa agradeceu o “apoio decisivo” dado pela República Popular da China à candidatura de António Guterres ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas.
Segundo noticia a Rádio Renascença, este agradecimento do Primeiro-Ministro português foi o primeiro ponto do programa da visita oficial à China, durante o encontro com o Presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhang Deijiang, e posteriormente reiterado ao Presidente chinês, Xi Jinping.

António Costa recebido pelo líder chinês, Xi Jinping

António Costa recebido pelo líder chinês, Xi Jinping

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A Manuela, os velhos e os novos

Manuela Ferreira Leite discorre sobre as eventuais alterações nas estratégias do PCP atribuindo-as à juventude, renovação – como se a idade fosse condição necessária e suficiente para explicar estas coisas – e ao facto destes jovens não saberem o que é o Tarrafal e coisas que tais. Olhe que sabem, dona Manuela. E aos que não sabem, permita-me que lhes chame a atenção para o facto do Campo da Morte Lenta do Tarrafal ter sido reaberto por aquele senhor que esteve, há dias, quase uma hora a verberar a “natureza” dos comunistas e a pregar-nos princípios morais e santidade cristã. O senhor chama-se Adriano Moreira, era ministro de Salazar e a ele se deve uma das fases mais ferozes deste Campo. Como a democracia portuguesa é generosa e tolerante, este facto tem sido esquecido e o dito senhor até foi – et pour cause – presidente do CDS.

Não queremos reabrir feridas, mas também não estamos dispostos ao regresso da arrogância autocrática que fez esses feridas. Os velhos sabem, porque viveram. Os novos, porque aprenderam e não querem viver o mesmo.

Tertúlia O Futuro do Estado Social

Paulo Pereira

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Adriano Moreira foi o  convidado na Tertúlia O Futuro do Estado Social.

“O Mal não é só de quem Governa é também de quem vota ou de quem não vota….”

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A fome não é um dever constitucional

Caro camarada aventador,pinheiro

não há nada de pessoal nas minhas análises. Obviamente, quando sugiro um Pinus no reto de alguns governantes, não é porque tenha algo contra os pinheiros. Antes pelo contrário. Do mesmo modo, os erros de Mário Soares não justificam, nos argumentos que ele usa, a assertividade ou a ausência dela. Umas vezes argumenta de forma lógica, outras nem por isso. O mesmo acontece com qualquer dos escribas deste corner, que são pouco recomendáveis apenas do ponto de vista do mercado blogueiro – são um produto a evitar.

Mas, não tenhas qualquer dúvida, nós, os que estamos do lado oposto ao de Relvas e Coelho, fazemos mais pelo futuro de Portugal no Euro e na Europa do que aqueles que, como tu, aceitam sem questionar as práticas imorais deste governo. Eu, como Adriano Moreira, sinto que estamos à esquerda dessa gente porque temos – usurpação de argumento, reconheço – a convicção de que a fome não é um dever constitucional.

E, dizer que este não é o caminho é defender o futuro de Portugal e dos Portugueses. O que eu escrevo – renegociação da dívida – é uma certeza. Vai acontecer. Só não sei quando, mas vai acontecer por uma razão simples: Portugal não a vai conseguir pagar.

Se calhar fazemos os dois falta ao Governo: tu segues a linha passista e passadista – a culpa é do dia de ontem. Eu faço o favor de não me preocupar com o ontem, com a raiz do problema, e procuro apontar uma saída para o labirinto onde Passos se meteu.

E agora, vamos lá meter os pés ao caminho para ir atravessar a ponte. Por um futuro, para ti e para mim!

Parabéns Adriano Moreira

Sim, ter sido ministro de Salazar e acabar democrata é raro, mas possível.